Lápis L-Azuli


Maria Dulce Fernandes,

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Hoje lemos: Chico Buarque, ” O Irmão Alemão”.

Passagem a L-Azular: “Com taquicardia, respiro fundo, olho ao redor, só não me lembro mais por que eu tanto queria atravessar a rua. Este lado é como um espelho do outro, com os mesmos pedestres aflitos para atravessar de volta, os mesmos minúsculos botecos com idênticas bundas grandes do lado de fora, além de uma banca de jornal igual a todas, onde vejo exposta uma primeira página tenebrosa.”

Um parágrafo que é o espelho do dia a dia. Expõe com toda a clareza a evidência da hesitação da galinha em atravessar a estrada, apenas para chegar ao outro lado, ao lado de lá, que afinal reflecte tão bem o lado de cá, que na realidade torna ambos os lados gémeos siameses, unidos pela cabeça e pela tragédia, e onde não falta o pasquim proclamador da catastrófica calamidade do dia em grandes parangonas, como uma teia densa e peganhenta, pronta a prender firmemente o olhar dos incautos. Hoje é assim. Todos os dias são iguais.

(Imagem Google)

4 comentários em “Lápis L-Azuli”

  1. pcb ou pc do b?
    «Estava à toa na vida
    O meu amor me chamou
    Pra ver a bunda passar
    Cantando coisas de amor

    mais um idoso
    são demasiado os que estragam a vida dos Povos

  2. De facto, o irmão alemão existiu. Fruto de uma relação do pai do Chico Buarque da Holanda – Sérgio Buarque da Holanda, jornalista e escritor ( escreveu um livro polémico que todos os portugueses deveriam ler – ” Raízes do Brasil ” – ) com uma cidadã alemã, nos anos 30 do século XX, portanto, no apogeu do nazismo, quando se encontrava, na Alemanha em trabalhos jornalísticos.
    Mais tarde, a mãe desta criança escreveu ao Sérgio Buarque da Holanda, já casado, no Brasil, com o mãe do Chico, solicitando ajuda, para proteger a criança, porque os nazis descobriram que o pai da mesma, o Sérgio Buarque da Holanda, era descendente de Judeus portugueses. A mãe do Chico prontificou-se a tomar conta da criança, o que não aconteceu, porque, entretanto, a criança e mãe desapareceram.
    Já este ano, no seu discurso, Chico Buarque da Holanda, aquando a entrega do Prémio Camões, fez referência à sua descendência judaica, referindo-se que era descendente do último Rabi de Barcelos.
    Embora o livro não faça referência a estes factos, vale sempre apena lê-lo.

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