
Hoje lemos: Sylvia Plath, “A Redoma de Vidro”.
Passagem a L-Azular: “Tu nunca te decepcionas quando não esperas nada de alguém.”
Este foi o meu lema laboral durante todo o meu mandato na supervisão de quase duzentas almas (agora em número assaz superior). Aquela máxima kennedyana que diz que “Não perguntes o que teu país pode fazer por ti. Pergunta o que tu podes fazer pelo teu país”, é uma falácia.
Ninguém está interessado em trabalhar pelo bem comum, pelas comissões ou pelos prémios. Não são assíduos ou pontuais, estão ali apenas para cumprir as 8 horas diárias às quais esmifram todas as pausas para café e cigarro possíveis. Ninguém quer saber se o colega está sobrecarregado ou precisa de apoio, ninguém se incomoda com a correcção profissional. Desde que caia a moedinha, são como arrumadores de automóveis, que fazem apenas o suficiente para ganhar para o dia.
Quando lhes ia pedir alguma alteração de última hora à escala semanal, levava sempre na ideia todas as hipóteses possíveis porque o não era uma garantia e era necessário passar de imediato à opção seguinte, sem decepção, mágoa ou frustração, apenas constatando o normal, que era como era, a realidade das coisas. E continuará a ser, com a permissividade dos legisladores, que um dia entenderão que criaram uma sociedade feita de direitos e em que os deveres passaram a ser mitologia.
(Imagem Google)

mas fica tudo doido quando se fala da baixa produtividade do trabalhador português , começam logo a falar dos “patrões” desqualificados
não sabem preparar o trabalho , levam imenso tempo a fazer tarefas simples , não conseguem eliminar passos fazendo duas ou três coisas em paralelo , têm ciúmes uns dos outros , fazem imensa ronha , enfim. é muito difícil encontrar pessoas que gostem de trabalhar. encaram o trabalho como sacrifício e como uma actividade própria de “pobres”.
Os mais novos aprendem com os mais velhos que eram os mais novos há não mais de 6 anos, quando tudo começou verdadeiramente a descambar.
a adolescência desta ‘poeta’ gringa aconteceu de modo muito diverso da minha num ‘paíszinho xuxalista’ cada dia mais pelintra.
Independentemente de onde nasceu ou passou a adolescência, este aforismo é a realidade , a verdade nua e crua.
You do not do, you do not do
Any more, black shoe
In which I have lived like a foot
For thirty years, poor and white,
Barely daring to breathe or Achoo.
Daddy, I have had to kill you.
You died before I had time –
Marble-heavy, a bag full of God
Daddy issues, mas com fundamento, neste caso.
Não percebo como é que com tantos direitos ainda continuam a haver gajos tortos. Será do clima?
Pode ser. A mudança do clima encolhe muitos cérebros e deixa por aí muito parafuso solto. Quando não houver volta a dar, a culpa é da COVID 19.
Agora até me assustei, pensei que você fosse dizer que a culpa era do Costa.
Creio que está implícito, não? Quem foi o estratega da Covid19? Querem ver que a culpa também foi do Passos Coelho?!
Coitadinha da Graça Freitas, ser assim desvalorizada por uma extrabalhadora utente.
E a testa de ferro tomaria decisões sem ordem do Querido Líder, por alma de quem?
Não diga mal do Querido Líder que ele agora fez um orçamento todo pipi, bem arranjadinho e muito bétinho.
Está a ver? Todo contentinho da vida! Em quanto é que o orçamento pipi lhe “valoriza” a reforma?
Não seja pobre e mal agradecida que o orçamento pipi vai dar-lhe no próximo ano 6,2% de aumento na reforma. A não ser que tenha uma reformazorra e aí o aumento é um poucochinho menos.
Mal agradecida nunca fui. Aumentozinhos anuais não são novidade. Quem tem reformazorras é que deve ser grato ao QL, quem é pobre, vai-se remediando.
O verdadeiro liberal tuga. O valor que se paga pelo trabalho deve ser regido pelo mercado, o que o patrão deve esperar é o melhor possível pelo menor preço possível, é assim a vida. O trabalhador tem uma obrigação moral de trabalhar e prejudicar-se para garantir o melhor trabalho possível pelo menor preço.
A idéia de que considerar o trabalho como um contrato livremente estabelecido funciona para os dois lados, nunca lhes ocorre. Eles vivem para ser servidos, os outros vivem para servir.
Fala do que pensa que sabe, que eu falo do que sei. Patrões que pagam bastante acima das tabelas, pagam percentagens , dão prémios anuais, ofertas de Natal, não pagam a dia 33, dão refeições de borla para além do subsídio de alimentação, ajudam os funcionários com problemas, dão seguro de saúde, dão 5as oportunidades aos prevaricadores… vi isto que escrevi a acentuar-se de um modo surreal nos últimos 10 anos. Os funcionários entram tarde, querem sair à hora, faltam sem avisar… vão até ao trabalho fazer as 8 horas do contracto, o resto é conversa de quem não vive a triste realidade, de qualquer dia ver Lisboa, por exemplo, inundada de trabalhadores em áreas diversas, de outras nacionalidades que aprenderam lá de onde vieram, a dar valor à palavra TRABALHO.
O contrato são 8 horas.
O trabalho não é uma religião, é uma mercadoria, não existe obrigação moral de trabalhar sem ser pago.
Não conheço a empresa que descreve, mas tenho muitos visto despedimentos coletivos, formas manhosas de (não) pagar horas extraordinárias e má gestão do tempo dos trabalhadores, só porque sim, porque a obrigação deles é estarem lá até o trabalho estar pronto.
É verdade, o trabalho é uma mercadoria que vale 8 horas de trabalho diárias. Mas funciona para os dois lados, não só para quem a paga, também para quem a fornece. Quem paga, sai logo aí a perder, porque ninguém trabalha nunca as 8 horas. Ponto.
Presentemente a maior parte da gente mais nova não quer trabalhar. Está comprovado.
E seguramente que conhece a empresa, mas como movimenta muito dinheiro, os patrões são imediatamente chancelados de exploradores, sem saberem nada de nada, sabem apenas que ” devem estar riquíssimos”. Olhe, aguentaram os ordenados por inteiro durante a pandemia. Que cambada de vampiros. O patronato devia ser todo metido no Campo Pequeno, é o que é.
Maria Dulce Fernandes que grande generalização.
Então durante a pandemia houve medidas de apoio financeiro às empresas.
Claro, mas esta empresa pagou o restante para que os trabalhadores tivessem o ordenado por inteiro, como o recebiam antes da pandemia. É preciso fazer-lhe um desenho?
este era desenho da lay-off
‘Aos trabalhadores das empresas que acedam a esse regime está garantido o pagamento de, pelo menos, dois terços da remuneração de referência, sendo tal valor pago — no caso da interrupção da prestação de serviços — em 70% pela Segurança Social e em 30% pelo próprio empregador, que fica, além disso, temporariamente isento de pagar contribuições sociais.’
Pois, tendo como referência o ordenado base e salvo erro o subsidio de alimentação. Mas na tal empresa recebia-se muito mais em subsídios e prémios de produtividade e foi tudo garantido, ok?
Já sei que o eu sabe de tudo, mas por vezes terá de admitir que há coisas que lhe escapam. Foi por isso que o governo ” ofereceu” a possibilidade da moratória ao crédito à habitação, etc., e houve muito quem utilizasse dessa prerrogativa. Outros não tiveram essa necessidade. Quer outro desenho? Não?
Bom fim de semana.
conservado bima parede:
« -fascistas para o Campo Pequeno
-não cabemos
Ena! Olhe que o Campo Pequeno ainda é um campo grande!
Esta realidade ( nos últimos dez anos!!! ), não me passava pela cabeça haver assim patrões tão porreirinhos. Estes criam empresas para os empregados só terem benefícios que só lhes falta sauna, e uma única excepção, mas não esperam pela demora, de sair à hora.
Quanto não vale ter patrões assim.
A Auto Europa trabalha ainda com reminiscência de trabalhos forçados.
A AE é o que é, é o que fizeram dela. Despeçam-se com acordo de empresa e vão procurar “patrões porreirinhos” , que há muitos, olhe a Delta, por exemplo. Quem quer trabalhar a sério e não vai em conversas da treta, arranja sempre porreiraços no bom sentido, mas não daqueles que ” toma lá 2000, mas só tens descontos sobre 820″, que estes é que são bons e pagam bem. O amanhã é bem diferente.
Os trabalhos forçados são à força de chicotadas?
Isso do toma lá 2000 e só descontos sobre 820, é prática generalizada há muitos anos.
Na hotelaria e construção durante anos e anos toda gente ganhava o ordenado mínimo ou de aprendiz/praticante. Passados anos aparecem os ‘ofendidos’ das reformas baixas com aquela do ‘passou uma vida a trabalhar’ em vez de passou uma vida a ganhar sem descontar.
Até os patrões, sempre a descontar pelo mínimo, ficaram com uma reforma de ‘miséria’.
Quanto a porreiraços era em sentido irónico, como facilmente se perceberia. E o sair depois da hora tem a ver com a actividade, o que pode ou não ficar para o dia seguinte, com certeza que a partir de determinado tempo tem de ser pago como suplementar, ou folga/férias. Cumprir o horário é entrar e sair a horas, e a saída é exigente conforme os transportes, escola dos filhos, etc. Haverá sempre problemas no cumprimento da legislação laboral tanto do empregado como do patrão e ambos têm razão.
Tanto quanto sei, na empresa á qual me refiro, quem tem exigências familiares a cumprir, sai à sua hora. Quem pode ficar mais 10 ou 20 minutos é ressarcido desse tempo extra. Não existe banco de horas, é tudo feito como manda o figurino, mas raramente se lembram na hora de sair que entraram, por exemplo, 30 ou 45 minutos mais tarde, sem aviso prévio. Se se ralha trabalham mal e sempre indispostos, sempre a conspirar pelos cantos. Se não se ralha, nos dias seguintes continuam a não cumprir horário. Quem critica nunca foi patrão, director ou chefe de um serviço que no fim do dia nos deixa exauridos.
Mas é o que é o estado a que isto chegou. O bom mesmo era receber o ordenado sem trabalhar. O descontentamento faz parte da natureza humana e a maledicência também.
Tempos houve, e continua a haver com a lei existente, quem chegasse 30 minutos atrasado só pegava no segundo período e mais de trinta perdia o dia.
Não sei qual o serviço destinado que não pode ser interrompido para o dia seguinte, então tem de ser programado por forma a começar/acabar dentro do horário. Todos os empregados do comércio/hotelaria sabem que nunca saem dentro do seu horário de trabalho, se não houver horário por turnos.
Repare-se no atendimento no Estado, e não só, ser um determinado número de atendimentos, para os Serviços e os empregados cumprirem os horários de saída.
Da para ver que o eu reporta-se ao que lê sobre as leis do trabalho e não faz a mínima ideia do que efectivamente acontece. Dou-lhe um exemplo exacto: tem 17 turnos/ dia para funcionar. Abre a casa com 8 empregados numa secção chave , uma hora depois abrem mais 5 e passadas 2 horas da abertura os últimos 4.
Às 6:30h recebe msg que o funcionário A está indisposto e não virá trabalhar. Plano B, abre com menos um e procura refazer a escala SEM MEXER EM HORÁRIOS para que o segundo período funcione bem. Às 7h toca o telefone, outra baixa. E vai continuando. Dias há em que faltavam 9 ou 10, quase todos devidamente encartados com a espectacular auto-baixa ou declaração do médico do seguro, que a empresa lhes paga e que lhes justifica 3 dias. Muitos limitam-se não aparecer sem das explicações. Dias há em que os planos de escala chegam a meio do abecedário. Sabe que a lei não permite que se “incomode” um funcionário durante o seu período de descanso? Sei lá quantas vezes entrei em incumprimento no que diz respeito a essa questão. Nem sempre obtive resultados positivos.
“Tu nunca te decepcionas quando não esperas nada de alguém.” É um lema de vida. Ter de afivelar a cara afável das desculpas que não deveria de dar para explicar algo que não tem explicação é diaria e emocionalmente corrosivo.
“Todos os empregados do comércio/hotelaria sabem que nunca saem dentro do seu horário de trabalho, se não houver horário por turnos”. É uma falácia. Completamente. Sabem é que a porta encerra às 21h, por exemplo, às 21h têm o DIREITO de sair do posto de trabalho. Também sabem que se aumentam ” um minuto” de cada vez para fumar 10 cigarros por dia, teriam o DEVER de compensar esse tempo, mas isso é perseguição aos fumadores, que têm todo o direito de fumar, apesar de no regulamento interno estar escrito que o podem fazer 2 vezes, a compulsão obriga-os ao abuso.
As legislações protegem todo o tipo de incumprimentos, os sindicatos que procuram sempre mais afiliados, ajudam-nos a movimentar-se nos meandros da lei, naquelas zonas cinzentas que os lorpas ensinam aos novatos, para, como dizia a minha bisavó ” lorpa só, ladrão só” (substituindo lorpa, claro) e assim haver muitos lorpas. É como a àrvore no meio da floresta.
A grande falta de pessoal para trabalhar é uma realidade monstruosa. Todos os dias há entrevistas. Todos os meses entra gente nova. Acompanhei todos os primeiros dias para ajudar à integração. Poucos vêm para ficar. Cumprir horários de ENTRADA é quase sempre a grande condicionante. A flexibilidade é pouca e eles sabem, está patente no contrato que assinam, mas que se lixe.
Não conheço essa realidade.
Com entrada ao serviço às 6,30 h deve ser serviços de limpeza com vários turnos de funcionamento.
Para começar às 6,30 provavelmente levantam-se muito cedo, o que dá para empregados muito especiais e que não tenham responsabilidades familiares, se não chovem as desculpas de não chagar a horas.
Se observarmos os transportes públicos às 6,30 da manhã, os que já começaram a laborar, estão cheios de gente quase toda estrangeira, africanos, asiáticos, brasileiros que serão esses que arranjarão desculpas para não chegar a horas ou faltar.
Será assim tão estranho que o chefe de serviço entre ANTES dos demais funcionários para rever as agendas e escalas diárias? Não estou a falar da função pública, caro anónimo, mas de gente a sério que encara o seu trabalho com o respeito que todos deviam ter pelo que fazem.
Curiosamente os não portugueses são muito mais cumpridores, talvez porque vêm de onde a exploração é uma realidade e querem segurar um bom emprego da melhor maneira possível.
Que comentário mais reles. Desfazer dos que fazem pela vida, que estão longe das famílias a ganhar o seu sustento e que para isso terão de se deslocar de transportes públicos.
Pois não conhece esta realidade, não. Quem sabe, nem a realidade de trabalhar a sério.
Quote
“Não perguntes o que teu país pode fazer por ti. Pergunta o que tu podes fazer pelo teu país”, é uma falácia.
Unquote
De facto…- Que posso eu fazer pelo colectivo se o colectivo se esquece de mim e tantos outros como eu!???
Se se refere ao (des)Governo, está certíssimo. Todos temos de fazer a nossa parte. Eu faço a minha, eles só têm de fazer o que lhes compete, mas apenas usam o princípio fundamental do ilusionismo: a mão ser mais rápida do que o olho…
«- nada na mão; nada na manga
Na manga há sempre trunfos para serem jogados nos momentos propícios. Na mão é que não há nada, apenas um vazio que parece não ter fim.