Lápis L-Azuli


Maria Dulce Fernandes,

Jane.jpeg

Hoje lemos: Jane Austen “Orgulho e Preconceito”.

Passagem a L-Azular: “Uma mulher deve ter um vasto conhecimento de música, canto, desenho, dança e das línguas modernas para merecer a palavra; e, além de tudo isso, deve possuir um certo quê no seu semblante e modo de caminhar, no tom de sua voz, na sua maneira de falar e nas suas expressões ou a palavra será apenas meio merecimento.”

Muito engraçado como as coisas eram… os misóginos saudosistas do avental e da colher de pau devem deliciar-se com esta leitura, com a posição da mulher nessa época, um mero objecto de decoração, de cabeça vazia e cara alegre só se podendo manifestar verbalmente se dona fosse de certos atributos de conduta e – um “e” enorme este – se o esposo autorizasse! Os esposos daqueles tempos! Uns meros trogloditas ignorantes com berço e dinheiro é que detinham o domínio do casal, e portanto eram quem detinha o poder! 

Felizmente os tempos mudaram e as mulheres, por serem donas de uma inteligência  ímpar e de um multitasking fora de série, conseguiram uma audaciosa e valorosa volta de 180°, porque afinal querer é poder, mas o poder, o poder a sério já ninguém detém,  nesta triste época em que nada se pode e só alguns podem.

(Imagem Google) 

24 comentários em “Lápis L-Azuli”

  1. Verdade verdadinha. O mundo mudou muito, a ponto de um homem ter ganho este ano a Miss Portugal. O mundo ainda é dos homens, eh eh eh.

    1. pois mudou , há uns anos um homem que se julgasse napoleão era internado , hoje , tendo os mesmos mecanismos por detrás da mania que é mulher ,é coroado

  2. em 2023
    «Narges Mohammadi, vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2023, entregue nesta sexta-feira (6), é uma ativista que passou a vida a fazer campanha pelos direitos humanos no Irã. Ela é apenas a 19ª mulher a ganhar o Prêmio Nobel da Paz em mais de 120 anos de existência do prêmio.
    Mohammadi foi prisioneira durante a maior parte das últimas duas décadas. Ela foi condenada repetidamente pela sua campanha incansável contra a pena de morte e o confinamento solitário — que teve de suportar durante semanas.»
    lenço ou burca?

  3. Jane Austen, uma grande escritora que nos introduz na vida social de inícios do século XIX. As convenções socias eram um verdadeiro colete de forças, a “política de casamentos” tipo jogo de xadrez. É ler, espantarmo-nos… e aprender!

    Mas Jane Austen acreditava no amor, sobrepunha-o a muitas convenções sociais. Por isso, os seus livros têm finais felizes, ao jeito dos romances “cor-de-rosa”. Porém, não nos iludamos. Ela era uma observadora e analisadora incrível. E como nos fazem bem, esses finais…

    Felizmente os tempos mudaram, sim, Maria Dulce.
    Beijinho.

  4. Hoje foi mázinha. Essa leitura, se não erro, foi veiculada por mr. Collins, o primo clérigo, cujas ideias eram já repudiadas por Jane e Elizabeth que, aliás, o gozavam. Não nego que essas ideias ainda existissem mas eram já antiquadas e activamente contestadas contestadas pela parte evoluída da sociedade o que, lembro, incluía o chefe de família, mr. Bennett.
    Mais me impressionaria ser o primo o herdeiro, pois as mulheres não herdavam propriedade vinculada. Jane Austen não explica – ou eu não percebi – como é que um Collins é herdeiro de um Bennett já que os ingleses tinham um sistema agnático rígido. Um lord podia ter 5 filhas todas bem casadas na sociedade mas o herdeiro podia ser um primo em 10º grau filho de um deportado para a Austrália.
    Nós portugueses, sempre fomos menos rígidos. Os homens preferiam às mulheres, mas, na ausência de filhos homens, o título transmitia-se à filha mais velha e seguia na descendência desta.

    1. Do mesmo modo que, por exemplo a Isabel I só foi rainha, porque o irmão mais no o morreu. Ela foi uma extraordinária rainha e quem sabe se fosse o irmão a reinar o UK não seriam muito diferente nos dias de hoje? Os títulos que tinham valor eram apenas passados de homem para homem, enquanto houvesse uma linhagem de sangue. Coisa mais idiota. O Mr. Bennett, por exemplo, nem sequer era um bom exemplo. Era um querido, indeciso e mandrião.

  5. …e ainda se queixam…
    Eu imagino se a Eva lá no Paraíso em vez de ter trincado uma maçã tivesse trincado uma banana o que seria da humanidade agora.

          1. Pois, eu quero ver é quando se acabarem as bananas onde é que as mulheres vão buscar os flavonoides.

      1. Eu não tinha qualquer dúvida quando escrevi.
        Estranhei sendo ela autora,leitora de certo,não ter incluído a Literatura na tal lista.

        1. Creio que estava implícito numa autora de renome mundial, a paixão pela literatuta. Não seria tão apreciada pelas congéneres cuja finalidade existencial seria encontrar um bom partido e viver de evento social em evento social. Sabe, ler faz pensar e mulher que pensa nem sempre é conveniente e correcta.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *