
Ana Vidal: «Um belíssimo texto da minha talentosa amiga brasileira Gisela Campos, uma autora praticamente desconhecida em Portugal. Escolhi-o porque, tal como ela, sofro desta tristeza ancestral, inexplicável e absurdamente compatível com uma alegria aparente. Esquizofrenia, dirão alguns. Eu chamo-lhe consciência.»
Luís Menezes Leitão: «Depois de o ministro dos Negócios Estrangeiros ter “pedido diplomaticamente desculpa” a um Estado estrangeiro pela actuação do Ministério Público português, num país em que a separação de poderes é princípio constitucional, o Governo bem podia fechar para obras. Ponham cá uma comissão liquidatária da troika que faz perfeitamente o trabalho de destruir o nosso Estado. E pelo menos poupava-nos a vergonha.»
Eu: «Os parceiros menores das coligações costumam ser os mais prejudicados. Assim tem sido no Reino Unido, onde muitos liberais-democratas já se questionam se fizeram bem em coligar-se com os conservadores, e assim aconteceu na Alemanha, onde a CDU de Angela Merkel corroeu dois parceiros sucessivos: primeiro os sociais-democratas, entre 2005 e 2009, e agora os liberais. Os primeiros ainda não se recompuseram, os segundos acabam de ser riscados do mapa eleitoral. Este é um risco que Portas corre ao manter-se na coligação, sobretudo em tempo de grave crise económica e o país sob intervenção externa no plano financeiro. A sua margem de manobra é muito estreita: se move um pé para a esquerda, pode ser acusado de deslealdade a Passos Coelho; se move um pé para a direita, perde a autonomia partidária. No fim da estrada, arrisca-se a não agradar a gregos nem a troianos.»
