Lápis L-Azuli


Maria Dulce Fernandes,

aa.jpeg

Hoje lemos: G. K. Chesterton – A Inocência do Padre Brown

“Um radicalista não significa um homem que radica listas”, observou Crook, com alguma impaciência; “e um conservador não significa um homem que fabrica conservas. Tampouco, asseguro-lhe, um socialista significa um homem que deseja conviver com o limpa-chaminés. Um socialista significa um homem que quer todas as chaminés limpas e todos os limpa-chaminés.”

Passagem L-azulada. Escrita desinformativa. Esta passagem quer fazer crer que os socialistas querem tudo limpo sem sujar as mãos e sem ir ao cerne da limpeza, tomam o trabalho dos outros como deles. Deveria ler-se “radicalistas e conservadores impedem o progresso do país enquanto os socialistas trabalham arduamente para que o negro de fumo consiga mascarrar outras cores que possam eventualmente ser competitivas num futuro próximo”. Pois…

(Imagens Google)

13 comentários em “Lápis L-Azuli”

  1. « A CRUZ AZUL
    Entre o prateado da manhã e o verde cintilante do mar, a balsa atracou em Harwich e liberou um enxame de pessoas; no meio delas, o homem que devemos acompanhar não estava de modo algum evidente – nem desejava estar. Não havia nada de notável nele, exceto um leve contraste entre a alegria das roupas e a seriedade formal do rosto. O casaco leve cinza-claro, o colete branco e o chapéu de palha prateado com faixa azul-acinzentada deixavam sombrio o rosto magro, que terminava numa barba negra e curta à moda espanhola, lembrando um colarinho elisabetano. Fumava um cigarro com a seriedade de um desocupado.

  2. Dulce, estou a adorar esta série! Também gostei muito da dos Dias de…
    Tenho para mim que o Chesterton salta do além do túmulo se o tentarem normalizar. E vai ser bonito de ver.

  3. Deveria ler-se “radicalistas e conservadores impedem o progresso do país enquanto os socialistas trabalham arduamente para que o negro de fumo consiga mascarrar outras cores que possam eventualmente ser competitivas num futuro próximo”.
    Deveria ler-se onde? De quem é a citação?

  4. http://www.logoslibrary.org/chesterton/innocence/04.html

    “A radical does not mean a man who lives on radishes,” remarked Crook, with some impatience; “and a Conservative does not mean a man who preserves jam. Neither, I assure you, does a Socialist mean a man who desires a social evening with the chimney-sweep. A Socialist means a man who wants all the chimneys swept and all the chimney-sweeps paid for it.”

    “But who won’t allow you,” put in the priest in a low voice, “to own your own soot.”

      1. Pareceu-me que a tradução estava algo confusa, e de facto faltava pelo menos uma palavra no fim.

        Mas o Chesterton surpreendentemente continua a captar leitores (os que há …) enquanto Zolas e similares soçobram na obscuridade passado o seu século.

        A série de TV que transpôs o “little priest” para um calmeirão, e avançou a época para os 1950s (mesmo assim duas gerações antes do presente), e tem uns laivos politicamente correctivos, lá mantém alguma fidelidade teológica simpática.

        1. A tradução estava algo confusa porque lhe faltavam palavras e o melhor parágrafo de toda a passagem, passante.
          Eu creio que as situações criadas nos livros se tornam actuais por comparação, o que por vezes não acontece com os clássicos. O “little priest” era o saudoso Kenneth More dos anos 70, mas este, apesar de mais ” matacão” não está muito mal. A acção é menos dramática e acrescenta um factor cómico que torna a série bastante mais ligeira.
          O padre não ser fundamentalista para a época, é o mais importante nisto tudo.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *