Descontentamento


Luís Naves,

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Emerge na Europa um padrão de descontentamento que se reflecte em eleições, sondagens e protestos, como se uma comichão se apoderasse das sociedades. Em França, a maioria parlamentar que sustenta o poder é mínima e os inquéritos de opinião sugerem a possibilidade de um sismo político, caso haja novas eleições. Há outros casos recentes, incluindo a subida da direita em Espanha, o progresso dos populistas na Finlândia, Bulgária, Suécia e Holanda, as dificuldades de vários governos, incluindo em Portugal. O que estará a suceder? Não há explicações inteiramente convincentes, mas o fim das ideologias, as mudanças tecnológicas e o aumento das desigualdades económicas são os suspeitos mais prováveis. O socialismo abandonou a luta de classes e defende causas de identidade, o liberalismo criou perdedores, os movimentos populistas engolem o conservadorismo, o centro é um lugar vazio. Os partidos deixaram de escutar os eleitores. Enfim, a política está fragmentada, enquanto a opinião pública é submersa por um turbilhão de futilidades.

25 comentários em “Descontentamento”

    1. Se fosse só a inflação ?! mas não é! a nossa situação é dramática.
      Felizmente que muita gente já começa a acordar e a perceber, pese embora os meios de comunicação as entretenham com as futilidades que o autor do post refere.

      A situação a que chegámos impõe-se uma reflexão de âmbito mais alargado:

      1. a transferência progressiva da soberania para entidades supranacionais como a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial. Com a introdução do euro [em 2002], a soberania monetária foi retirada das nações que aderiram ao Tratado de Maastricht e foi transferinda para o Banco Central Europeu, que é um banco privado. Este banco decide a taxa com que financia os orçamentos nacionais, usando dinheiro que essas mesmas nações já lhe deram. Na prática, o Banco Central Europeu exige juros sobre um dinheiro que só devolve um centavo de cada vez, e apenas sob certas condições: reformas, supressão de indústrias; agricultura e pescas; cortes nos gastos públicos, imposição de leis que promovam a igualdade de gênero, direito ao aborto, doutrinação de crianças,

      2. todos os membros das ditas entidades foram ou passaram a ser servidores de grupos de alta finança ou de grandes fundos de investimento, incluindo governantes que foram nomeados por indicação daqueles poderes, e conseguiram ganhar eleições graças à manipulação de informações dos média.

      3. nos últimos dois anos, os Parlamentos foram privados de autoridade, e todos aqueles que o Fórum Econômico Mundial de Davos e outros lobbies conseguiram colocar nos altos níveis de governos e instituições internacionais começaram a legislar contra os interesses das Nações, obedecendo a ordens que lhes são dadas do alto – “dos mercados”, dizem – que na verdade é constituída por um número muito reduzido de corporações multinacionais.

      4. na verdade somos governados por um alto comando de usurários e especuladores , de que é exemplo Bill Gates que fez milionários investimentos na aquisição de milhares de hectares agrícolas, logo na véspera da emergência alimentar, ou em vacinas, pouco antes da eclosão da pandemia. George Soros, que especula sobre o flutuações de moedas e títulos do governo e junto com Hunter Biden financiou um bio-laboratório na Ucrânia; e sob a capa de ONGs com apoio das esquerdas alimenta financeiramente revoluções coloridas em vários países, nomeadamente na Ucrânia. A Hungria e a Russia enxotou esta gente, não permite ONGs ou organizações equivalentes sob a capa da liberdade … …

      5. pensar que não há relação entre os instigadores desses crimes e os que os perpetraram nos mais altos escalões dos governos nacionais, da UE e da ONU é sinal de má fé.

      6. o Covid 19 e a vacina experimental; o Certificado Digital; a cidade dos 15 minutos (há cartazes da CML espalhados por Lx a promoverem a ideia); a guerra da Ucrânia; a destruição da economia dos países da UE; o desemprego; o embuste dos migrantes que desestabilizam a economia e estruturas sociais dos países acolhedores; o domínio dos média da narrativa única; a destruição dos valores da família; a destruição dos valores e tradições culturais; a promoção da ideologia de género desde a infância; a promoção dos transgéneros, com a permissão de mudança de sexo a partir dos 15 anos sem a intervenção dos pais; a potencial legalização da pedofilia já em curso nalguns estados dos USA;

      7. os instigadores destes crimes mostram-se orgulhosamente Fórum Económico Mundial de Davos, através do seu presidente, o judeu sionista klaus schwab, com a participação dos conhecidos sr.Gates e sr.Soros; e nas reuniões da Comissão Trilateral ou do Grupo Bilderberg junto com os governantes, primeiros-ministros, diretores de jornais e emissoras de televisão, CEOs de banqueiros sociais e diretores de plataformas sociais e corporações multinacionais , banqueiros e diretores de agências de classificação, presidentes de fundações e autointitulados filantropos . Todos eles compartilham a mesma agenda.

      Os povos do mundo precisam recuperar sua soberania, que foi usurpada pela elite globalista.

      1. Eh pá! temos aqui um anónimo esquisito, que até descobriu a legalização da pedofilia em alguns estados americanos. Até parece um anónimo escondido com o nazismo de fora.
        Zé da Silva

  1. É SÓ FAZER AS CONTAS
    Para aliviar ou agravar o descontentamento, altas instâncias da vida politica poderão propor a criação de um observatório que contabilize a enchente de empregos atribuídos a familiares de governantes e adjacências à conta do orçamento.

  2. La France est l’homme malade de l’Europe. Les économistes évaluent sa perte de compétitivité. Les essayistes dissertent sur son déclin. Les diplomates et les soldats se plaignent en silence de son déclassement
    stratégique. Les psychologues s’alarment de son pessimisme. Les sondeurs mesurent son désespoir. Les belles âmes dénoncent son repli sur soi. Les jeunes diplômés s’exilent. Les étrangers les plus francophiles
    s’inquiètent de la dégradation de son école, de sa culture, de sa langue, de ses paysages, de sa cuisine même. La France fait peur ; la France se fait peur.
    le-suicide-français-eric-zemmour

  3. La Decadencia de Occidente – Bosquejo de una morfología de la historia de la Historia Universal.
    Oswald Spengler

  4. O fim das ideologias só pode significar o descuido ou o abandono de valores.
    Sem valores, qual o sentido dos partidos outro que não a organização de matilhas visando ocupar território.
    Sem valores nada obsta à submersão em futilidades, sendo que ao fútil nada mais frustra que não ter meios económicos para a elas ter acesso.
    A desigualdade económica, de resultado da operação de valores – mérito, poupança, solidariedade familiar e geracional – passa a consequência de luta entre indivíduos e matilhas.
    Muito do que vemos é essa reprodução da vida primeva, dominantes e dominados, luta de matilhas, violência como catarse.

  5. Em primeiro lugar, em Portugal,todos os partidos políticos que estiveram no poder ou que fizeram parte do governo, são POPULISTAS, porque nunca cumprem o que vem nos programas eleitorais
    Em segundo o nacionalismo e o conservadorismo estão a crescer e bem porque as pessoas estão fartinhas do que se vê.
    O futuro a curto prazo vai ser esse, restrições, regulações, combate ao globalismo e ao wokismo.

  6. O descontentamento resulta, em parte, da tomada de consciência de que há cada vez menos população europeia a criar riqueza e cada vez mais gente a chular.

  7. Atrás de tempos, tempos veem ou, como diria o outro, a vida é como os interruptores, umas vezes está para cima outras vezes está para baixo.
    Individual e coletivamente, todos o sabemos, isto funciona por ciclos, nunca está sempre bem nem sempre mal, vai alternando.
    Tal como nas famílias de sucesso financeiro a terceira geração tem tendência para espatifar o património amealhado, a Europa também é “vítima” do sucesso, do trabalho de reconstrução conseguido depois da guerra.
    É normal que as atuais gerações se entretenham com a importância dos pronomes e das sensibilidades, e não atribuam valor ao que foi feito, porque os homens, tal como a história demonstra abundantemente, só aprendem com os seus próprios erros, nunca com os dos outros.
    Os jovens de hoje, quando se lhes fala de quão preciosa é a liberdade, por exemplo, acham isso no mínimo uma conversa estranha; é normal, é como a saúde, só lhe damos verdadeiramente valor quando não a temos.
    E os populismos “têm” uma receita irresistível, como todos sabemos – soluções simples para problemas complexos, que atualmente têm que ser resumidas em três palavras, como ficou demonstrado no processo do brexit.
    E a multidão quando está descontente precisa que lhe digam que há um qualquer amanhã que canta, sempre foi assim e sempre assim será.
    Depois pagam-se as consequências, reconstrói-se tudo, e assim sucessivamente.
    Resta-nos ter a sorte de o nosso tempo por cá calhar numa altura em que os alcatruzes da nora estejam para cima, de preferência fora de água.

  8. esta é a primeira geração em que as pessoas deixaram de pensar que aos
    seus filhos lhes espera uma vida melhor

  9. Estou a gostar de ler estes ultimos post do autor.
    Quanto a este post o que tenho dizer é que padrão de descontamento não é de agora, já vem detrás e começou com a crise de 2007/2008 e irá continuar em todos os países da Europa.

  10. Uma das causas é simples: Mentiras do jornalismo de inspiração neo-marxista e o seu objectivo de destruição da sociedade liberal.
    Mentiras que por esconderem problemas que vão contra a dita ideologia criam bolhas. Depois rebentam.

    Um exemplo está aqui nesta expressão usada pelo autor : “movimentos populistas”
    Esta expressão quer dizer: ” tudo o que o povo apoia e eu concordo é democrático, tudo o que o povo apoia e eu não concordo é populista.”
    Se não fosse a mentira também um regime que leva a 130% de dívida do PIB em tempos de milionárias ajudas Europeias seria considerado Populista…sim o PS é um partido populista segundo a mesma bitola que é aplicada ao Chega. Mas os jornalistas não a usam, porquê?
    Como corolário quem usa esta expressão está a assinalar a sua não pertença ao povo e a sua pertença ao poder. O jornalista hoje mudou de classe social sem tal ser notícia. É o padre de uma ordem religiosa que serve a ultima religião oficial do Ocidente : A Política.
    São os jornalistas que nos telejornais que nos dizem o que é pecado e o que não é. Ver o telejornal é a nova ida missa, de uma nova Biblia.
    Naturalmente o jornalista como catalizador da política cria cada vez mais politica nas nossas vidas, um excelente exemplo desta catalização são as promessas feitas pelos jornalistas de que a política até consegue controlar o clima…
    Resultado aumentam as expectativas de que a Nova Religião tudo consegue resolver aumentando a dependência e inércia das sociedades que depois em face dos problemas mostram que o rei vai nu.

    PS: “…engolem o conservadorismo”
    O que é que os partidos conservadores conservaram?

    PS2 : então para o autor foi o “liberalismo” que fez a “desigualdade” quando temos aumentos de custos exponencias na produção por causa da “regulação” e “ambientalismo” …aumentando significativamente a pegada da economia politica.

    1. Nem mais, existem aqueles chavões utilizados de forma continua e populista é uma delas.
      O facto é que quem chama os outros de populistas são os expoentes máximos do populismo, engraçado não é?

    2. Se bem percebi, os grupos Cofina, Média Capital e Impresa, que dominam esmagadoramente o mercado português, são marxistas.
      As coisas que uma pessoa pode aprender aqui…

      1. Por que motivo não podem ser marxistas? O marxismo é uma “social currency”, um discurso que é usado para obter empregos enregalias e manter o regime.

        1. Tanto quanto sei, os marxistas, ou neo-marxistas, estão confinados (por enquanto) às universidades anglo-saxónicas, e entretidos a reescrever o passado, a literatura, para ficar toda certinha segundo o que eles acham correto, a lutarem pelos pronomes, as identidades de género – em NY são 31, eu que era apenas homem agora parece que sou um homem cis, enfim, coisas fundamentais numa altura em que meio mundo vive entre a guerra, a inflação e o que fará a China.

      2. Talvez o José possa explicar porque é que o jornalistas da Cofina, Média Capital e Impresa escrevem e dizem que o Fidel Castro foi o “Líder” Cubano mas o Augusto Pinochet foi o “Ditador” Chileno. Para o jornalismo um Ditador de Esquerda não é Ditador é sempre legitimado como Líder.

        Ouviu algum protesto quando Marcelo logo depois de ser eleito pela primeira vez foi fazer uma peregrinação ao “Líder Histórico” Fidel Castro responsável por mais de 1 milhão de refugiados e dezenas de milhares destes mortos nas águas de Cuba?
        Isto dando uma das maiores bofetadas da história aos votos dos Portugueses dizendo-lhes: Vejam! deram-se ao trabalho de votar num tipo que vai beijar a mão a um tipo que tem poder pela violência sem precisar do voto…

        1. Nisso concordo consigo.
          Existe historicamente uma condescendência em relação às ditaduras de esquerda que não se verifica em relação às de direita. A esquerda tem, genericamente, uma “boa imprensa” se excetuarmos os jornais de economia que, além de ilegíveis, são todos neoliberais.
          O exemplo Hitler versus Estaline é talvez o mais claro. Talvez pelo facto de o austríaco ser o que de mais parecido apareceu ultimamente como uma representação do mal absoluto, não sei. Não tenho explicação para essa diferença de tratamento, mas não creio que possa ser pelo facto de os media, com exceções insignificantes, ter uma posição neomarxista, porque os neomarxistas, como escrevi e mantenho, se encontram todos nos campus universitários anglo saxónicos a construir um “mundo perfeito”.

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