Lápis azul é coisa de meninos


Pedro Correia,

«As redes sociais denunciaram um caderno de exercícios da Porto Editora em que as meninas são tratadas de maneira diferente dos meninos, nas cores, no imaginário e no grau de dificuldade. As redes sociais são uma espécie de amplificador de som que ninguém ousa contrariar. Nem sequer – ficámos agora a saber – o Governo, que não hesitou em abrir o mais grave precedente de que há memória no pós 25 de Abril de 1974 da censura. Em pouco mais de 24 horas, sem comparação e sem reflexão aprofundada, nem tão pouco debate, recomendou a retirada dos cadernos do mercado editorial. Como se a questão da liberdade de género se resolvesse com o regresso ao lápis azul. Eis a política da preguiça.»

Helena Teixeira da Silva, no Jornal de Notícias (27 de Agosto)

 

«Uma editora publicou um bloco de actividades em duas versões, um para meninos e outro para meninas. Foi também fortemente criticada nas redes sociais – que é um tabefe de que ninguém está livre – e a Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género com um piquinho de azul no lápis, que é coisa própria de meninos, recomendou a retirada dos livros do mercado por terem estereótipos de género. A patrulha da igualdade do governo devia saber que censurar é pior do que colocar à venda versões distintas da mesma coisa.»

Fernanda Cachão, no Correio da Manhã (29 de Agosto)

17 comentários em “Lápis azul é coisa de meninos”

  1. Bom, o exagero com os cadernos da Porto Editora chegou também aos jornalistas/fazedores de opinião. “O mais grave precedente desde o pós 25 de Abril….etc e tal….” . Mas está tudo doido ou querem tomar-me por parvo? ?!!!. Hello, OnGoing?! ….como é que issso está? O sr. Silva e o sr. Vacomdeus já foram para o xilindró? Curioso como um tema que deveria ser tratado com objetividade e num espaço temporal curto, de acordo com a “ligeireza”do assunto, se desmultiplica na Comunicação Social com vista, não a um esclarecimento, mas sim a soldo de objectivos políticos que infelizmente perfundem o jornalismo. ..depois admiram-se da malta não comprar jornais. …e exigem Ordens e o camandro. A razão do mau jornalismo é apenas uma – ausência de ética e isso não se reforma com uma “Polícia de Costumes”….a propósito aquilo na Coreia tá quentinho! Pode ser que com a radiação deixem de haver meninos e meninas….fica tudo hermafrodita

      1. Mas entendeu? A língua/idioma para mim é uma arte pela arte, que visa despoletar no observador/leitor uma qualquer reação, de preferência não a mais correcta, pois nem mesmo o artista/escritor sabe bem o que fez quando a fez

  2. Uiiiii….a Sô toura Fernanda Cachão preocupada com a censura e integridade….mas esperem…vejo que é paga pelo pasquim, especialista em matar carácteres e ataques ad hominem, em nome da liberdade e imparcialidade informativa…faz sentido.
    Aliás a haver a tão propalada Ordem dos Ardinas seria para pôr na orden esses intrujões instruídos do Correio da Manhã que pelo uso suíno que fazem da liberdade de imprensa a põe em risco – os governos em nome dos bons costumes são obrigados a intervir na ausência de um autocontrole corporativo. E bumba, nasce a censura

    1. Esse “pasquim”, como lhe chama, é o mesmo onde escreveu durante anos o actual ministro adjunto, com a tutela da Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género. O mesmo político que chamou “frígida” a uma dirigente política pertencente a outro partido.
      http://maquinaespeculativa.blogspot.pt/2013/11/sinto-me-impotente.html?showComment=1384367024917
      Notável exemplo de “cidadania” e de “igualdade de género”, como é óbvio.
      Tem tudo a ver.

  3. A obsessivo-compulsividade afecta a criatividade.

    Mas que post é este? Agora abraçou a actividade de clipping?

  4. Isto leva-me a pensar, que estamos a voltar ao salazarismo, ou seja ao tempo do SR. DR. Oliveira SALAZAR, o qual não me deixou saudades! Agora caderno pra menina e pro menino, não demora mto, os meninos só numa escola as meninas noutra, como no meu tempo! Nem podíamos brincar com os meninos! Tudo isto quer dizer que anda pr aí mtos salazaristas escondidos, que precisavam de ser abatidos!

  5. Pena que não se censurem a eles próprios porque, com uma Dívida que não pára de crescer, em vez de 124 % do PIB já vão nos 138,77 % mas, como mágicos, “olhem para esta mão, para não verem o que andamos a fazer com a outra”.

    Apesar do “agora até pagam para nos emprestar dinheiro”, como dizia o “outro”, a Dívida continua a aumentar ao segundo:

    Temos 10.287.124 Portugueses (em 2015 éramos 10.358,100 ou seja, somos cada vez menos) com uma Dívida de 223.933.630.000 €, não contando com os juros que temos de pagar anualmente de 7,524,970,535 €.

    Se ainda não perceberam que os políticos não querem saber de nós para nada e que basta raspar a capinha de verniz para mostrarem a sua verdadeira natureza, o que, um “outro”, devia ter dito seria:

    A VERDADE acaba sempre por derrotar a ideologia.

    Vivemos na ERA da Decepção, do Engano, da Fraude, da Traição e, dentro em breve, da Revelação, Desilusão e mais umas quantas coisinhas desagradáveis porque isto de, muitos, gostarem de viver na caixinha das suas suposições ou crenças, não querendo ouvir ou ver nada, supondo que a chave está na Dependência de gente que não quer, nem nunca quiz, saber do Povo para nada, senão para o usar como elevador dos seus sonhos de Riqueza ou Poder e, a Verdade será sempre Verdade, mesmo que ninguém acredite nela e, neste caso, nem sequer é uma opinião porque, ela virá ao de cima, tal como azeite na água.

    Quem quiser continuar a fingir que ainda tem algum voto na matéria, para poder mudar alguma coisa através de votos que já não contam para nada, senão para distribuir tachos e mordomias, só vai acordar quando nos “esborracharem contra a parede” porque, há muito tempo que aos cidadãos europeus puseram um “gogue”.

    Ou pensarão que a tal “entidade” internacional que fabrica dinheiro do ar, vai continuar a emprestar dinheiro eternamente e que não têm uma cartinha na manga para Dívidas Impagáveis?
    Se não pagam em dinheiro, pagam em géneros, dinheiro virtual têm eles muito, basta teclar, pois eles querem, apenas, bens Reais que possam juntar aos 3/4 que já possuem deste Planeta, a sua Agenda de sempre, nunca foi facilitar “trocas comerciais” e, cada vez, a Verdade fica mais transparente.

    Mais uma hordas de gente que nem sequer é refugiada de nenhuma guerra, nem sequer daquelas que subsidiam e, quando o caos estiver instalado… “tarde vão piar” porque, até começam a mostrar que não têm direito a cores, quanto mais a “piar”.

    Ao acabar de escrever este comentário, a Dívida já vai nos 223.934.986.000 €
    Quanto ao número de portugueses, até este momento, entre nascidos e falecidos, ao contrário da Dívida que aumenta, os portugueses vão diminuindo 10.287.094.

    Cadastro de terrenos? Pensam que a casinha que pagaram ao Banco é vossa?
    Para começar, ao pagar imposto ao Estado são meros arrendatários (nem no tempo da outra Ditadura tinham a lata de cobrar no tecto, nem impostos na comida, depois, como não temos Portos e ilhas como a Grécia, onde já têm de declarar no IRS o que têm em casa, por aqui, como sempre, devem estar à espera de um milagre.

    Nem devem ter visto a entrevista de rua, a italianos, sobre o que pensavam da construção de uma nova mesquita… onde será que eu já tinha ouvido isto?
    Quanto a palavras, aquela de vivermos num regime capitalista, seria melhor dizer que vivemos numa oligarquia de meia dúzia de Corporações mas, isto, muitos só vão ver… depois de sairem da “caixinha” onde até têm jornalistas que, para sobreviver apenas, dizem e escrevem, o que lhes mandam.
    A ilusão de Liberdade é mesmo tramada mas, por motivos variados, há sempre quem goste e até lhe convenha incentivar, de olhos postos, não no Futuro mas, num futuro tacho.

    1. Não vá alguém pensar que gogue tenha a ver com o livro de Gênesis, os livros de Ezequiel, Diabo, Apocalipse ou Alcorão “The Gogue is a piece of horse tack used for training purposes (Rédeas Gogue são usadas para o trabalho em guia e para a montaria. Elas formam um triângulo flexível feito de cordas, usado para Fins de Treinamento).

  6. Tudo isto não passa de um ultimo suspiro da silly season. Basta esperar mais uns dias e teremos o circo das autárquicas em todo o seu explendor e aí sim veremos meninas e meninos a correr por este pedaço de terra mal frequentado a vender peixe em tudo o que é comício.

  7. A Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género é um ajuntamento de rotos e fufas a viver à custa dos impostos que eu pago.

  8. Decididamente ou há gente burra ou há gente manhosa.

    Recomendar a retirada de um livro de exercícios não é proibir o livro de exercícios. Dizem para aí que continuam a ser vendidos.
    Parece que a Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género está proibida de fazer recomendações.

    Também a confusão entre livros didáticos para crianças e outras publicações é uma constante. Se a Comissão recomendasse a retirada de um romance qualquer seria abuso, mas as pessoas pensam sinceramente que nos manuais para crianças de 4 e 5 anos vale tudo?

    Se a recomendação é um disparate completo a discussão ter-se-ia resolvido rapidamente: a editora explicava quais as razões pedagógicas que a levam a fazer livros diferentes para meninas e para meninos.
    Destinam-se a crianças que andam no ensino segregado?
    Há contraindicações em as meninas resolverem o dos meninos e vice versa?
    A própria editora chamou com muita propriedade a atenção de que os livros não eram manuais, só não explicou porque é que tem standards mais baixos nos livros que não são manuais.

    Ora a única razão que foi apresentada é de que havia procura para este tipo de livros.
    Isto e uma campanha nas redes sociais a queixar-se da perseguição pelas redes sociais.

    Talvez seja só eu, mas parece-me que uma editora que em defesa do seu produto não encontra argumentos diferentes dos do maconheiro cá do bairro para o dele, não inspira muita confiança.
    Se pensarmos que quase metade dos livros de estudo das nossas crianças passam por estes senhores é mesmo preocupante.

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