
(créditos: Kirsty Wigglesworth /Getty Images)
Há pouco mais de dois anos, num pequeno texto que aqui deixei chamei-lhe “the perfect English fool“. Houve quem não gostasse do que então escrevi, mas no dia seguinte Lord Michael Heseltine, uma das mais sólidas referências do conservadorismo britânico, parlamentar desde 1966, figura de proa dos governos de Margaret Tatcher e John Major, acusava-o de ter dado origem à maior crise constitucional em tempos de paz que lhe fora dado assistir e de desbaratar as poupanças dos seus concidadãos.
Steph, com o seu traço genial, um ano depois, deu conta do modo como já via as consequências dos resultados eleitorais nas negociações para o Brexit.
Volvido este tempo, os eleitores do Partido Conservador, os ingleses e o mundo em geral assistem estupefactos à continuação do deprimente espectáculo burlesco de Boris Johnson tendo por referência o Brexit.
Na carta de demissão que remeteu a Theresa May, a cada vez mais descalça primeira-ministra britânica, o despenteado de Eton escreveu que “[w]e are now in the ludicrous position of asserting that we must accept huge amounts of precisely such EU law, without changing it an iota, because it is essential for our economic health – and when we no longer have the ability to influence these laws as they are made. In that respect we are truly headed for the status of colony – and many will struggle to see the economic or political advantages of that particular arrangement“.
Com a saída de David Davis, primeiro, e agora de Boris Johnson, é possível perceber o atoleiro em que o Reino Unido se encontra e que os custos do Brexit estão a ser incomensuravelmente superiores aos que a irresponsabilidade de tipos como Johnson e Farage prometia aos eleitores.
Se Johnson antes quis substituir o motorista do táxi que não sabia inglês, e o levava para onde não queria ir, por alguém em quem confiava e que falava a sua língua, agora que o GPS deixou de funcionar e a condutora está completamente aos papéis, a solução que encontrou foi a de abrir a porta e saltar do táxi antes deste se despenhar pela primeira ribanceira que apareça na escorregadia e sinuosa estrada a que ele, navegador, o conduziu com as suas sempre brilhantes tiradas. Como antes já fizera quando surgiu a hipótese de liderar o Partido Conservador.
Não conheço expressão inglesa equivalente, mas na minha terra chama-se a isto “dar de frosques”.
Que, por sinal, era o que normalmente fazia o palhaço que na minha infância vestia o fato de idiota no final daqueles números de circo a que assisti. Só que neste caso a tragédia é real. E há quem no final limpará as lágrimas e pagará a conta pelos disparates dele e dos amigos.

..ainda acaba a fazer “mestrado” em Science Po e aprender a lingua dos “frogs”, enquanto os compatriotas limpam a porcaria que semeou.
E para se manter o ‘scent’ da palhaçada, a BBC arranja-lhe uma ‘slot’ em ‘prime time’ como ‘comentadeiro’ a recitar ‘Grandoladas’ com modinhas de lá – ‘my best guess’ é que acabem a cantar o “Rule Britannia/Britannia rules the waves.”… Ou seja, daqui uns anos, quando o trabalho de sapa estiver feito por outros, por exemplo, por um pobre morador em Rotherhithe ou Tottenham, lá aparecem uns seus condiscípulos a alcandorar-se em Downing Street hossanando o ‘virar a página da Austeridade’, a promover umas ‘uébesumites’ e a resolver problemas de estacionamento da Madonna, que após a transferência do filho Banda para o Arsenal, se alojou em Chelsea… :-))
Jorg
Grande salada que aí vai.
Mas aposto que gostou do que escreveu.
..eu nem por isso! Se fosse no tempo da escrita em papel, acho que deitava o guardanapo com os gatafunhos para a fogueira.
Mas ainda bem que o Makiavel apreciou….
Jorg
Subscrevo inteiramente.
É pena que não tenha sido atropelado ao atravessar a Downing Street.
Há que ter esperanças.
os disparates dele e dos amigos
O disparate principal foi do povo britânico que votou no Brexit. Não tinha nada que ter votado e tinha a obrigação de se ter informado melhor. Agora só vão ter o que merecem.
É impressionante, a ignorância afinal, deste povo, que se deixa influenciar por uma pequena elite boçal, que afinal se formou nas melhores escolas inglesas e agora, inconsequentemente, quais garotos assustados, dão à sola como ratazanas em fuga, deixando a bomba para rebentar em mãos alheias.É bom que a UE não vacile com esta gente.
A politica é feita de palhaços e este é apenas mais um, mas é a plateia que lhes permite causar estragos. Neste caso a plateia foi quem votou no referendo para dar a vitória ao brexit e no dia imediatamente a seguir veio dizer que votou pela saída meio que por brincadeira, pois nunca pensava que o sim iria ganhar. Agora que vai ser preciso pagar a conta do circo, é altura de desmontar a tenda e sair de fininho.
Com certeza que este palhaço teria um futuro brilhante ao lado do incendiário do outro lado do atlântico.
Não insulte os palhaços.
Ufff! Este gajo parece o Trump, mas em pior!
Não exagere. Ao pé de Trump, Boris Johnson parece uma pessoa decente. ubs
https://www.youtube.com/watch?v=p4EAc0QF
Tresanda a “sour grapes”, eheh
Os britânicos votaram pela saída, por deixarem de responder perante tribunais europeus e voltarem a ter o controlo das suas fronteiras seja para comercio ou migrações. Cumprir estes 3 pontos estava no manifesto com que os Tories foram a eleições.
Aos 44 minutos do segundo tempo a PM decide que vai propor à UE continuar na união aduaneira, a revolta dos vencedores do referendo é natural.
Não chega ao Natal.
Neste momento uma boa parte das pessoas que votou a favor do Brexit já está arrependida. Para muitos o voto a favor do Brexit foi um voto de protesto e agora que há a possibilidade de o Reino Unido sair da União Europeia sem se saber os termos e condições, muitos não ficaram agradados com a ideia.
Se Theresa May convocou novas eleições simplesmente porque achava que ia reforçar a sua maioria, então também tem que convocar um novo referendo tendo em conta as alterações na opinião pública.
Afirmei que o Brexit nunca seria exit. E assim vai acontecer. A questão agora é Money, Money, Money. o UK não é a América de Trump. Trump sabe o que faz e para onde vai. Por vezes finge que fará mais, para poder fazer o que quer.
Trump representa o que há de pior no sistema americano. Se Putin ou Maduro tivessem as atitudes de Trump, os dirigentes europeus já tinham expressado a sua indignação há muito. Mas aos imperialistas americanos aceita-se tudo pelos vistos.