Júlio César: «Faz tão bem chorar como rir»


Pedro Correia,

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«Um verdadeiro cavalheiro nunca cospe no chão, nunca bate numa mulher, nunca é grosseiro»

 

Veterano intérprete de comédia e drama nos palcos e nas telas, Júlio César é afável no contacto com jornalistas. Mesmo quando a entrevista ocorre ao telefone, como aconteceu com esta. As respostas surgiram com fluência, tanto num registo mais sério como numa toada mais descontraída. Era isso mesmo que se pretendia.

 

Tem medo de quê?

Não tenho medo de nada – sou muito valente. Só das derrotas do Sporting…

Gostaria de viver num hotel?

Não desgostava. Pela comodidade. Pelo menos não me tocavam à campainha a todo o momento nem me enchiam a caixa do correio com publicidade.

A sua bebida preferida?

A mesma de há 40 anos: Ballantine’s, com gelo e água lisa.

Tem alguma pedra no sapato?

Tenho várias. Mas, ao longo da vida, tenho mantido a capacidade de trocar sapatos por sandálias sempre que é preciso.Assim as pedras acabam por sair.

Que número calça?

39, 40. Sou mal equilibrado…

Que livro anda a ler?

Agora ando a preparar uma série de TV. Não tenho tempo para ler livros. Só mesmo para ler guiões e decorar textos.

Tem muitos livros à cabeceira?

Neste momento tenho A Viagem do Elefante, do Saramago, e o Equador, que ainda não acabei. E um do Woody Alen. E um livro de crónicas do António Lobo Antunes. E O Banqueiro Anarquista, do Fernando Pessoa, entre outros.

A sua personagem de ficção favorita?

Gostava muito de ser o Super-Homem. Para voar.

Rir é o melhor remédio?

Não será o melhor, mas é um remédio aconselhável. Mas às vezes faz tão bem chorar como rir.

Lembra-se da última vez em que chorou?

Lembro. Foi a ver um filme em casa. Sou muito chorão no cinema.

Gosta mais de conduzir ou de ser conduzido?

Gosto mais de conduzir. Sou um péssimo pendura.

É bom transgredir os limites?

Claro. Transgredir sempre.

O seu prato favorito?

Cozido à portuguesa. É das coisas que mais me empolgam.

Qual é o pecado capital que pratica com mais frequência?

Todos. Eu, pecador, me confesso.

A sua cor preferida?

Talvez o azul. Gosto também do preto e do verde-garrafa.

Costuma cantar no duche?

Não. Tenho uma péssima voz para cantar.

E a música da sua vida?

Uma das que mais vezes me vem à cabeça é Frágil, do Jorge Palma. Gosto também muito do Bairro do Amor e outras canções dele, assim como de várias do Zeca Afonso.

Sugere alguma alteração ao hino nacional?

Não me importaria que houvesse uma alteração – não na música mas na letra. Aquela coisa de ser contra os canhões já não se usa.

Com que figura pública gostaria de jantar esta noite?

Já combinei um jantar com o Pedro Górgia.

Um verdadeiro cavalheiro nunca faz o quê?

Nunca cospe no chão, nunca bate numa mulher, nunca é grosseiro.

As aparências iludem?

As iludências aparudem.

Qual é a peça de vestuário que prefere?

Prefiro jeans. Sempre.

Qual é o seu maior sonho?

Ter férias no Alentejo, em Agosto.

E o maior pesadelo?

Não poder ter essas férias.

O que o irrita profundamente?

Irrita-me profundamente a empregada mudar-me o posto de rádio, que tenho permanentemente sintonizado na TSF. Acontece sempre às quartas e às quintas.

A melhor forma de relaxar?

Dormir.

O que faria se fosse milionário?

Não faria nada que não faço já.

Uma mulher bonita?

Fernanda Serrano.

Acredita no paraíso?

Não acredito em paraísos. Nem na Terra.

Tem um lema?

O meu lema é ser feliz e deixar que os outros sejam felizes também.

 

Entrevista publicada no Diário de Notícias (14 de Março de 2009)

9 comentários em “Júlio César: «Faz tão bem chorar como rir»”

    1. Um actor muito talentoso, muito versátil, infelizmente bastante subvalorizado – não junto do público mas de certa “crítica”. Só porque nunca teve paciência para assumir pose pseudo-intelectual a armar ao pingarelho, como é norma cá na terra para garantir ingresso na Academia do Elogio Mútuo.

  1. Pessoa que sempre me foi simpática e tem ar muito dinâmico. Do pouco que vi, aprecio-o como actor.Mas parece que é outras coisas que não sei avaliar.

  2. Neste caso as iludências não aparudem: parece boa pessoa e é mesmo (palavra de uma amiga que trabalhou com ele antes de ser famoso).
    Excelente actor, simpático, bom gosto literário e musical, gostei muito de ler esta entrevista.
    🌿🌼
    Maria

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