
Muitos resmungam ou indignam-se com a campanha contra as estátuas e monumentos, devido à sua mácula colonial ou pré-colonial. Espantam-se também com a censura de uma empresa televisiva ao “E Tudo o Vento Levou”. Estão enganados. Todas as gerações que foram actuantes fizeram uma avaliação do seu legado cultural e seleccionaram aquilo que deve ser preservado e retransmitido às novas gerações, construindo mundivisões consideradas adequadas. Chama-se a isso educação.
Entretanto, reli há dias este livrinho, afamado, do poeta francês Charles Baudelaire, um oitocentista ainda algo lembrado. O que ele diz das mulheres é totalmente inaceitável, propagandeando a sua inferioridade, naturalizando-as. Exemplo de discriminação negativa, pura e simplesmente.
Urge expurgá-lo, ao poeta, dessa educação. Cercear o acesso à sua obra. Reservá-la, porventura, apenas aos estudiosos dos processos opressivos.
E há, decerto, mais exemplos. Deitemos “mãos às obras”.

Faça – se o mesmo com Nietzsche, Bukowski, Sade, Lautreamont, Wagner…
Celine…
Estão enganados.
Concordo. Cada geração ergue algumas estátuas. E, tal como ergue algumas, tem o direito de derrubar outras. É tão natural derrubar como erguer estátuas.
Mas está a falar a sério? Então vamos ser coerentes e mandar abaixo a Ponte 25 de abril, que foi erigida por Salazar, com dinheiro das ex-colónias.
Vamos mandar abaixo o Mosteiro dos Jerónimos, cuja mão de obra escrava esteve presente.
Vamos lá destruir obras de arte só porque hoje não as aceitamos, pois não vão de encontro às nossas ideologias.
Vamos lá ser incapazes de admirar um objeto, seja uma estátua, uma pintura, um livro, como uma peça de arte que é e que muitas será insubstituível.
Vamos riscar dos livros de História, que servem de manuais escolares, os Descobrimentos, a Colonização, a II Grande Guerra.
Vamos lá lutar pela iliteracia dos nossos filhos.
Vamos lá formatar as futuras gerações de acordo com os nossos padrões.
Vamos lá continuar a permitir estas atitudes, incentivá-las, apoiá-las, como se estes iluminados fossem os verdadeiros donos da verdade e fossem os reais embaixadores dos valores éticos e morais.
E vimos hoje a verdadeira ignorância bruta desta gente, que vandalizou a estátua do Padre António Vieira, apenas porque lá viram 3 pretinhos junto do homem, interpretando de imediato que foi um dos impulsionadores da escravatura.
Sem sequer procurarem saber quem foi e o que fez o Padre António Vieira, que já na sua época, contra todas as mentalidades, sempre se opôs à escravatura.
Pasme-se quando um partido político, quiça o maior impulsionador destes actos covardes, se remete ao silêncio. Pois quem cala consente.
Um partido politico e uma desterrada.
Pequenos reparos.
Salazar não era engenheiro para fazer pontes. A ponte foi feita por engenheiros americanos, de cá foi apenas o cimento, pedra e mão d’obra, como ‘pagamento’ da utilização da base das Lajes. Fez lembrar o empréstimo dos ingleses para a construção do caminho de ferro nos fins de 1800, que depois ficaram a explorar até aos anos de 1950.
E quanto ao Padre António Vieira, ele foi um acérrimo defensor dos índios brasileiros serem utilizados como escravos por também serem filhos de Deus, já mas o mesmo não se pode dizer em relação aos escravos africanos. Depois, ou agora dizemos que era assim naquela época os africanos eram selvagens e podiam ser tratados como escravos.
Pequenos reparos.
O engenheiro também não faz pontes, desenha-as.
Mas percebeu onde eu quis chegar, certo?
Não vale a pena ser picuinhas com pormenores técnicos.
Tenho uma sugestão para si. Que tal iniciar uma petição pública para substituir as estátuas e outras obras?
Começamos pelo impulsionador dos descobrimentos, essa terrível época que conspurca a história de Portugal. Vamos substituir a estátua do Infante D. Henrique,
no Porto, pela estátua da Joacine Katar Moreira, essa sim, a grande descobridora, ao fim destes anos todos, descobriu que Portugal é um país racista.
Depois passamos para a substituição da estátua do actor e encenador Taborda, em Abrantes. Um artista que preferia pintar-se de preto, do que contratar um actor negro. Este sai e vamos lá botar uma estátua do grande Ricardo Araújo Pereira, o verdadeiro proletário, pobre, defensor dos oprimidos. O verdadeiro artista.
Agora Amália. Nem pensar. Uma artista protegida por Salazar? Jamais. Já foi e vamos lá colocar a estátua do grande, eloquente… e bonito… Agir. Uma personalidade de grande estatuto, que vem reprovar o colonialismo português, mas traz tatuado no braço, o símbolo dos descobrimentos.
Passamos agora ao desporto. Eusébio é intocável, mas o monumento a Pavão, do FCP, nas imediações do Dragão, é para sair. Ainda por cima um jogador que, quando jovem, pertencia à Mocidade Portuguesa. Vamos substituir por quem? Ricardo Quaresma, claro está. Um verdadeiro lutador contra os opressores, na pele de polícias racistas. Mais que justa esta substituição e por um jogador já aqui apelidado no Delito, de exemplar. E campeão europeu, coisa que Pavão nunca foi.
Agora na televisão, vamos queimar todas as videocassetes dos programas do Prof. José Hermano Saraiva, inaceitável manter em arquivo os programas de um ex-ministro do antigo regime. Vamos substituir pelas palestras, extremamente neutras, de Fernando Rosas. Ainda pensei noutro historiador, tipo Rui Tavares, mas como esse anda desaparecido em combate e o Rosas ainda nos graça com as suas teorias (neutras obviamente) optei pelo Rosas.
Entretanto os navegadores. Vasco da Gama? Já foi. Ciao e adeus. Vamos lá substituir a sua estátua em Sines, pela de Camilo Mortágua, pai das gémeas Mortágua. Esse sim, foi o único que fez algo de verdadeiramente correto dentro de um barco. E tudo em nome da liberdade, não de dinheiro. Não senhor.
E agora para terminar, vamos lá cortar pela base a estátua de Camilo Castelo Branco, no Porto e colocar lá a de outro Castelo Branco, mas do José. O primeiro é Castelo, flagrante alusão à tirania e às cruzadas, e Branco, que horror. Já o segundo, tendo nascido em Moçambique, filho de pai indiano e mãe moçambicana, não há problema nenhum.
Ainda por cima é andrógino, logo está resolvido.
Aceitam-se sugestões.
Para o Prof.
Já estive em plena guerra acesa de palavras consigo.
Mas hoje concordo consigo e só tenho a dizer isto:
Parabéns pela sua análise!!!
Excelente
João Sousa
Nós não tivemos uma guerra. Nós tivemos uma batalha. E mais virão. E sempre que vierem, vão – nos enriquecer um pouco mais.
Nas guerras convencionais ganha-se ou perde-se.
Nas guerras de palavras, ganha-se ou ganha-se.

Digno de um professor, esta sua pérola que ficou sem resposta, tal a eficácia dos argumentos.
Confesso que me faz imensa confusão a incapacidade actual de diferenciar o nível intelectual, humano, ético ou moral do indivíduo do Sec. XXI, com a do indivíduo do Sec. XVI, XVIII ou XIX.
Questiono quem será mais incapaz, aquele que pouco acesso teve à educação, que cresceu manietado e limitado no acesso ao conhecimento, ou aquele que a tudo tem acesso, que tem incontáveis fontes de informação e que tem ao seu dispor uma panóplia enorme de informação.
Questiono a diferença entre o homem do renascimento, que por exemplo efectuava a queima de livros, por estes irem contra a ideologia reinante, fundamentalmente religiosa, como aconteceu em Granada, mesmo aqui ao lado, em 1499 e onde foram queimados mais de 5000 livros e manuscritos, na sua maioria árabes e que se tornaram insubstituíveis; em contraposição com o homem actual, que em vez de estar grato pelo conhecimento que lhe é disponibilizado, prefere destruir património histórico, como se tal acto corrigisse o passado.
Vi com espanto o Presidente da Câmara de Londres assumir que as estátuas destruídas não serão recolocadas no seu lugar. Não serão reconstruídas e serão substituídas por outras mais de acordo com os ideais actuais.
Imaginemos no nosso país, mais concretamente na cidade do Porto, o edil da invicta aceitar a destruição da estátua do Infante D. Henrique, ou até alterar o nome da Praça do Infante.
É que caso isto pegue moda no nosso Portugal, esta será uma estátua que terá os dias contados, pois foi sob a supervisão do Infante, que se deu a primeira partilha de escravos documentada no nosso país, ocorrida em Lagos no Algarve, nos idos de 1444.
O mesmo poderá acontecer em Lisboa com a estátua de Fernando Pessoa, que tem sido alvo de acusações de racismo por parte de uma facção da sociedade angolana, que o acusa de ser um escravopata racista, que terá justificado a escravatura e diminuído o africano como ser inferior.
Isto não assusta?
Não estaremos nós a contribuir para a limitação de conhecimentos das gerações futuras?
Será que é com o silencio e ignorando o passado que construímos um futuro melhor?
Como poderemos formar as crianças para o bem, ou para melhor, se não lhes permitimos ter conhecimento sobre o pior? Como ter um termo de comparação?
Como o autor descreveu, teremos de riscar da história todo e qualquer autor, pintor, escultor, poeta, nascido e vivido antes do sec. XXI, pois todos teriam comportamentos racistas, xenófobos, machistas e misóginos. E teriam porque era uma ideia social, era o senso comum da época.
Li nestes dias artigos que defendem que Machado de Assis e principalmente Eça de Queirós, diminuíam a mulher e sempre escreveram de um ponto de vista machista. Chega-se ao cúmulo de aconselharem as mulheres de hoje e evitarem ler as obras de Eça… que incitamento à ignorância, diria eu.
Ora o homem evoluiu, tornou-se melhor, com melhores ideais e uma dessas evoluções deveria ser a capacidade de interpretar as épocas, mediante as próprias épocas e o status quo vigente.
Estas atitudes que temos visto actualmente, mais não são do que ignorância, fracos valores intelectuais e humanos, apesar de tentarem fazer crer que são precisamente o contrário.
destruir património histórico, como se tal acto corrigisse o passado
Mas ainda há não muitos anos foram destruídas estátuas de Lenine, Estaline, e Sadam Hussein. Essas estátuas (e esses governantes) não eram património histórico? Porque é que ninguém protestou contra a destruição das estátuas desses senhores, e agora protesta contra a destruição das estátuas de outros?
Está-ma a parecer que o problema é, ao fim e ao cabo, somente que as pessoas que agora protestam apenas o fazem, no fundo, porque gostam das estátuas que foram destruídas e de quem elas representavam.
contextos muito diferentes
Desculpe-me, mas o senhor não sabe se eu sou a favor ou contra, a destruição dessas estátuas.
É de extrema imbecilidade não conseguir avaliar o distanciamento temporal entre uma figura que viveu à 500 anos atrás e uma figura que viveu à 20.
Se em 1520 destruissem uma estátua de alguém que viveu em 1500, teria algum sentido, agora destruirem uma estátua de alguém que viveu à 500 anos é de uma cretinice abjecta.
Essas estátuas que mencionou representavam figuras que tinham prejudicado a vida de milhões, ainda vivos e que com toda a legitimidade, viram ali o seu grito de revolta, a libertação das suas amarras.
destruirem uma estátua de alguém que viveu à 500 anos é de uma cretinice abjecta
Igualmente cretino é erigir uma estátua de alguém que viveu há 500 anos.
Faz algum sentido erigir uma estátua a alguém que não fez nada de bom pelos atualmente vivos?
Estamos no meio de cretinos. Os primeiros cretinos são os que constroem estátuas a tipos que viveram há 500 anos. E os segundos cretinos, são os que as destroem.
Mas, ao menos, os segundos cretinos sempre têm a virtude de apagarem a cretinice feita pelos primeiros cretinos…
Espanta-me nunca terem pensado em mandar o Coliseu de Roma abaixo.
Entre cristãos mortos e animais dizimados (onde andam o PAN e a WWF), não há qualquer razão para aquele monumento à barbárie ainda estar de pé.
Não se deve misturar o cercear a obra de alguém com o erguer-lhe uma estátua.
Erguer uma estátua a alguém é homenageá-lo. Destruir uma imagem de alguém é rejeitar esse alguém. Mas rejeitar uma pessoa, não implica que se lhe cerceie o acesso à obra.
Os razoavelmente incultos, e intocáveis, flocos de neve não vão perceber o sarcasmo. Com interpretações à letra brevemente vão impor a queima da “Formiga e da cigarra”, obviamente um gritante exemplo de racismo e da luta de classes.
Acho que um escritor deve ter o direito de escrever sobre o que quiser, assim como os leitores de ler ou não ler.
Em Portugal existe escravatura sexual feita por máfias, mas praticamente ninguém se interessa sobre isso e aqui sim é uma autêntica imoralidade.
Deitemos mãos à obra e, depois de algumas “noites de cristal” do outro do Atlântico, proceda-se à queima de livros e outras obras artísticas.
Não o fizeram os nacional-socialistas alemães, os nazis? Não o fizeram também os chineses durante a revolução dita cultural, ocorrida nos anos 60? Não o terão feito os bolcheviques, na sequência da revolução de Outubro? Porque havemos de ser agora diferentes, quando na realidade nunca o fomos?
E como nunca o fomos, justifica-se que a UNESCO condene todos os atentados contra o património cultural da Humanidade, nomeadamente a demolição de estátuas de Buda levada a cabo pelos talibãs, mas não tenha ainda vindo condenar os atentados mais recentes contra esse mesmo património.
Dois pesos e duas medidas? Ironia? Ambos, expressos num comentário clarividente a propósito da “zona autómona de Capitol Hill”, em Seattle, também conhecida como Chaz:
«This is hilarious… Right away, they built a wall, set up a strict immigration policy requiring ID, 6 hours in their leader is kicked out for “sexual harassment”, they’re out of food because the “homeless” people ate it all, their big bad General told all the people to arm themselves as much as possible hahahaha… and they’re still clueless…»
Sugiro que se apague da internet tudo o que estiver assinado « jpt » porque já está fora de moda histórica.
Não tem nenhuma fotografia no supermercado em cuecas.
‘E Tudo o Vento Levou’ ganhou quase todos os Orcars do melhor filme daquele ano, incluindo o Oscar da melhor actriz secundária que foi o da criada negra. Pois coitada da actriz na entrega dos Oscars não pode fazer o discurso na entrega e durante a cerimónia esteve obrigada a ficar bem longe do público. Pois era assim naquele tempo e prontos.