Os pais bebiam um vinho tinto que não a fazia morrer de inveja. A adolescente mantinha-se na água. Se fosse vinho branco, talvez sofresse de uma qualquer tentação, talvez até pedisse para provar. Não, não faria isso. Água é bom. É saudável. Enumerou mentalmente os shots bebidos na festa de sábado. Pensou na figura triste na casa de banho. Na forma disfarçada como a melhor amiga a tinha deixado em casa, sem alarmes paternos, sem sermões. Tudo tranquilo. A melhor amiga dissera:
A Joana comeu qualquer coisa estragada. Eu também estou mal disposta. Tivemos azar.
Lembrou-se do gosto a mentol das pastilhas para chupar. O álcool não resiste ao mentol. Ou resiste? Será que o cheiro a tequilla barata desaparece? Seja como for, a mãe limitou-se a concordar, a dizer que há muitas intoxicações alimentares. Joana deitou-se e dormiu até tarde. Durante o fim de semana portou-se bem. Estudou para os exames. Viu um filme antigo com a mãe, ambas no sofá a fingir uma imensa tranquilidade. O pai no computador.
Agora, Joana bebe água e pensa na próxima festa de sexta-feira. Tem de deixar as misturas, vinho, cerveja, shots. Não pode voltar a cair para o lado. Concentrou-se na água. O pai, a fazer as palavras cruzadas enquanto comia a carne de porco à alentejana, perguntou:
Qual é a capital do Burundi? Vocês sabem?
Joana sentiu o cérebro diminuir e a boca abriu-se e respondeu
Bujumbura.

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