Estamos todos assim: parados e expectantes, no limiar do que aí vem.
Seria terrível que Cavaco estreasse o seu 2º mandato com um despedimento sumário e implacável do Governo.
E no entanto…
Seria merecido.
Seria coerente.
Seria misericordioso para com todos nós.
Até para com Sócrates. E esse é o único efeito colateral que me faz pensar duas vezes.
Primeiro, porque o engenheiro relativo não ganhou o direito a ser amnistiado.
Segundo, porque, conhecendo a plasticidade mental do eleitorado português, temo pelas ‘premières’ revisteiras, de pendor trágico, que o PS não tardaria a armar por esses palcos e esplanadas fora.
Sim, não faltarão sítios a jeito, em todos os persistentes café república, café central e café 25 de abril deste país, com clientela engrossada pelos milhares de reformados antecipados e outra classe de encostados inactivos que contraíram o vício de apanhar sol e sombra, sem lhe merecer o trato.
Mas também, porque é que exigimos tudo de um só homem?
Porque prega ele sozinho?
A coragem política só lhe é assacável a ele?
– O que é que está a faltar aqui?
Isto está muito longe de ser uma charada.
Mas aqui fica, à notre bonne conscience.


O que está a faltar aqui? Tomates, minha querida, tomates! Há quem prefira que Sócrates vá fazendo o trabalhinho sujo…
Uma maneira de interpretar os símbolos, sem dúvida… Tomates 😉
Mas também faltarão laranjas não transgénicas…
Sendo que há, sem dúvida, bananas a mais. E demasiada calda viscosa em torno das maçãs do poder…
É isso mesmo, Laura. Mas a manifestação de ontem dá-me algum alento quanto ao “despertar” das consciências. Veremos se elas se mantêm acordadas, ou se sucumbem a novas anestesias…
Talvez as privações acordem as pessoas…