Jingle Bells


Ana Vidal,

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Há os fanáticos do Natal, que todos os anos são os primeiros a manifestar-se.

 

Contam os dias para começar enfeitar a casa e logo a meio de Novembro, mal aparecem nas televisões os primeiros vislumbres de publicidade a brinquedos e perfumes, ninguém os detém. Trazem das lojas de chineses toda a parafernália necessária a um Natal colorido e brilhante: pais-natais trepadores de saco às costas, panos vermelhos com uma estampa do Menino para pendurar nas janelas, árvores desmontáveis de escovilhão verde, bolas de todos os tamanhos e cores, purpurinas, sprays de neve, autocolantes para os vidros, frisos, velas, luzes intermitentes, caixas mecânicas que tocam músicas de Natal em non-stop, napperons de papel brilhante, figuras de presépio, barretes com leds e bandoletes com hastes de rena, papéis de embrulho e fitas para os presentes que rodearão a árvore de Natal. Montam o presépio e a árvore com um entusiasmo de crianças, fazem bolos e pratos tradicionais para a noite da Consoada em família. Deixam-se imbuir de uma beatitude que suspende, por umas semanas, a ira e o cansaço dos dias comuns. Deslumbram-se com as ruas enfeitadas, tiram selfies com o Pai Natal de serviço. Disparam alegremente vídeos e postais de Natal em emails e mensagens nas redes sociais. Oferecem-se para acções de voluntariado, são solidários e empáticos como nunca, distribuem sorrisos e estão dispostos a perdoar o mundo. Chegam ao Natal exaustos mas felizes.

 

Há os ansiosos do Natal. Entram em stress logo aos primeiros acordes de um jingle bell, antecipando o caos: as intermináveis filas nas lojas e nos supermercados, o dinheiro extra que vão gastar, o excesso de trânsito, o crash do cartão de crédito, a correria para comprar todos os presentes, a falta de imaginação para dar presentes que não sejam iguais aos do Natal anterior, a casa por enfeitar, a pressão das crianças com listas de desejos impossíveis, a insinuação insistente de Popotas e Leopoldinas, o olhar crítico dos voluntários de associações de solidariedade perante a recusa de uma contribuição. Arrastam-se pelos centros comerciais como quem caminha para a forca. Chegam ao Natal exaustos e em estado de internamento.

 

Há os deprimidos do Natal, que se distinguem dos anteriores por uma crescente aversão a tudo o que nesta época os lembre de quem já morreu ou se afastou, de que envelheceram, de que estão sozinhos ou mal acompanhados, de que cristalizaram numa infelicidade cultivada, alimentada a anti-depressivos. Chegam ao Natal exaustos e profundamente infelizes.

 

Há os snobes do Natal, que fazem questão de afirmar publicamente a sua total indiferença, ou mesmo repulsa, por festas religiosas ou populares. Desprezam tudo o que cheire vagamente a Natal, reviram os olhos e encolhem os ombros de enfado. São impermeáveis ao espírito da quadra, gostam de mostrar-se desalinhados. Concedem, quando muito, numa árvore de Natal monocromática, de designer, de preferência integralmente preta. Chegam ao Natal devidamente enfastiados.

 

E há o Natal.

41 comentários em “Jingle Bells”

        1. Não tenho sequer a certeza de que existiu. Mas, se existiu, era judeu. E quanto a ser revolucionário, enfim, parece-me óbvio, tendo em conta uma mensagem que tem por base “amar” os inimigos, nada menos. Sobretudo num tempo em que os inimigos se matavam sem contemplações de maior.

  1. Olha, tan menita! Este Natal também vou colocar o meu lapisinho no afia; e a arvorezinha vai ficar toda resplandecente. Vai cintilar que nem estreliiiiiinhas.

      1. Boas Festas, amiguinha! Em alemão, responder-lhe-ei: Há bué sem nos see! Em matéria de sopro controlar-me-ei. Isto não quer dizer que não atire uma rabanada de vento para controlar a arvorezinha, se em desequilíbrio.

        Feliz Natal, o nosso Sol Invictus!

  2. É uma festa como outra qualquer.

    O pior: as mesmas músicas de natal, na rádio (e lojas)
    As festas de natal da empresa
    Vips portugas a apelarem à solidariedade em tudo quanto é lado
    SMS e emails automáticos de todo o lado, incluindo gajos que não nos ligam peva, a desejar festas felizes

      1. A árvore é verde. Artificial, mas verde.
        A árvore em si é-me indiferente, o único gozo foi decorá-la com a filhota.
        De resto, Natal a quem o celebra. Não tenho é paciência para hipocrisias. Como jantares de Natal cheios de selfies fofinhas, quando sei que o menu é corte e costura
        (já os Wham… Ou a Mariah… oh gaita, esqueci outro ódio natalício… os filmes!!!!! Sozinho em Casa, Música no Coração…ahhhhh)

  3. Acho que oficialmente já não se chama Natal, porque ofende o Islão e a Isabel Moreira. No Canadá havia umas moedas “Merry Christmas”, agora são “Season’s Greetings”.
    Só por curiosidade triste, na Austrália fizeram umas moedas em forma de coração a dizer “Eternal Love”, que foram um fiasco. A série foi recolhida e agora dizem “With Love”. Já ninguém se compromete com o “eternal”, nem com pais ou filhos?
    Felicidades para todos, não por ser Natal, só porque sim, todos os dias. Eu sou um pessimista irredutível – nem sou dos que vêm o copo meio-vazio, já só vejo meio copo. Vou continuar o meu penar nas filas, gastar nas compras, e ver se não me esqueço de ninguém.

  4. A Associação pela Laicidade critica a RTP por, sendo o serviço público laico, transmitir uma mensagem do cardeal patriarca de Lisboa em horário nobre, na véspera de Natal
    A dita associação é uma cambada de filhos da puta.

    1. Sin

      Em rigor essa cambada devia trabalhar nis feriados religiosos. …
      E NÃO usufruir NADA que tivesse a ver com religião católica. ..

      Faz lembrar os maçons fanáticos. jacobinos. .que andam a pedinchar cunhas para escolas católicas para os filhos. …
      Já tive várias situações dessas. ..

      Más como disse CRISTO na Cruz pedindo ao DEUS SEU PAI

      PERDOAI LHES PAI porque não sabem o que fazem

  5. É impossível ser-se indiferente e passar ao lado perante esta parafernália de consumismo a que chamam Natal. O tal JC, que dizem ter sido o verdadeiro primeiro comunista e que deu origem a isto tudo, se fosse vivo não quereria nem ver.Para mim é tão simples com isto, tento que o Dezembro não exista, porque no fundo para mim, religião, política e futebol a pata que os pôs.

    1. Singulares….

      Gostei deveras da tua atitude:

      –De devolver o subsidio de Natal… atirar com o envelope à cara do patrão, é mesmo de alentejano. Se todos fossem corajosos como tu, o Mundo estaria muito melhor…

      Boas raba nadas!
      Am

    2. Meu caro, é possível viver-se o Natal com tranquilidade apesar da parafernália consumista. Basta passar-lhe ao lado (da parafernália e não do Natal).
      Quanto a Cristo ter sido o primeiro comunista, a ser verdade isso implicaria que o comunismo tivesse sido inventado antes do cristianismo. Parece-me mais o contrário, não acha?

  6. É uma boa lista.

    In his wonderful 2008 book The Man Who Invented Christmas, Les Standiford reveals how the triumphant success of Charles Dickens’ A Christmas Carol in 1843 placed December 25 at the center of Anglo-American bourgeois life. Before A Christmas Carol, according to Standiford, “the holiday was a relatively minor affair that ranked far below Easter,”
    https://americanconsequences.com/christmas-looking-in/

    A ser verdade… e em Portugal qual a história do Natal ao longo dos tempos?

    1. Ó neu caro
      Com milhares de milhões de milhões de livros que há no mundo. ..foi buscar uma frase FAKE…

      a tradição do Natal cristão tem dois mil anos….

      Começou na clandestinidade como tudo o que é cristão para se safar das sanguinárias perseguições romanas..
      O coliseu de Roma e os textos romanos são a prova intocável dessas crueldades. ..
      A única alteração de relevo é a data….
      Só foi fixada definitivamente em 25 de dezembro uns séculos depois do nascimento de Jesus

  7. E há os fanáticos da família a quem Jesus Maria e José são indiferentes mas que sacralizam e festejam os momentos que conseguem comuns. Um outro Natal, também ele Natal.

    Boas Festas!

  8. E há os amig@s Facebookianos que nos obrigam a agradecer diariamente e repetidamente os GIFs , emojis e postais vários da época que vão publicando a torto e a direito. Não há paciência.

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