Já li o livro e vi o filme (58)


Pedro Correia,

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OS NUS E OS MORTOS (1948)

Autor: Norman Mailer

Realizador: Raoul Walsh (1958)

Um dos melhores romances sobre a II Guerra Mundial – e o melhor, de longe, sobre a guerra travada no Pacífico – supera a esforçada realização de Walsh, incapaz de ombrear com a monumental obra literária.

0 comentários em “Já li o livro e vi o filme (58)”

    1. Sim, Inês. Lembro-me que senti um murro no estômago ao ler este livro tão arrebatador e visceral. Mailer ficou de algum modo prisioneiro dele: julgo que não voltou a produzir uma obra tão intensa e memorável.

      (As capas desta dupla edição portuguesa – foi a que eu li – é que não podiam ser mais desastrosas. Por que raio, tendo nós ilustradores e artistas gráficos com tanto talento, haverá capas de livros tão más?)

      1. A minha edição é belíssima, da Ulisseia, 1958, com prefácio do Cardoso Pires.As capas deveriam honrar os textos e atrair os leitores, sim,Pedro. Por mim,há décadas que faço sermões aos ouvidos de peixe dos editores portugueses.Agora, as coisas já começam a melhorar ( “já começa a haver”- uma frase-pilar da cultura portuguesa), apesar da invasão de livros infectados por capas tenebrosamente Kitsch, supostamente “comerciais” ( e que muitas vezes não vendem nadinha…). Olive Kitteridge, por exemplo, que fui ler por causa da prodigiosa série de tv e que é um excelente livro, teve uma capa portuguesa de bradar ao Demo. Quanto ao Mailer, gosto também muitíssimo de An American Dream, e dos seus ensaios. Escreve com uma força, um ritmo, um conhecimento da natureza humana e uma liberdade poderosíssimas, não embrulha o pensamento ao gosto da clientela. É daqueles que me puxa sempre para lá dos meus limites.

        1. Sim, Inês: ao contrário do que muitos editores imaginam, não existe qualquer correspondência directa entre as supostas capas “comerciais”, feitas às três pancadas, e a venda de livros. Pelo contrário, uma capa que seja de algum modo também uma obra de arte – e lembro-me de muitas, concebidas por artistas vários, do Sebastião Rodrigues ao Lima de Freitas, do Bernardo Marques ao Armando Alves – só pode ajudar a promover, valorizar e perpetuar o livro.
          Falo por mim, enquanto leitor: capas bem concebidas – por exemplo, da Relógio d’ Água, da Cavalo de Ferro ou essas antigas da Ulisseia – contribuem para me aproximar da obra, mesmo quando ignoro o autor.
          Não conheço ‘An American Dream’. Mas já tomei nota. E hei-de chegar lá.

          1. Se não te importares de ler livros sublinhados, posso emprestar-to. Perdi a edição americana, mas encontrei há tempos uma edição de 1968 da Portugália, boa tradução de H. Silva Letra (cheira-me a pseudónimo de escritor perseguido, mas não faço ideia).

          2. Obrigado, Inês. Nada tenho contra livros sublinhados, muito pelo contrário. Também eu sublinho livros e por vezes “dialogo” com os autores.

    1. Walsh – um cineasta multifacetado – foi mais célebre pelos ‘westerns’ e fitas de ‘gangsters’ do que por filmes de guerra. Este merece nota positiva. Mas – há que reconhecer – é incapaz de ombrear com o romance de Mailer.

  1. É-me muito difícil encontrar palavras que descrevam o embate em mim provocado por este livro, quando, ainda jovem, o li, quase a tremer. Uma obra absolutamente extraordinária. Tanto mais impressionante quanto tivermos em conta que Norman Mailer tinha apenas 25 anos quando ele foi publicado.
    Um abraço
    João Paulo Palha

    1. É verdade, João Paulo. Há que apontar isso: Mailer era um jovem escritor quando concebeu e concretizou este monumento literário. Detesto a expressão “de leitura obrigatória” porque jamais dissocio a leitura do prazer que ela nos proporciona, mas se há livro sobre a guerra – qualquer guerra – que toda a gente devia ler é ‘Os Nus e os Mortos’.
      Abraço.

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