OS NUS E OS MORTOS (1948)
Autor: Norman Mailer
Realizador: Raoul Walsh (1958)
Um dos melhores romances sobre a II Guerra Mundial – e o melhor, de longe, sobre a guerra travada no Pacífico – supera a esforçada realização de Walsh, incapaz de ombrear com a monumental obra literária.

![imagem[1].jpg imagem[1].jpg](http://3.fotos.web.sapo.io/i/B02084754/19127221_Z8ihF.jpeg)
![img_202715395_1347742997_abig[1].jpg img_202715395_1347742997_abig[1].jpg](http://0.fotos.web.sapo.io/i/B2304f02b/19127222_Z1Qw2.jpeg)
![the-naked-and-the-dead-raoul-walsh-1958-034[1].jpg the-naked-and-the-dead-raoul-walsh-1958-034[1].jpg](http://1.fotos.web.sapo.io/i/B8d097115/19127223_UdJQh.jpeg)
Concordo. Como Norman Mailer não há muitos. Subestimadíssimo pela moralitezinha americana…
Sim, Inês. Lembro-me que senti um murro no estômago ao ler este livro tão arrebatador e visceral. Mailer ficou de algum modo prisioneiro dele: julgo que não voltou a produzir uma obra tão intensa e memorável.
(As capas desta dupla edição portuguesa – foi a que eu li – é que não podiam ser mais desastrosas. Por que raio, tendo nós ilustradores e artistas gráficos com tanto talento, haverá capas de livros tão más?)
A minha edição é belíssima, da Ulisseia, 1958, com prefácio do Cardoso Pires.As capas deveriam honrar os textos e atrair os leitores, sim,Pedro. Por mim,há décadas que faço sermões aos ouvidos de peixe dos editores portugueses.Agora, as coisas já começam a melhorar ( “já começa a haver”- uma frase-pilar da cultura portuguesa), apesar da invasão de livros infectados por capas tenebrosamente Kitsch, supostamente “comerciais” ( e que muitas vezes não vendem nadinha…). Olive Kitteridge, por exemplo, que fui ler por causa da prodigiosa série de tv e que é um excelente livro, teve uma capa portuguesa de bradar ao Demo. Quanto ao Mailer, gosto também muitíssimo de An American Dream, e dos seus ensaios. Escreve com uma força, um ritmo, um conhecimento da natureza humana e uma liberdade poderosíssimas, não embrulha o pensamento ao gosto da clientela. É daqueles que me puxa sempre para lá dos meus limites.
Sim, Inês: ao contrário do que muitos editores imaginam, não existe qualquer correspondência directa entre as supostas capas “comerciais”, feitas às três pancadas, e a venda de livros. Pelo contrário, uma capa que seja de algum modo também uma obra de arte – e lembro-me de muitas, concebidas por artistas vários, do Sebastião Rodrigues ao Lima de Freitas, do Bernardo Marques ao Armando Alves – só pode ajudar a promover, valorizar e perpetuar o livro.
Falo por mim, enquanto leitor: capas bem concebidas – por exemplo, da Relógio d’ Água, da Cavalo de Ferro ou essas antigas da Ulisseia – contribuem para me aproximar da obra, mesmo quando ignoro o autor.
Não conheço ‘An American Dream’. Mas já tomei nota. E hei-de chegar lá.
Se não te importares de ler livros sublinhados, posso emprestar-to. Perdi a edição americana, mas encontrei há tempos uma edição de 1968 da Portugália, boa tradução de H. Silva Letra (cheira-me a pseudónimo de escritor perseguido, mas não faço ideia).
Obrigado, Inês. Nada tenho contra livros sublinhados, muito pelo contrário. Também eu sublinho livros e por vezes “dialogo” com os autores.
Li o livro há imensos anos e não me recordo de ter visto este filme do Walsh.
🙂 Antonieta
Walsh – um cineasta multifacetado – foi mais célebre pelos ‘westerns’ e fitas de ‘gangsters’ do que por filmes de guerra. Este merece nota positiva. Mas – há que reconhecer – é incapaz de ombrear com o romance de Mailer.
É-me muito difícil encontrar palavras que descrevam o embate em mim provocado por este livro, quando, ainda jovem, o li, quase a tremer. Uma obra absolutamente extraordinária. Tanto mais impressionante quanto tivermos em conta que Norman Mailer tinha apenas 25 anos quando ele foi publicado.
Um abraço
João Paulo Palha
É verdade, João Paulo. Há que apontar isso: Mailer era um jovem escritor quando concebeu e concretizou este monumento literário. Detesto a expressão “de leitura obrigatória” porque jamais dissocio a leitura do prazer que ela nos proporciona, mas se há livro sobre a guerra – qualquer guerra – que toda a gente devia ler é ‘Os Nus e os Mortos’.
Abraço.