

E TUDO O VENTO LEVOU (1936)
Autora: Margaret Mitchell
Realizador: Victor Fleming (1939)
O romance, com mais de mil páginas, foi justamente galardoado com o Prémio Pulitzer de ficção em 1937, abrindo caminho à espectacular longa-metragem, obra-prima do cinema. Ver e ler, neste caso, não se excluem: complementam-se na perfeição. E confirmam como a verdadeira arte é gratificante em qualquer dos seus registos.

Dizem que o Clark Gable tinha um hálito horrível e que a desgraçada da Vivien Leigh passou um mau bocado de cada vez que tinham de estar ali cinco minutos a mandar um xôxo-à-Hollywood.
A partir do momento em que sabemos disto, não é possível voltar atrás: temos de optar pelo livro.


Eu demorei muitos anos a ler o livro, depois de conhecer o livro, pois não conhecia nenhuma edição que me agradasse. Só versões antigas, com traduções manhosas e nada atraentes.
Esta, cuja capa aqui mostro, é impecável. Está ainda disponível, a preços mais que tentadores.
A comunidade africana nos EUA recentemente apelidou o filme baseado nesta obra de “colonialista” e “racista”.
«A comunidade africana apelidou»?
Pensava eu que quem apelida são pessoas concretas, não «comunidades» em abstracto…
A propósito: a actriz Charlize Theron, que tem vivido e trabalhado nos EUA, também integra a tal «comunidade africana»?
apelidou o filme baseado nesta obra de “colonialista” e “racista”
so what? é para proibir? Não se pode falar nisso? Ai que medo do passado… e que medo do presente:
Já não há escravatura na América, mas ainda há escravatura em África, de africanos sobre africanos, em países de inspiração comunista. Também há escravatura no Laos e no Vietname. As pessoas que escaparam aos massacres dos líderes comunistas e aos ditadores tarados que ficaram por lá, vendem agora os seus próprios filhos para redes de trabalho e de prostituição. Há redes de escravatura sexual no Kosovo, na Bósnia e na Albânia. Vocês já se preocuparam com as escravaturas mais recentes, e que modelos sociais criaram esses problemas, ou só se preocupam em debitar sobre o final da escravatura americana no século XIX?
Boa tarde Pedro Correia
Vi este filme logo que apareceu em Portugal. Revi duas vezes ao longo do tempo.
Estou a ficar menos novo!
Santa Páscoa. Saúde.
António Cabral
Vi o filme pela primeira vez na chamada época de ‘reprise’ (como então se dizia), no Verão dos meus 19 anos, no cinema Mundial, em Lisboa. Já desaparecido, como tantos outros.
Há agora cópias restauradas da película que lhe prestam inteira homenagem, devolvendo-a ao esplendor do seu colorido original em cenas inesquecíveis, como a do incêndio de Atlanta.
Saúde, caro António Cabral. E Páscoa feliz.
Vi o filme, não li o livro. É uma excelente narrativa enquadrada na guerra civil norte-americana. Ou seja, o livro deve ser um excelente romance histórico.
Um excelente romance, Cristina. Apenas com o “defeito” (que para alguns será qualidade) de ser gigantesco, com cerca de mil páginas.
‘E Tudo o Vento Levou’ está para a Guerra da Secessão norte-americana como a ‘Guerra e Paz’ de Tolstoi está para as campanhas napoleónicas. Até na dimensão se equivalem embora a obra do genial romancista russo seja ligeiramente superior em dimensão.
Durante muitos e muitos anos, o meu filme preferido. Também li o livro sem perder o gosto pelo filme, o que é raro. Profundamente triste como todos os fins-de-época. A última vez que o vi, já não consegui superar a falta de qualidade técnica face às produções actuais mas manteve-se igual a fractura em que sempre me senti, entre a impossibilidade de validar a escravatura e a simpatia pelos “gentlemen” do Sul e antipatia pelos industriais do Norte, que fabricavam canhões e precisavam de mão-de-obra barata.
Já está no “index” do politicamente correcto e já impediram a sua exibição em 3 ou 4 retrospectivas.
Talvez pelos anos 70, contaram-me que Hattie McDaniel (Mammy) ganhou um Óscar mas ficou numa mesa lateral por ser negra e que não pôde assistir à estreia do filme por ser num teatro para brancos. Lembro-me de não ter acreditado e de ir confirmar. Foi a minha epifania do racismo. E já conhecera África.
Escrevi sobre o filme no DELITO, há vários anos. mar-ou-odiar-ou-tudo-ou-nada-11687164
Recuperei esse texto em Julho de 2020 a pretexto da morte da Olivia de Havilland, última sobrevivente do elenco de 1939.
https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/a
Vi apenas o filme. Vi várias vezes. Uma amiga disse-me que o livro é muito melhor, que os detalhes são palpáveis, mas ainda não tive coragem de pagar nele, apesar de o ter recebida de oferta de um Natal, presente da minha mãe. Havíamos de o ler as duas. Talvez por isso mesmo.
É um livro com leitura para umas semanas largas, Dulce.
Excelente romance. Recomendo. Mesmo para quem tenha visto o filme: não colidem um com o outro, de forma alguma. Pelo contrário, completam-se. Desde logo porque o romance é muito mais vasto e profundo. E a Scarlett (tão bem interpretada no cinema por Vivien Leigh) é uma das personagens femininas mais fortes que conheço em toda a ficção literária. Inesquecível.
« e tudo o socialismo levou»
2ª edição mais incorrecta e augmentada, como disse Camilo no Voo da pássara
Dom Camilo? Já vi o filme. E li o livro também.
1 – E assim começa o filme …. “Havia uma terra de Cavaleiros e Campos de Algodão chamada de Velho Sul. Aqui, nesse belo mundo, o Galanteio fez sua última aparição. Aqui, foi a última vez que se viu Cavaleiros e suas Belas Damas, Mestre e Escravo. Procure-o apenas em livros, pois não é mais do que um sonho lembrado, uma Civilização levada pelo vento.”
2 – Margaret Mitchell, sulista de Atlanta, escreveu a obra em 1936. Fez mais um conto de fadas do que algo próximo da realidade.
3 – O saudoso crítico Roger Ebert, na sua crítica, faz uma comparação interessante, ao afirmar que esse Velho Sul do filme é equiparável a Camelot, das lendas arturianas … «Brancos benevolentes e negros que, apesar de serem escravos, são retratados como felizes com sua condição, bem tratados por seus “donos” e realmente dedicados, de coração aberto, a seus amos».
4 – Essa visão floreada é necessária, especialmente hoje, para que “…E o Vento Levou” não seja literalmente odiado. A comparação com o racismo realista, do controverso O Nascimento de uma Nação, de D.W. Griffith, nesse ponto, é quase inevitável. Victor Fleming enverniza a situação de maneira a que ela se torne, digamos, suportável, mesmo pela lente da polícia do politicamente correta dos dias atuais.
5 – Mas o preconceito está lá. Mesmo à época ele foi salientado e discutido. Não se faz uma obra exaltando o Velho Sul e transformando os escravos, quase que em criados de estimação, sem que se possa deixar de fazer uma crítica às escolhas do Guião. O qual, na verdade, reflete com bastante fidelidade a visão de Margaret Mitchell.
(Esta crítica foi feita por Ritter Fan, em 26 de julho 2015. Fonte: https://www.plano.critico.com)
Já que és um troll que gosta de ler, acho que deves focar a tua atenção nos problemas actuais. E já que gostas de perorar sobre escravatura, vê por exemplo o que se passa neste país comunista:
https://laos.opendevelopmentmekong.net/t opics/human-trafficking/
O Real, a Realidade mediada pelas imagens e pelas palavras, é um objecto (sempre) com duas faces: verso/anverso, mentira/verdade, certo/errado, maus/bons, sim/não, conquistador/conquistado, predador/presa, escravo/senhor, rico/pobre, preto/branco, feio/bonito, prazer/dor, e assim sucessivamente … enquanto continuarmos a usar essas ferramentas para descrever «o que de facto é a Existência».
Só se for num mundo simples, prosaico. As imagens e as palavras não são meio para coisa nenhuma. No mundo da filosofia, o real é outra coisa. Lê Deleuze, por exemplo. Hoje em dia não dá para fazer formulações sobre o real sem ler Deleuze sobre o Fora e o Dentro. Eu uso minúsculas porque o real não é um dado absoluto, é uma forma de atenção.
Se exceptuarmos as cantilenas bárbaras dos países falhados, as dicotomias marxistas estão ultrapassadas. E é por isso que são países falhados.
1 – “Problemas actuais?” …
2 – Para esses, ao olhar para a Realidade, só vejo duas grandes Mulheres (Angela Merkel e Marie Le Pen).
3 – As únicas que foram capazes de vos dizer, alto e bom som: «O futuro é o abraço fraterno entre a Rússia e a Nato, a ponte entre a Cultura europeia e asiática».
4 – Mas vocês, homens, transformados em cowboys imaturos, ainda com a adrenalina da adolescência, disseram: “Zelensky & batalhão Azov” … “Armas, Armas, Armas”.
5 – Durante 8 anos (ver Relatórios da ONU 2015 e 2016, disponíveis em PDF) fingiram que não viam a tortura, as perseguições e os bombardeamentos que o «regime Zelensky & batalhão Azov» fazia sobre os russos, com o objetivo xenófobo e racista de os separar e segregar de uns pretensos ucranianos, puros nessa pseudo nova-raça.
6 – Em Lisboa, hoje, vivem pessoas de 83 nacionalidades diferentes. Querem que façamos como o Zelensky? São estes valores que vocês agora adoram, numa cambalhota ética e moral indesculpável?
7 – O Zelensky é o maior culpado da destruição da Ucrânia. Representa os valores do belicismo, da xenofobia, do racismo e do segracionismo.
8 – Se a liderança estivesse nessas duas mulheres que referi, nunca esta punição de Putin a Zelensky, em nome da defesa dos seus compatriotas russos, tinha acontecido.
9 – Tenham vergonha!
E perante esta crítica que fiz ao apoio a Zelensky e ao quebrar dos laços humanos que levam à destruição e morte, pergunto-me a mim próprio, se a Margaret Mitchell, antevendo as consequências do racismo na América, não terá tentado pela escrita sarar essa ferida. Um pouco como a Merkel quis fazer com a Rússia.
Você vem aqui limpar o lustro aos cascos do Putin a propósito do E Tudo o Vento Levou?
Caramba, é preciso ter topete.
Mas, “… Tudo o Vento Levou” não exatamente sobre o quebrar dos laços humanos, e à destruição, guerra e o horror que essa ruptura causa?
Sim, nos EUA da década de 1860. Guerra civil.
Diferente é quando a maior potência nuclear do globo, em pleno século XXI, invade um país vizinho com um exército incomparavelmente menor e sem arsenal atómico.
Isto não é guerra. É pior que guerra. É uma agressão bárbara, uma carnificina anunciada, uma lesão irreparável do direito internacional que lesa o mundo inteiro e põe em causa toda a ordem política a nível global.
Por decisão de um indivíduo só. Como na Alemanha hitleriana da funesta década de 1930.
Claro/Escuro … Ocidente/Resto do Mundo … Sul/Norte.
1 – Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, ontem, 13/04/2022, em Genebra (Genève/Genf), afirmou: “Toda a atenção prestada à Ucrânia é muito importante, é claro, tem impacto em todo o mundo, mas não é dada sequer uma fração dessa atenção ao Tigray, ao Afeganistão, à Síria e a todos os outros”.
2 – Porque será?
3 – Será por causa da condenação humana ao uso da «Diferença», para ser capaz de definir o Real e a Realidade? Por, sem ela, não conseguir discernir, raciocinar, e ser capaz cognitivamente de distinguir «toda e qualquer coisa no universo»?
4 – A «Diferença» — esse limite a que o cérebro e a cognição humana estão irremediavelmente condenados — será o nosso “… E Tudo o Vento Levou”?
Esquecidas foram as guerras na Tchetchénia e na Geórgia. Dessas é que pouco ou nada se fala. E os refugiados sírios, tal como os afegãos, vieram aos milhares para a Europa Ocidental.
Nem um rumou à Rússia. Para onde agora estão a ser deportados à força dezenas de milhares de ucranianos arrancados à força dos seus lares pelas bestas fardadas da maior potência nuclear do globo.
O erro maior do vosso ídolo, derrotado na batalha de Kiev, foi pensar que invadir a Ucrânia seria outro passeio no parque. Errou também ao imaginar que o bravo Zelenski seria como o grotesco Lukachenko, que reduziu a Bielorrússia a um protectorado de Moscovo. Erro básico. O líder ucraniano, garante da soberania nacional, resiste ao imperalismo russo como o avô resistiu ao imperalismo nazi e já escapou três vezes à ordem para o assassinarem que Putin deu aos capangas do sinistro grupo Wagner.
Não passarão. Mais vale morrer de pé do que viver de joelhos.
Essa da “derrota de Kiev” é que não percebo.
Mas a purga já terminou? O Putin não voltará a Kiev?
Não andam a cantar vitória antes do tempo (Acordo)?
Fugiram de Kiev como poltrões, desmontando o cerco. Com tantas baixas em cinco semanas como tiveram em dez anos de ocupação no Afeganistão.
Com o mundo inteiro a assistir. Excepto na Rússia, onde vigora a mais feroz censura desde o tempo de Estaline.
1 – O que significa «ganhar uma guerra»?
2 – Por exemplo, Timor não derrotou militarmente a Indonésia, mas atingiu os seus objetivos de independência?
3 – “Ganhar” significa «derrotar militarmente o opositor»? Ou será «atingir os objetivos iniciais»?
4 – Neste caso: Os objetivos a que o Putin se propôs na Carta escrita a todos os governos dos países da UE antes de 24/02/2022? E os objetivos a que o «regime de Zelensky&batalhãoAzov» se propôs com a guerra civil que desencadeou desde 2014?
5 – Neste caso da Ucrânia, Zelensky “ganha”, porque os seus objetivos iniciais eram separar e segregar os russos dos ucranianos, definindo um corte identitário radical com Rússia, mesmo que o custo seja a destruição das infraestuturas? Zelensky “ganha”, porque os dois povos deixam se ser “irmãos”?
6 – E Putin “ganha”, porque conseguiu defender os russos que viviam miscigenados lá, ficando com a parte do território do Donbass, e controlando os oblast do rio Dniepre para Leste, e reforçando o poder no Mar Negro?
7 – Qual é o acto que expressa a vitória numa guerra?
8 – Onde, no final, se pode constatar com objetividade quem ganhou e perdeu? No Documento de um Acordo? Ou na realidade de poder no terreno?
9 – Logo, tanto um lado como o outro podem afirmar que ganharam, depende dos seus objetivos iniciais, e no que no terreno ocorrerá em termos práticos e reais.
10 – Assim sendo, a «vitória e a derrota» será inevitavelmente uma impossibilidade absoluta. 11 – Talvez só aqui a 10 anos, ou mais, saberemos qual das duas partes ficou mais forte e autónoma, e melhor preparada para outra luta Nato/Rússia… E se o objetivo de um Mundo unipolar (com os EUA/Nato a mandarem e a serem polícias de todas as Nações como na Cruzadas) se manteve, em relação a um Mundo multipolar.
Ganhar a guerra significa precisamente o que Timor conseguiu face à Indonésia, que praticou ali a mesma politica de terra queimada praticada por Putin na Ucrânia. Com muito menor força bélica mas uma vontade indómita de derrotar o inimigo criminoso e predador, os timorenses levaram o Golias de Jacarta ao tapete.
Esse é o precedente.
Tal como aconteceu com José Ramos-Horta e Carlos Ximenes Belo, Zelenski acabará galardoado com o Nobel da Paz.
Estás completamente equivocado. A diferença é precisamente o que é real. No total —no igual— não há lugar para mais nada.