

VESTIDA PARA MATAR (1980)
Autores: Brian de Palma e Campbell Black
Realizador: Brian de Palma (1980)
Aqui o que interessa é a película – que à época escandalizou muitas almas conservadoras e hoje é rotulada de misógina e transfóbica. Na estreia não faltou quem, com manifesto exagero, a enaltecesse como «o primeiro grande filme americano dos anos 80». A novela decorre do guião, aproveitando o êxito de bilheteira. É para ver, não para ler.

É um belo filme!
Qualquer tipo de obra, hoje em dia, que não tenha determinadas quotas ou siga determinadas mensagens corre o risco de ser qualquercoisaógina, qualquercoisaista ou qualquercoisafóbica. Há quem consiga ver racismo no Pulp Fiction, misoginia nos Kill Bill e transfobia no Silêncio dos Inocentes. Ainda recentemente estive a rever alguns episódios da série britânica Coupling: os seis protagonistas, três homens e três mulheres, são brancos e heterossexuais. Vinte anos depois, alguma produtora arriscaria produzir algo semelhante sem exigir, à laia de caderno de encargos, alguma diversidade?
Dá um excelente pensamento da semana, João.
Fica o repto para a próxima semana. Nos moldes habituais.
De acordo?
Ok, Pedro. Vou fazê-lo.
As voltas que o mundo dá, agora escandaliza almas progressistas…
É verdade. Quem diria?
Tornou-se um objecto de culto junto de cinéfilos mais conservadores.E odiado por pseudo-vanguardas “de género” actuais.
Fui ler o resumo do filme só para saber se o vira. Não o vi e também não me parece que vá vê-lo.
E sobre o filme e o livro acabei por não falar.
Não é o meu preferido da sua fase hitchcockiana. Entretém-me e revejo-o com todo o prazer se tropeço nele num qualquer canal de cinema, mas não penso que o tributo prestado aos filmes giallo italianos funcione sempre bem: por vezes, parece-me estilisticamente confuso. Mas tem partes brilhantes: é impossível não exaltar a sequência do museu, por exemplo.
O livro é competente. Lê-lo não me insultou como alguns outros que andam por aí, até de autores incensados pela crítica.
Curiosidade autobiográfica: tenho toda a colecção Pêndulo. Foi uma das duas primeiras colecções de livros que comecei a comprar na minha – então ainda incipiente – adolescência. Apesar das suas muitas falhas, tenho bastante carinho por ela, quase como se fosse uma primeira namorada.
Vi muitos filmes do Brian de Palma, ainda adolescente. Foi um dos primeiros realizadores que fixei.
Tenho a sensação de que esteve várias vezes quase a produzir obras-primas. Mas faltou-lhe sempre qualquer coisa para lá chegar. Havia ali demasiado decalque, demasiado pastiche, demasiada vénia a outros cineastas que o tolhia.
Assim de repente lembro-me de Carrie, Blow Out, Vestida Para Matar, Testemunha de um Crime, O Fantasma do Paraíso, Scarface, Fúria, Obsessão, Blow Out, A Fogueira das Vaidades…
Brian de Palma (actualmente com 80 anos) sempre foi o mais fiel discípulo de Hitchcock, mas sempre colocou a sua marca em filmes como o referido, A Dália Negra (2006), Os Intocáveis (1987), Perseguido pelo Passado (1993), Irmãs (1973), Corações de Aço (1989), Blow Out (1981) e muitos outros onde Carrie (1976) é o meu preferido. Filmar contra o “mainstream” foi sempre um trunfo enorme. Não vale Oscares? “Who Cares”?
Vi esses quase todos também. ‘Os Intocáveis’, ‘Corações de Aço’, ‘Perseguido pelo Passado’.
Outros cineastas dessa época de que vi os filmes quase todos foram John Carpenter e Robert Altman – superiores, na minha opinião.
O melhor filme do Brian de Palma talvez seja mesmo esse, ‘Carrie’. Embora ‘Scarface’ se tenha tornado no mais icónico.
Carrie é brutal. Também gostei muito de Os Intocáveis.
Tive de ir pesquisar (googlar) qual era o “Perseguido pelo Passado”.
O último que vi dele no cinema foi o Femme Fatale, também se vê.
Esteve quase a fazer uma obra-prima. Mas nunca o conseguiu.
Um dos melhores cineastas da segunda divisão americana.
Filme entretido, ficou como culto mais pelas cenas icónicas (a do chuveiro, que na altura era upa, e a do museu) do que propriamente pelo filme no seu todo. A escolha da actriz principal não terá ajudado.
Saber que é um filme abominado pelas vagas indignadas desde a estreia até hoje dá vontade de o rever.