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A ANGÚSTIA DO GUARDA-REDES ANTES DO PENALTY (1970)
Autor: Peter Handke
Realizador: Wim Wenders (1972)
Wenders, em início de carreira, adaptou para cinema a novela do escritor austríaco este ano galardoado com o Nobel. Filme fiel ao livro – remotamente policial, vagamente absurdo. A alusão ao futebol só serve de chamariz.

Não li nem vi o filme. Estive com ele na mão. Não me convenceu o suficiente:). Voltei a pousá-lo.
Eu fiz ao contrário. E arrependi-me.
Peter Handke will always be Peter Handke
alex dixit 🙂
Li o livro há imensos anos e não me encantou.
Este é um dos poucos filmes do Wim Wenders que ainda não vi.
Todavia, adorei As Asas do Desejo, cujos diálogos foram escritos pelo Peter Handke.
🎄
Maria
O filme é muito datado, naquele estilo auto-indulgente que estava no cume da moda europeia no início dos anos 70 enquanto nos EUA já um Peter Bogdanovich e um George Lucas revisitavam sem complexos o cinema clássico, com ‘American Grafitti’ e ‘A Última Sessão’ (hoje já clássicos por sua vez).
Há um crime, a servir de chamariz “policial”, mas sem castigo. E jamais chegamos a compreender as possíveis motivações daquele crime. Os actores não criam a menor empatia com o espectador e a banda sonora é de fugir: do pior que já ouvi.
Bem, tal como o realizador, também o compositor (Jürgen Knieper) estava a fazer a sua estreia. E em abono da verdade diga-se que o desconforto aqui é propositado, quer pelo aspecto repetitivo/obsessivo, quer pelo tom minimalista próprio da década de 50 que o músico foi chamado a recriar.
E quanto às canções utilizadas, o filme conserva uma história bem rocambolesca: 2-0&list=PLsykL0QW2JcLU_fRqUnxWM11WcFvsSgon
https://www.youtube.com/watch?v=blu19hbT
Por acaso, li este livro recentemente, depois de Handke ganhar o Nobel e eu descobrir que o tinha em casa. Também não apreciei muito, foi escrita que não me empolgou, fria, enigmática.
Por acaso (mais uma vez), o meu marido acabou de ler “O Homem que Via Passar os Comboios”, de Georges Simenon. Contou-me um pouco do enredo e eu constatei tantas semelhanças com o livro de Handke! O de Simenon foi publicado em 1938, anterior em mais de três décadas. E pensei: um livro que não me agradou e, ainda por cima, tão pouco original, na sua ideia e na sua estrutura… Enfim.
Achei este livro uma espécie de cruzamento de um Kafka de segunda com um Camus de terceira, Cristina.
Quanto ao romance de Simenon – que precede em quatro anos ‘O Estrangeiro’, de Camus, seu parente próximo como epítome da novela existencialista – já escrevi sobre ele aqui: randes-romances-16-6596766
https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/g
Obrigada pelo link.