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BALADA DA PRAIA DOS CÃES (1982)
Autor: José Cardoso Pires
Realizador: José Fonseca e Costa (1987)
Não é o melhor livro de Cardoso Pires, mas talvez seja a melhor longa-metragem de Fonseca e Costa: um denso policial, baseado em caso verídico, com inesquecível desempenho de Raul Solnado no papel do chefe de brigada Elias Santana, da Judiciária. Se tivesse de optar entre um e outro, elegia o filme.

Lembro-me de que quando li arranjei um camaleão e lhe pus o nome de Lizardo.
Bom livro
Eheh. Gostei de saber, Dulce. Já tive vários animais, mas nunca um camaleão. Dizem-me que são bichos dóceis. E conhecem os donos.
Sim, não é o melhor livro de José Cardoso Pires, que é santo do meu santuário.
O ano de 1982 dera uma safra de bons romances, se bem que no balanço publicado pelo Diário de Notícias, João Gaspar Simões chamou-lhe “o balanço impressionista de um ano pouco impressionante” e o balanço de Maria Lúcia Lepecki, no Expresso, deixa vincado que “não são numerosos os livros absolutamente invulgares, mas muitos são francamente bons”.
Quando o prémio foi anunciado, atribuído por unanimidade do júri, José Cardoso Pires, estava sentado na plateia do Apolo 70 – saudades! -a deliciar-se com o filme de Francis Ford Copolla Do Fundo do Coração – mais saudades!
Lembro de me ter perguntado:
Que terá acontecido com o júri para que Memorial do Convento, «um livro invulgar» não fosse o escolhido, ou o Número dos Vivos de Hélia Correia, Paisagem com Mulher ao Fundo de Teolinda Gersão, O Cais das Merendas de Lídia Jorge ou Explicação dos Pássaros de António Lobo Antunes, livros que me agradaram mais do que o de Cardoso Pires.
Para mim o grande romance de Cardoso Pires é ‘O Delfim’. Um romance que começa com uma das mais simples frases de arranque da literatura portuguesa: “Cá estou.”
Apenas isto. E logo nos arrebata como cúmplices da leitura.
Já escrevi sobre ‘O Delfim’ aqui no DELITO: 00519.html
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/54
Também deu filme. Um bom filme, do Fernando Lopes.
Eu também. E gostei mais do livro. Apesar de reconhecer que Raul Solnado brilha no filme. Prefiro Alexandra Alpha. Apesar da inegável qualidade que lhe reconheço, Cardoso Pires não é um dos autores que prefiro.
Raul Solnado tem um dos papéis da sua vida neste filme do Fonseca e Costa. Direi mais: tem um dos melhores papéis masculinos de sempre do cinema português.
A (des)propósito : e no ano seguinte,83, é publicado “Para Sempre”…
Vem a propósito, sim. É um dos livros da minha vida.
E no ano seguinte surgiu ‘O Ano da Morte de Ricardo Reis’.
A década de 80 foi de boas colheitas literárias. Também foi um tempo de lançamento de talentosos escritores.