LOLITA (1955)
Autor: Vladimir Nabokov
Realizador: Stanley Kubrick (1962)
Ainda hoje seria complicado transpor para o cinema a relação entre um adulto e uma menina de 12 anos. Na altura, Nabokov foi acusado de pornografia. Hoje o romance é considerado obra-prima. O filme é bom mas não chega a tanto.

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Li o livro há imensos anos e espero relê-lo, não sei é quando…
Vi várias vezes o filme do Kubrick, aliás até o tinha gravado em VHS.
Há tempos comprei o DVD do Adrian Lyne mas só por causa do Jeremy Irons, um actor que me fascina.
Vê-se bem, mas não é a mesma coisa…
🙂 Antonieta
Por melhor que seja o filme, e o filme de Kubrick é muito bom, não atinge o nível do livro. Considero-o uma das obras-primas do romance norte-americano do século XX. Escrita por um russo, o que não deixa de ser interessante.
Mas um russo muito peculiar que viveu poucos anos na Rússia (apenas 18) e que também só viveu na América cerca de 21 anos (1940/1961).
Podemos dizer que metade da sua vida foi passada na Europa.
E que personagem fascinante ele era.
🙂 Antonieta
Sim, era um cidadão do mundo, um russo cosmopolita que no entanto não deixou de transportar a cultura natal para onde quer que fosse. Julgo que ‘Lolita’ foi o primeiro livro dele integralmente escrito em inglês – uma espécie de teste que Nabokov fez com ele próprio. Resultou, sem sombra de dúvida.
Vi os dois filmes sobre o livro quando estudante e numa sessão única, na altura não se falava ainda em pedofilia ou pelo menos o escândalo não atingira o clero e, como tal, a sociedade fechava os olhos aos casos, mas o argumento dos filmes chocou-me então e desde então tenho-me recusado a ler o livro, apesar de tantos elogios literários à obra.
Senti o mesmo preconceito durante anos, mas ainda bem que o venci. Foi um dos melhores livros que li nesta segunda década do século XXI. E agora lamento não tê-lo lido mais cedo.
Havendo para aí uma série de textos sobre o início de livros, talvez alguém devesse escrever sobre o início deste… 🙂
(Mas não eu. O trecho que me encanta mais e deixa sempre de sorriso aberto é quando Humbert vê Lolita pela primeira vez:
– Aquela era a minha Lo – disse a mulher -, e aqui estão os meus lírios.
– Sim – respondi -, sim. São lindos, lindos, lindos!)
Este é um caso em que a realidade se inspira na ficção. Lolita, com base neste romance, passou a designar as meninas que se tornam mulheres demasiado cedo. Os jogos de palavras e as mais expressivas metáforas são uma constante no livro. Nabokov domina com mestria o inglês, como se fosse sua língua-mãe.
Se fosse escrito hoje como reagiria a sociedade e isto independentemente da qualidade da obra? A literatura não deve ter barreiras. Mas seria aceite sem discussão? Deixo a questão no ar.
Sim, a literatura não deve ter barreiras. Se tivesse, baníamos obras clássicas. Sade ia à vida, Bocaccio ficava na prateleira, o Henry Miller era incinerado. E o que dizer da própria Bíblia, cheia de trechos indecorosos?
existe mais uma versão do filme com o Jeremy irons e a melanie grifith . O irons faz um bom papel
Sim, mas esse filme eu não vi. Nem consta das minhas prioridades, devo confessar.
Com um actor injustamente esquecido James Mason.
Um excelente actor britânico. Anda de facto algo esquecido.