AS AVENTURAS DE ROBIN DOS BOSQUES (1956)
Autor: Roger Lancelyn Green
Realizadores: Michael Curtiz e William Keighley (1938)
Um caso raro em que o filme precede o livro. E também um caso – menos raro – de clara vitória da película na comparação. Com um fabuloso Errol Flynn como Robin e a bela Olivia de Havilland (ainda viva, com quase cem anos!) no papel de Marian.

![BMTR27059[1].jpg BMTR27059[1].jpg](http://8.fotos.web.sapo.io/i/Be0137d93/19683712_HcOn8.jpeg)

Revi o filme, não há muito tempo, na rtp2, mas nem sei quantas versões desta história vi ao longo da vida, em filmes e séries, a preto e branco e a cores e em écrãs de todos os tamanhos.
E ainda espero ver novas versões.
Desconhecia que o livro era posterior ao filme.
🙂 Antonieta
É, de facto, um caso raro: o livro surgir depois do filme. Aconteceu noutros casos, como ‘O Terceiro Homem’, de Graham Greene, e ‘Love Story’, de Erich Segal (neste julgo que foi quase em simultâneo). Mas são muito poucos.
Convém esclarecer isto: o livro é posterior ao filme, certo; mas não existe uma dependência directa entre as duas obras, como se o livro fosse uma novelização do guião do filme.
Quer os argumentistas, quer Green foram beber à mesma fonte, as lendas referidas ao dito personagem e em circulação desde o medievo. Green apresenta-nos uma das compilações mais bem conseguidas, pela coerência interna e pela acessibilidade da linguagem (o público-alvo eram as crianças).
Filme e livro coincidem no aproveitamento de alguns contos que outros descuraram (e.g. o personagem de Marian); e é de crer que a construção do personagem de Robin feita no filme possa ter influenciado a realizada por Green; mas fora disso…
Não digo que o livro seja uma novelização do filme. A verdade é que foi escrito sob forte influência do filme, isso é inegável. Dificilmente poderia ter sido de outra forma, dado o enorme sucesso que a longa-metragem tinha alcançado um pouco por toda a parte.
Tratando-se de ‘Robin Hood’, todas as obras se interpenetram: poemas, récitas orais, filmes, romances, teatro musicado, séries televisivas, etc. Robin tornou-se um herói popular a partir do século XIX, ao figurar como personagem central em ‘Ivanhoe’, de Walter Scott. Era o típico herói do mundo liberal dessa primeira metade do século XIX, contra os tiranos absolutistas.
Eu preferiria falar de uma influência q.b.. Parece-me mais justo para com Green, a sua obra e o círculo literário em que se moveu.
Nada há de pejorativo no termo influência, neste contexto. Como na pintura, em que abundam “recriações” do mesmo tema, de pintor para pintor, e até plágios descarados (Picasso assumia-os por exemplo). Neste caso as influências são inevitáveis. E se no século XIX a intenção era criar um herói nacional, num contexto do triunfo do liberalismo contra o absolutismo, no século XX essa intenção manteve-se, mas já muito mitigada e despida de factores ideológicos. Robin dos Bosques, encarnado no rosto de Errol Flynn, tornou-se um herói das matinés – não apenas no Reino Unido, e nos EUA, mas em todo o mundo.
O próprio filme de 1938 tem fontes de inspiração notórias. Desde a versão romanceada publicada por Howard Pyle em 1883 à peça de Alfred Noyes, escrita em 1911, passando inevitavelmente pelo filme mudo de 1922 com Douglas Fairbanks como protagonista.
Não sabia que ainda estava viva. Quase centenária, mesmo!
Última grande actriz do período áureo de Hollywood: 75602.html
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/12
Já agora, o último grande actor é este: 58374.html
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/13
O livro traz-me gratas memórias de uma rede sob sombra fresquinha na quinta da Barra Cheia a comer figos. 🙂
O filme, é the real deal, o único que merece a pena e que não foi canibalizado por isto, aquilo ou aqueloutro.
Finalmente consigo abrir a página do Delito !
A sério, não sei se já alguém se queixou ou se é do calor, 🙂 🙂 mas demora a abrir.
O filme traz-me também as melhores recordações: aos 10 anos já o tinha visto duas vezes, ainda na velha RTP a preto e branco. Quando o vi pela primeira vez a cores o deslumbramento aumentou. E perdura até hoje.
Reconheço: o Delito por vezes tem abertura demorada, Dulce. Isso deve-se ao facto de conter muitos textos na página inicial: é uma opção deliberada dado o ritmo vertiginoso a que as publicações aqui se sucedem. Não queremos privar o leitor da leitura de textos que ficaram para trás. A experiência diz-me que são poucos os leitores que clicam para abrir a segunda página do blogue.
Por outro lado certas fotos têm dimensões demasiado grandes, o que também contribui para tornar o blogue tão pesado. Por mim, sempre que posso, reduzo as imagens. Mas nem sempre isso é viável.