Já li o livro e vi o filme (130)


Pedro Correia,

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 AS AVENTURAS DE ROBIN DOS BOSQUES (1956)

Autor: Roger Lancelyn Green

Realizadores: Michael Curtiz e William Keighley (1938)

Um caso raro em que o filme precede o livro. E também um caso – menos raro – de clara vitória da película na comparação. Com um fabuloso Errol Flynn como Robin e a bela Olivia de Havilland (ainda viva, com quase cem anos!) no papel de Marian.

0 comentários em “Já li o livro e vi o filme (130)”

  1. Revi o filme, não há muito tempo, na rtp2, mas nem sei quantas versões desta história vi ao longo da vida, em filmes e séries, a preto e branco e a cores e em écrãs de todos os tamanhos.
    E ainda espero ver novas versões.
    Desconhecia que o livro era posterior ao filme.
    🙂 Antonieta

    1. É, de facto, um caso raro: o livro surgir depois do filme. Aconteceu noutros casos, como ‘O Terceiro Homem’, de Graham Greene, e ‘Love Story’, de Erich Segal (neste julgo que foi quase em simultâneo). Mas são muito poucos.

      1. Convém esclarecer isto: o livro é posterior ao filme, certo; mas não existe uma dependência directa entre as duas obras, como se o livro fosse uma novelização do guião do filme.
        Quer os argumentistas, quer Green foram beber à mesma fonte, as lendas referidas ao dito personagem e em circulação desde o medievo. Green apresenta-nos uma das compilações mais bem conseguidas, pela coerência interna e pela acessibilidade da linguagem (o público-alvo eram as crianças).
        Filme e livro coincidem no aproveitamento de alguns contos que outros descuraram (e.g. o personagem de Marian); e é de crer que a construção do personagem de Robin feita no filme possa ter influenciado a realizada por Green; mas fora disso…

        1. Não digo que o livro seja uma novelização do filme. A verdade é que foi escrito sob forte influência do filme, isso é inegável. Dificilmente poderia ter sido de outra forma, dado o enorme sucesso que a longa-metragem tinha alcançado um pouco por toda a parte.
          Tratando-se de ‘Robin Hood’, todas as obras se interpenetram: poemas, récitas orais, filmes, romances, teatro musicado, séries televisivas, etc. Robin tornou-se um herói popular a partir do século XIX, ao figurar como personagem central em ‘Ivanhoe’, de Walter Scott. Era o típico herói do mundo liberal dessa primeira metade do século XIX, contra os tiranos absolutistas.

          1. Eu preferiria falar de uma influência q.b.. Parece-me mais justo para com Green, a sua obra e o círculo literário em que se moveu.

          2. Nada há de pejorativo no termo influência, neste contexto. Como na pintura, em que abundam “recriações” do mesmo tema, de pintor para pintor, e até plágios descarados (Picasso assumia-os por exemplo). Neste caso as influências são inevitáveis. E se no século XIX a intenção era criar um herói nacional, num contexto do triunfo do liberalismo contra o absolutismo, no século XX essa intenção manteve-se, mas já muito mitigada e despida de factores ideológicos. Robin dos Bosques, encarnado no rosto de Errol Flynn, tornou-se um herói das matinés – não apenas no Reino Unido, e nos EUA, mas em todo o mundo.
            O próprio filme de 1938 tem fontes de inspiração notórias. Desde a versão romanceada publicada por Howard Pyle em 1883 à peça de Alfred Noyes, escrita em 1911, passando inevitavelmente pelo filme mudo de 1922 com Douglas Fairbanks como protagonista.

  2. O livro traz-me gratas memórias de uma rede sob sombra fresquinha na quinta da Barra Cheia a comer figos. 🙂
    O filme, é the real deal, o único que merece a pena e que não foi canibalizado por isto, aquilo ou aqueloutro.
    Finalmente consigo abrir a página do Delito !
    A sério, não sei se já alguém se queixou ou se é do calor, 🙂 🙂 mas demora a abrir.

    1. O filme traz-me também as melhores recordações: aos 10 anos já o tinha visto duas vezes, ainda na velha RTP a preto e branco. Quando o vi pela primeira vez a cores o deslumbramento aumentou. E perdura até hoje.

      Reconheço: o Delito por vezes tem abertura demorada, Dulce. Isso deve-se ao facto de conter muitos textos na página inicial: é uma opção deliberada dado o ritmo vertiginoso a que as publicações aqui se sucedem. Não queremos privar o leitor da leitura de textos que ficaram para trás. A experiência diz-me que são poucos os leitores que clicam para abrir a segunda página do blogue.
      Por outro lado certas fotos têm dimensões demasiado grandes, o que também contribui para tornar o blogue tão pesado. Por mim, sempre que posso, reduzo as imagens. Mas nem sempre isso é viável.

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