Já foi diferente


jmmcc,

Ilegais entre 55 a 75 mil – escreve aqui uma jornalista do Público. É incompreensível, mas esta falta de concordância das preposições tem-se vulgarizado e estendido largamente às próprias televisões.

Se puder ser útil a alguém, aqui lembro como deve ser:

–  entre X e Y;

–  de X a Y;

–  desde X até Y.

Já agora, a talhe de foice, a jornalista do Público comete (ou permitiu que a sua fonte o cometesse sem pedir esclarecimento) um pecado mortal ao escrever que o número de imigrantes ilegais em Portugal se situa entre 55 e 75 mil: dizer entre 55 e 75 mil não é bem a mesma coisa que dizer entre 55 mil e 75 mil.

Não entendo por que motivo os jornalistas mais velhos deixaram de ajudar os mais novos. Poderá não haver pachorra para ensinar coisas básicas a jovens licenciados, mas o clima nas Redacções já foi bem diferente.

18 comentários em “Já foi diferente”

  1. Estes erros estão de facto a generalizar-se. Sobretudo o das quantidades: “entre 55 e 75 mil”. Como bem sublinhas, o correcto é escrever-se ou afirmar-se “entre 55 mil e 75 mil”. Mas, como sabemos, os portugueses não costumam ser bons a matemática. O resultado está à vista: confunde-se facilmente dezenas com dezenas de milhar.

  2. Olá João,
    Sempre em cima do acontecimento!
    Nos Jornais aparecem verdadeiras pérolas, mas também nas legendas dos filmes passados nas TVs temos traduções de bradar aos céus!
    Obrigada pela lição de bom Portugês.
    Um abraço (desde aqui até aí).

  3. esqueces os que foram para a “reforma compulsiva”… conheço vários.
    mas quanto ao entre “55 e 75 mil” não creio que o problema seja a matemática. acho que é mais um caso de mau português: para não repetir a palavra “mil” (porque é feio repetir palavras – diz qualquer manual de ideias feitas), suprimiu-se o primeiro. isto é a prova que sem português nem a matemática se aguenta

  4. O pior da notícia nem é sermos informados que os ilegais serão «aproximadamente 74945». O pior, é mesmo ficarmos a saber que “representam seis por cento do PIB e garantiram 9,7 por cento dos bebés”.
    Duas más notícias numa só, portanto, especialmente para o nosso PR que há algum tempo perguntava porque nasciam tão poucas crianças em Portugal. Aqui está a resposta!…

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