O (des)governo abre mão de milhões de euros em excepções que simpaticamente epitetou de ‘adaptações’ e outros sinónimos agradáveis. Honra lhes seja feita que são muito criativos a dourar a realidade: Relvas licenciou-se como se viu mas não é bem assim. É tudo legal e transparente e a léguas de distância de José Sócrates que pelo menos não teve equivalências por rancho folclórico nenhum. Menos mal para ele. Na sexta-feira brindaram-nos com o mais abjecto aumento de impostos, apelidaram-no, contudo, de qualquer outra coisa como se fôssemos incapazes de fazer contas e pensar. Nada é o que parece. Nem mesmo o (des)governo. É bem pior do que parecia.
Também aqui.

Calculas como ando governada por esta desgovernança!
Calculo! Que fizemos nós para merecer isto?
Que fizemos nós para merecer isto?
São socialistas e votaram em políticas socialistas.
Seja dos Socialistas de Esquerda ou Direita.
Ou por outras palavras aceitaram dar o vosso poder individual ao Governo em troca de segurança.
Agora ficam sem uma coisa e sem outra.
Acabado de ouvir – a um psd convicto: “É um governo de cachopada”.
E creio que tem razão. No seu melhor é cachopada; no seu pior chega ao expediente indigno.
Não concordo, c., o facto de serem novos não pode nem deve legitimar o que está a ser feito e o que tem sido feito neste domínio das excepções. No seu pior, e o seu pior é que são, é indigno de facto.
Do mal o menos, chamem o Rangel.
Não é que, substancialmente, as medidas possam mudar: o dinheiro acabou mesmo.
A questão é que estes não têm noção, falta-lhes – aos bem intencionados, que os haverá – “peso” e conhecimento da realidade.
Para ligeirezas já havia o Sócrates.
Depois do Sócrates qualquer governo bem intencionado e com dois dedos de testa tinha a obrigação de fazer melhor. Muito melhor. Para termos um Sócrates laranja já chegava o outro. O voto no PSD indicou uma ruptura com o passado, logo esperava-se uma governação honesta. Afinal ainda temos pior.
Concordo consigo, Leonor
Se queremos branquear uma determinada política o mais fácil é mesmo despolitizá-la. Ser considerado como um não político, alguém que não tem um pensamento sobre a sociedade e sobre as consequências das decisões que toma, torna a sua acção mais fácil.
Tenho acompanhado, dentro do possível e embora com menor regularidade, o delito de opinião. E verifico que a Leonor e a Teresa não têm deixado de expressar o que pensam sobre a política e governo actuais. Já me surpreende a ausência de comentário político por parte de outros autores, incluindo o Pedro Correia. É impressão minha ou o facto de ser um governo PSD cria inibição?
Sim, porque não acredito, do que me habituei a ler por aqui, que a forma e a substãncia de muitas das medidas tomadas não mereçam abordagem no DO.
Olhe que não verificou bem. Há mais gente no blogue a escrever sobre este assunto além de mim e da Teresa. Se procurar os posts desde sexta-feira verá que aqui não há assuntos tabu e que há posts contundentes sobre o descalabro deste governo. Contudo, tal como não há assuntos tabu, é direito de cada blogger escrever sobre o que lhe apetece e quer e, talvez ainda mais importante, não escrever, se assim entender. É um direito que nos assiste, teresinha.
Ei, então aproveito, apesar de ainda faltarem mais de três meses: quero um avião telecomandado, ok?
(Sorry, não resisti…)
E não resististe muito bem 🙂
De facto já não se aguenta tanta injustiça,mas será que nós ,sociedade, não deveriamos fazer algo mais em concreto? é que eles estão -se a borrifar para os nossos desabafos ,pois sabem que dentro de dias já não se fala no assunto.
Eu acho impossivel aguentar tanta carga de impostos sem nos manifestarmos.
Essa é talvez a questão fulcral. Se houvesse menos injustiça, maior transparência e não fôssemos permanente mente brindados com excepções suportaríamos melhor. Não há pior do que ter um governo que não olha os seus cidadãos de igual forma e que promove as assimetrias.
E sim, acho que devíamos fazer algo de mais concreto. PPC fiou-se e fia-se no comportamento exemplar que temos tido e abusa ainda mais.
Como dizem os espanhóis Leonor:
” O primeiro ministro português é mais troikista que a troiKa. “
Todos nos gozam…
Esgota-se a paciência para as diabruras do ” irmãozinho ” da Frau Merkel.
Ele próprio disse que queria ir além da Troika, cr.
“Passos Coelho é o melhor exemplo da metamorfose do dirigente no processo de ascensão ao poder. Sócrates já é passado. Como aqui neste espaço escrevi, há apenas dois dias, a um coelho sucede uma lebre.
O que agora os portugueses podem perguntar a si próprios é o que esperar de um tipo como Passos Coelho, alguém que ainda não chegou ao poder e já actua desta forma. Dir-se-á que não é virgem e que até Cavaco Silva incorreu no mesmo erro da omissão de factos. Pois é verdade. Mas quem numa questão destas, quando ainda não detém o poder executivo do Estado e precisa de conquistar os votos dos eleitores, actua já desta forma tão ínvia, imaginem o que não estará disposto a fazer quando a sua clique, devidamente orquestrada pelos “Relvas”, os “Jardins”, os “Mendes” e os “Marcos”, se vir instalada em S. Bento, contando com a passividade do Presidente da República?”
Isto foi escrito aqui, entre outras coisas, em Abril de 2011, para quem não se recorda.
Estavas muito à frente, Sérgio.