Isto é que é cortar na despesa?


cadernoelastico,

O José Gomes André chamou-me a atenção para um despacho todo catita do Ministério das Finanças: as universidades e seus institutos estão impedidos de fazer pagamentos contra recibo dentro das rubricas “Estudos, pareceres, consultadoria”, “Outros trabalhos especializados”, “Outros serviços” e “Investimentos”.

As malvadas das universidades andavam a gastar dinheiro, não era? Ora, isto não é bem assim. Vamos a um caso prático. Eu, Ana Margarida, sou doutoranda de um Instituto de uma universidade pública. Com a minha orientadora, professora desse mesmo instituto, e um outro professor, também de um instituto de uma universidade pública, elaboro a cada dois anos um relatório sobre a transparência orçamental para uma ONG americana. Eles pagam ao nosso instituto, que é a nossa instituição, e o instituto paga-nos a nós, contra recibo verde (e muitos impostos, mas isso é outra história). Com este despacho, fico a ver navios. Aliás, acabei de ser roubada, porque o relatório já foi feito e entregue, mas pelos vistos não posso ter acesso ao meu pagamento, porque o Ministério das Finanças não deixa.

 

Não estamos a falar de cortes, mas de roubo puro e duro. As Finanças não cortaram nenhuma gordura, limitaram-se a apropriar-se do pouco dinheiro que recebo por trabalhar. 

8 comentários em “Isto é que é cortar na despesa?”

  1. Ao invés, este exemplo:
    Sabia que os digníssimos inspectores do INFARMED (pago por todos nós), teêm direito a motorista?
    Se não possuem carta de condução não podem exercer a profissão, estão inabilitados como muitos outros nas suas.
    O Estado não está gordo, está empanzinado.

  2. Prezada “roubada”

    Seja-me permido opinar…o que já estou opinando:

    No caso que relata ,– dito e bem roubo –, não me parece que se enquadre no espirito do despacho: “poupar mais uns euritos”. Portanto, uma vez que o serviço prestado é pago por um organismo estrangeiro… acho que, fazendo uma exposiçao fundada nesse sentido, o tio Gaspar até que compreenderá… “Penso eu de que”

    Parecer gratis.

  3. Atrevo-me a dizer que não considerou bem as suas opções e que em vez de enveredar por um caminho académico seria preferível ter optado por uma via virada para outro$ domínio$.
    Não sei se com maior ou menor intensidade cerebral, mas seguramente com superiores proveitos e sem preocupações fiscais.
    Que o digam os “senhores Loureiros, Oliveiras, etc.” cujo banco deu para tudo e para todos (todos eles, evidentemente)!

    Cumprimentos.

  4. acreditou neles, não acreditou? que não tivesse contribuído para a eleição deles, através de manif’s fúteis e sem fundamento. é como o pedro e o lobo…

  5. Quiseram ser controlados pelo ministério para terem segurança, agora o ministério tira-lhes tudo até a liberdade mais infíma.

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