Isaltino Morais: «Irrita-me a hipocrisia, o falso moralismo e a brigada da ética»


Pedro Correia,

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«Trago sempre muita coisa nos bolsos. Costumo dizer que o bolso é o meu escritório»

 

Quando o entrevistei, já desempenhava as funções actuais é presidente da Câmara de Oeiras, enquanto independente, repetindo o que fizera enquanto militante do PSD. Ao telefone, foi fluente e de resposta fácil, proporcionando-me dois ou três bons títulos à escolha. Vê-se bem que anda há muitos anos nisto.

 

Tem medo de quê?

Da inveja e da maledicência.

Gostaria de viver num hotel?

Não. Um hotel é sempre impessoal. Gosto do espaço organizado ou desorganizado por mim.

A sua bebida preferida?

Água. Gosto muito de cerveja, mas só a água tira a sede.

Tem alguma pedra no sapato?

Tenho várias, mas posso arrumá-las num canto do sapato para que não façam muita mossa.

Que número calça?

41.

Que livro anda a ler?

Estou a ler Um Alfaiate em Hong Kong, da minha amiga Ângela Leite. É o terceiro livro que publica.

Tem muitos livros à cabeceira?

Tenho na casa de banho: livros de política, de gestão, romances… Leio muito na casa de banho.

A sua personagem de ficção favorita?

O Tintim.

Rir é o melhor remédio?

Pode não ser o melhor remédio, mas é sem dúvida uma excelente terapia. Costumo rir-me todos os dias. Rio-me dos outros e de mim próprio.

Lembra-se da última vez em que chorou?

Não sou choramingas, mas choro com alguma facilidade. O drama humano emociona-me sempre. Um genuíno gesto de amizade também.

Gosta mais de conduzir ou de ser conduzido?

Em geral, prefiro conduzir.

É bom transgredir os limites?

Estamos sempre a transgredir. Faz parte da natureza humana.

Qual é o seu prato favorito?

Modéstia à parte, sou um excelente cozinheiro. E gosto muito de pratos tradicionais da cozinha portuguesa – feijoada, cozido, carne assada no forno, cabrito assado… Mas o meu prato favorito são cascas de botelo (uma espécie de cozido, à transmontana, com enchidos, presunto e vagens de feijão verde secas).

Qual é o pecado capital que pratica com mais frequência?

A gula é o único pecado que costumo cometer. Mais nenhum.

A sua cor preferida?

É o verde.

Costuma cantar no duche?

Canto fados de Coimbra, que são os que estavam em voga quando tinha 18 anos. Depois dessa idade não aprendi mais canção nenhuma.

E a música da sua vida?

Talvez L’ Important C’est la Rose, do Gilbert Bécaud.

Sugere alguma alteração ao hino nacional?

Não sugiro alteração alguma. A letra deve ser entendida como metáfora: o combate aos canhões pode transformar-se no combate à fome e à pobreza.

Com que figura pública gostaria de jantar esta noite?

Com Eunice Muñoz.

As aparências iludem?

Quase sempre.

Qual é a peça de vestuário que prefere?

O casaco. Por uma razão prática: trago sempre muita coisa nos bolsos. Costumo dizer que o meu bolso é o meu escritório.

Qual é o seu maior sonho?

Ter mais tempo para mim.

E o maior pesadelo?

Não tenho pesadelos.

O que o irrita profundamente?

A hipocrisia, o falso moralismo, a brigada da ética.

Qual a melhor forma de relaxar?

Sentarmo-nos numa esplanada a ver a paisagem passar por nós.

O que faria se fosse milionário?

Faria exactamente o mesmo que faço hoje.

Uma mulher bonita?

Angelina Jolie.

Acredita no paraíso?

Acredito. O paraíso constrói-se todos os dias.

Tem um lema?

Fazer bem feito, à primeira vez.

 

Entrevista publicada no Diário de Notícias (25 de Outubro de 2008)

28 comentários em “Isaltino Morais: «Irrita-me a hipocrisia, o falso moralismo e a brigada da ética»”

  1. Ler na casa de banho, denota falta de classe, e depois dizer que o”meu bolso é o meu escritório” dá que pensar!!!….

    Falar mal da brigada da ética é um atentado a liberdade moral das Beatas e das carpideiras( e tantas existem por aqui).
    Registo o fraco gosto em relação as mulheres, Angelina Jolie a tal que namorava com mulheres na adolescência,não é uma grande beldade,até o Pitt se fartou

    Mas concluindo e resumindo:
    Isaltino é um vivaço e um sabujo, mas assim como Pinto da Costa, ao que parece também deixa obra feita.

    João Abelho

    1. Isaltino é um “study case”.

      Corrupto condenado, foi democraticamente eleito com a oposição de todos os partidos e, encarniçadamente do seu antigo partido, o PSD. Isto permite várias reflexões.

      A primeira é logo perguntar que raio de democracia é esta que não tem uma previsão legal para corruptos, no mínimo um período de nojo antes de recuperar os direitos eleitorais passivos.

      A segunda é mais grave (ou devia ser). Aos olhos do eleitorado a corrupção é já um dado adquirido e nem é levada à consideração no voto. E sendo assim, Isaltino tem as melhores credenciais para ser eleito: obra feita (indiscutível) e um impecável sentido de justiça.

      Talvez nem todos saibam que a corrupção instituída por Isaltino era rigorosamente igual para todos. Os licenciamentos estavam “tabelados”, podiam ser discretamente conhecidos antecipadamente e nunca favoreciam A em detrimento de B.

      Eu, que pretendo manter-me longe e até perdi o cartão de eleitor há muitos anos, acho que ainda é do melhor que este regime tem para oferecer.

      1. A primeira é logo perguntar que raio de democracia é esta que não tem uma previsão legal para corruptos, no mínimo um período de nojo antes de recuperar os direitos eleitorais passivos.

        Parece-me mais ou menos fácil de responder.

        Se é suposto que a pena de prisão seja o castigo/reparação do crime perante a sociedade temos de assumir que quando um cidadão prevaricador cumpre a pena que lhe foi atribuída a partir desse momento tem exactamente os mesmos direitos que outro cidadão qualquer. Tem um cadastro, um registo passado, mas não pode ser libertado sem que a sua cidadania seja reposta integralmente. Um período de nojo implicaria que o sistema penal não é um sistema reparador.

        Eu acho que Isaltino tendo cumprido a sua pena é agora um homem livre. O crime compensa? Não sei. Quando me derem o ordenado que dão a um juíz emito uma opinião. Até lá para mim, agora, é um homem como os outros.

        Aliás, se calhar é um homem melhorado. Há muitos outros por aí que ainda não pagaram pelos seus crimes.

        Quando a ser sabujo e vivaço, como diz o primeiro comentário (deve ser uma pessoa altamente informada pela nossa comunicação social, ela própria muito acima dessas falhas de carácter) é uma afirmação que não só sofre de falta de verificabilidade, como não sei se passaria diante de uma comparação fácil: e os outros todos não são?

        Não estou a defender o Sr. Isaltino (que não conheço) mas lá está… sofre daquele defeito terrível de ter sido legitimamente elegido para o cargo que ocupa.

        1. Se calhar é um homem melhorado diz o V, acho que se está a referir a experiência do Isaltino na apanha do sabonete, daí ele dizer que lia muito na casa de banho.

        2. A lei assim é mas na minha opinião pessoal os cargos políticos deviam ser tratados como as profissões de interesse público.
          Se um advogado, médico, revisor oficial de contas, etc. é condenado por crime a que corresponde pena maior, perde a carteira profissional e mesmo sem ser condenado a pena maior, se o crime se prende com o exercício da profissão, quando sai da prisão não recupera a carteira.
          Além da péssima pedagogia e péssimo exemplo que é um condenado por corrupção voltar ao mesmo cargo, até por uma questão de equidade com outras actividades de interesse público, parecia-me bem, como disse, no mínimo um período de nojo.

          O resto do seu comentário já não será comigo mas sempre lhe digo que não está em causa Isaltino ser ou não ser má pessoa. Eu acho que ele, como a ??? Felgueiras não deveria poder candidatar-se mas se, por hipótese absurda, ele viesse a concorrer contra o Medina, eu se votasse, votava Isaltino.

          1. se o crime se prende com o exercício da profissão, quando sai da prisão não recupera a carteira.

            Eu percebo o problema — mas eventualmente não se considera que um crime de colarinho branco seja tão danoso para as pessoas directamente ou tão imediatamente como outros (até porque esses crimes normalmente não são praticados por uma pessoa apenas, ou seja, já há mitigações da culpa a priori).

            Mas sinceramente também não sei se perder a carteira profissional deve ser definitivo por regra — até porque muitos desses casos profissionais são pontuais ou acidentes e não correspondem a práticas dolosas de modo permanente (sociopata). As próprias instituições que emitem cédulas profissionais têm organismos que analisam e deliberam sobre a gravidade desses crimes o que significa que será necessário fazer distinções caso a caso.

        3. Exmo. V

          (Em relação ao Isaltino)

          Mas que raio de conversa é essa V !!!

          Então o V diz que não é juíz, mas rapidamente se apressa a julgar-me por ter dito que o achava vivaço e sabujo.

          E o que é isso da falta de verificabilidade!?!

          Seguindo o seu raciocínio um rabeta só é rabeta se comprovar perante os outros que é, ou seja terá que fazer prova oral.

          O Caro V, parece ser um comunista da igualdade, quando diz e passando a citá-lo
          “e os outros todos não são?”

          E digo mais meritíssimo V, uma comparação fácil do tipo Benfica e Sporting do rico e do pobre é fácil muito fácil.

          Saudações Felizes

          João Abelho

          1. Não o estava a julgar — estava apenas a ponderar se os seus adjectivos (que implicam um julgamento seu, não meu) provêm de algum conhecimento pessoal do caso e do indivíduo ou da prodigiosa qualidade da informação que recebemos do jornalismo cá da terra.

            Para recuperar o seu argumento — se chamar rabeta a alguém é melhor ter provas concretas. Não estou a falar de experiência pessoal (deus o livre, espero eu, mas no limite faça como entender) mas pelo menos ter visto com os seus próprios olhos 🙂 em vez de aceitar injuriar alguém porque na televisão o gajo parecia malandro.

            a outra comparação… comunista não sou de todo, mas acredito na igualdade perante a lei — até porque eu estava a admitir um pessimismo antropológico do género do de Hobbes (aquele homem não se distingue dos outros porque é tão mau como os outros) em vez do lirismo pateta de Rousseau.

            Mas vejamos outro caso. Sócrates. Toda a gente acha que ele é bandido. Outros juram que não. Se for ilibado é ilibado, ponto final (será?). Se for culpado e cumprir pena, quando sair, para mim pagou a sua factura à sociedade (não é porque eu acredite mais nele agora, mas porque são essas as regras definidas para todos). Se se candidatar outra vez a outra coisa qualquer, o que se deve fazer? Proibi-lo ou impedi-lo de o fazer durante 10 anos para que não repita (assim logo a seguir) os crimes anteriores? Desistimos completamente de acreditar que uma pessoa pode arrepender-se e corrigir-se? Era a questão inicial, cheia de áreas cinzentas.

            Ou espera lá, se calhar é só porque Isaltino era do PSD (são todos trafulhas naturais, claro, além de uns labregos lá de viseu, deve ser do granito) e Sócrates era do PS (são todos bons, autênticos humanistas, do sul, é dos pastéis de nata, e deviam governar para sempre porque são gajos porreiros, são de esquerda ou coisa parecida, até eram amigos do Marocas e quando andavam no 10ºB tinham uma t-shirt do Che). É sobretudo contra estas ideias prévias muito recorrentes que eu acho que devemos estar atentos.

          2. Exmo. V

            Falar em Thomas Hobbes,Rousseu,Sócrates, Soares,Isaltino,etc….
            Mas que penitência a sua…

            O V um Abade da moral sujeito à jurisdição episcopal !!!

            Sinceramente!!!

            João Abelho

  2. Joyce na retrete,Herberto no banheiro, confere com as biografias.
    Nos bolsos não pode trazer muito,pareceriam alforges e ele preocupa-se com o aspecto descontando-lhe o pecado .Elegantes são as algibeiras
    de alguns ,esvaziadas em lavandarias com entradas reservadas.Esses sim apresentam-se bem, irradiam ética.
    Angelina. Há jeitos de a mulher ser bonita.Sabem-no elas e nós,apurados os sentidos,enquanto houver elas e eles e não for proibido.

  3. “Feijoada, cozido, carne assada no forno, cabrito assado… Mas o meu prato favorito são cascas de botelo (uma espécie de cozido, à transmontana, com enchidos, presunto e vagens de feijão verde secas”

    Lia muto na casa de banho,puderá com alimentação bélica pesada aquilo é uma máquina de “cagar”.

  4. Pensando melhor, acho que Isaltino devia voltar já prá pildra. Como é possível que aquela bruxa horripilante da Angelina Jolie seja a tipa mais gira do planeta? Não pode ser.

      1. Tchiii pois é… 2008. Por acaso não tinha reparado que era uma relíquia dos tempos áureos do Fundo Social Europeu. Ainda assim nessa altura a Angelina já era janada da cuca.

      1. Já repararam que os tipos da Uber agora já se portam como taxistas? Eu avisei que bastava um sticker no vidro para fossilizar aquilo.

          1. ok concedo que aquilo não era normal — mas agora já guiam à papo-seco e tudo

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