Férias


José Meireles Graça,

Já tive férias que começaram com melhores auspícios. Ontem, ao chegar perto da VCI, vindo de Guimarães, via-se a cauda da interminável fila em direcção à ponte do Freixo. Acontece cada vez mais, aquele acesso está à espera de uma obra que corrija o erro do previsível estrangulamento que a obra original provocou. Esperto como sou, resolvi ir pela Arrábida, razão pela qual andei no pára-arranca durante quase duas horas.

Ao chegar à Arrábida, percebi: estavam dois ou três operários a trabalhar na junta de dilatação da ponte, devidamente enfarpelados em amarelo, e quatro ou cinco fiscais, ou engenheiros, mais o carro da GNR e os respectivos agentes. A proporção usual, portanto nada a dizer.

Sucede que das três faixas estavam interrompidas duas. Aparentemente, não ocorreu nem ao dono da obra, nem ao responsável local, nem aos prestimosos agentes da ordem, que interromper desnecessariamente (porquê duas em três e não uma em três; porquê de dia e não de noite), em horas de grande circulação, um eixo viário daqueles, justificaria que, sem danos físicos permanentes (sou um defensor estrénuo da moderação  em matéria penal) o dono da obra, o responsável, os agentes da GNR – se não denunciaram o caso superiormente – fossem objecto de um mínimo de dez chibatadas.

Antes de chegar à VCI, na A3, há daqueles pórticos luminosos em que se prodigalizam conselhos inanes das autoridades sobre incêndios, a Covid, a velocidade e mais um par de botas, igualmente cambadas pelo uso e pela justificada indiferença das pessoas.

O que não havia era informação sobre um facto simples: a ponte da Arrábida estava em obras; pelo lado do Freixo havia um considerável atraso; há um percurso alternativo, para quem queira ir para Sul, que nasce da portagem da Maia e passa o Douro em Crestuma. Se os senhores condutores se quisessem poupar aumentos da tensão arterial, e reforço da sua justificada aversão aos poderes públicos, não tinham mais do que ir por aí.

Razões pelas quais, depois de madura consideração, e passado mais de um dia para efeito de arrefecimento de uma exaltada indignação, me vejo na contingência de alargar a penalidade sugerida de dez para quinze chibatadas, incluindo na justa sanção o treteiro que faz a gestão dos pórticos informativos e, já agora, o presidente da Câmara do Porto, como responsável máximo local, pelo menos naquela embrulhada indigna da VCI que fica pertíssimo do seu tão estimado Dragão.

13 comentários em “Férias”

    1. É verdade. Aqui em Gaia consegue-se ir um passo mais além na imbecilidade: camiões da recolha do lixo entre as 8 e as 9 da manhã, em plena hora de ponta! Antigamente, na era AC (antes do covid), várias vezes dei comigo preso no trânsito, porque à porta da EB 2, 3 de Canelas havia um desses camiões a enfeitar o trânsito, dez minutos antes do início das aulas. Se alguém fizesse um projecto sobre como ali arruinar o trânsito em hora de ponta, não conseguiria fazer melhor.

  1. Bora irmo-nos a eles com força e que o braço não canse:).
    Bom, a esta hora já estará mais apaziguado (avento eu). Mas lá que mereciam uns puxões de orelhas reais e não por escrito, isso mereciam. É que, cada vez me convenço mais: há gente que só à palmada vai ao caminho. Dantes, achava que o castigo físico era para animais e mesmo assim com moderação. Hoje, dou por mim a copiar o meu progenitor e só não os penduro de cabeça para baixo, mas já me apetece cortar-lhes o cabelo à pedrada, facto que seria incapaz de levar a cabo por uma desgraçada falta de pontaria.
    Desejo-lhe um santo domingo e nada fúrias, é melhor evitar passar as pontes ou assim, pelo menos até que as obras se vão. Que isto de os políticos e as políticas mudarem e se tornarem um bocadinho inteligentes, “está quieto ó mau”.

  2. Dois esclarecimentos:
    1 As obras em juntas de dilatação devem ser efetuadas nas horas de maior calor e logo, maior dilatação.

    2 Como decerto se recordará, há muito pouco tempo faleceram dois agentes da GNR que se encontravam a fazer um serviço semelhante. Por isso, o corte de duas vias serve de segurança a agentes e trabalhadores, bem como à circulação de máquinas. Caso não tenha reparado, a Ponte da Arrábida é uma autoestrada.

    1. As auto estradas têm normalmente 4 faixas e não 6, incluindo em pontes com juntas, pelo que a alegação de que é necessário interromper 2 faixas não tem pura e siplesmente sentido, quando não sempre que fosse necessário efectuar intervenções em pontes ter-se-ia que cortar a autoestrada; não conheço esse caso dos dois agentes da GNR que morreram, mas duvido que a solução para evitar essas fatalidades implique necessariamente causar indevido transtorno ao trânsito. Por exemplo, no caso que referi não havia qualquer sinal a prevenir para o estreitamento da via, que meramente era indicado pela colocação de pinos que reduziam a largura, portanto em cima do acontecimento, o que, se a circulação não fosse de pára-arranque, seria claramente perigoso. Quando, por causa da segurança de trabalhadores e agentes, se despreza a fluidez do trânsito e a comodidade das pessoas, o que temos são soluções radicais, abusivas e preguiçosas. Como aqui.

      1. A sério? Não se pode desprezar a fluidez do trânsito, por causa da segurança dos agentes e dos trabalhadores?

        Não sabia que dois agentes da GNR faleceram em julho, enquanto sinalizavam obras na A1, na faixa da esquerda, precisamente a faixa que estava a ser intervencionada nesta situação?

        As autoestradas têm 4 faixas? Onde? Na Alemanha, só pode.

        A Ponte Arrábida faz parte da autoestrada A1. Que termina no lado do Porto, onde começa a autoestrada A20, que é a VCI. Sim, a VCI é uma autoestrada.

        A A4 tem duas faixas em vários troços. até a A1 tem apenas duas faixas em alguns troços.

        A sério….

        1. Como deveria ser, e era, evidente, a afirmação de que as autoestradas têm normalmente 4 faixas refere-se aos dois sentidos. Conforme já deixei claro, a compatibilização da segurança com a mobilidade e o respeito devido aos condutores pode fazer-se com informação, sinalização adequada, inteligência e lógica. Não pode fazer-se com preguiça de engenheiros e mestres de obras, e muito menos arrogância de cabos de esquadra, aos quais tende a sobrar em suficiência o que falta em literacia. A sério.

          1. O desprestígio com que adjetiva as forças policiais dizem bastante de si. Mas também demonstram bem a sua ignorância. Aquela via é concessionada e como tal tem uma entidade responsável, que contrata a força policial para prestar um serviço de acompanhamento. Aqueles agentes encontravam-se ao serviço da concessionária e não em serviço policial regular. Por ser necessário o corte de via, é que foram contratados para acompanhar os trabalhos.
            Numa altura em que toda a gente tem acesso a meios digitais, tal como o autor, que sabe utilizar a internet para escrever o escreveu, questiono se não sabe utilizar o seu iphone para verificar o trânsito. Até o google maps o atualiza ao segundo sobre o congestionamento e até lhe dá alternativas.
            Suponho que o maior perigo que corre no seu trabalho seja a possiblidade de a sua secretária lhe entornar o café sobre as calças yves saint laurent, porque se tivesse noção das coisas, não falava tão levianamente no perigo que aquelas pessoas correm para evitar tragédias.
            É o que dá viver numa bolha e achar que a populaça ignorante e analfabeta, se deve prestar a morrer, só porque os meninos bem não podem chegar atrasados à partida de squash do club.

      2. Que absurdo post e que absurda resposta. Para além de assinar por baixo a explicação do anónimo, corretíssima em todos os aspetos, é de ficar perplexo com a falta de humanidade da sua resposta. A segurança deve estar sempre em primeiro lugar. Até primeiro do que a sua comodidade. E já agora, o responsável pelo local não é a Câmara do Porto, é a brisa e as infraestruturas de Portugal. Acho que perdeu uma grande oportunidade para estar calado. E aproveite para se atualizar.

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