
Não acho particularmente bonitos os símbolos (ou logos, como preferirem chamar-lhes) que foram escolhidos para o Centenário da República Portuguesa, mas isso é o meu gosto pessoal, nada de grave. Reconheço-lhes, no entanto, um sentido de oportunidade e uma ironia notáveis. É que não podiam ser mais adequados à nossa situação: ao primeiro faltam bocados, exactamente como ao país, cada vez mais esfarrapado. O segundo lembra de imediato uma bola de roleta ou do euromilhões, numa clara alusão ao estado lamentável a que chegámos… estamos entregues à sorte ou ao azar do momento, numa lotaria que não controlamos e cujo resultado é imprevisível. Pior ainda, nem sequer temos o prazer do jogador. Alguém joga sempre por nós e nos deixa à porta do casino, como mirones que pagam o pato sem direito ao divertimento.

No segundo desenho há uma senhora que parece estar a sair da praia do Meco.
Engano teu. Olha melhor: ela está é a sair da mercearia, onde teve de pagar com a roupa porque já não lhe fiam nem o carapau do gato.
Bons tempos em que o carapau era de dar ao gato…
E quanto terão custado estes grafismos ‘galvanizadores’?…
Estou a pensar no portal das comemorações da República, um trabalho feito pelo atelier de design Henrique Cayatte, por ajuste directo, ou seja, sem concurso…. e que custou ao estado ………99 500 euros.