
Há cerca de 15 meses, uns tempos após a invasão russa da Ucrânia foi anunciada uma manifestação em Lisboa, julgo que junto à sede do PCP, contestando posições explicitamente pró-russas que esse partido assumiu. Os promotores integravam imigrantes e recém-chegados refugiados ucranianos. Então eu escrevia num blog colectivo dedicado ao desporto sportinguista. Um dos co-bloguistas, um tipo com simpatia (e porventura militância) pelo PCP, escreveu no seu recanto pessoal refutando o direito dos estrangeiros se manifestarem contra os portugueses “que pagam os impostos”. Indignado com aquela imundície fasciszante, que em muito ultrapassava uma diversidade de interpretações sobre questões de política internacional, saí do blog comum, ainda que este excêntrico à temática pois monopolizado pelas coisas do futebol. Fi-lo pois sigo subordinado a um fundamental princípio, omnipresente ainda que apenas ocasionalmente de necessária invocação: o de que “não vou à bola com estes gajos”. Um dito que neste caso tinha sentido literal! Alguns sportinguistas leitores contactaram-me, dizendo-me “exaltado”, “exagerado”, naquilo do “não havia necessidade”.
Passaram os tais 15 meses. Nos discursos difundidos pelos líderes de Moscovo foi-se invisibilizando a inicial justificação para a acção militar – que os seus líderes julgaram que seria célere: a de enfrentarem um poder ucraniano “drogado” e “nazi”, ilegítimo pois emanado de um “golpe”. Primeiro sendo esquecido o item relativo aos psicotrópicos, este um tópico já antigo, herdado do propagandear desde o ocaso soviético da degenerescência “ocidental”, dada ao hedonismo drogado – as pessoas que queriam passar para o lado ocidental faziam-no pelo anseio de terem acesso às drogas, era argumento de então, assumido por vários “quadros intelectuais” do PCP – e agora também à “homossexualidade”, esta uma inovação invectivadora do mesmo teor sob a matriz discursiva de Putin.
E depois, de modo mais gradual, foi-se subalternizando a redução das particularidades políticas ucranianas ao seu nazismo – esta que fora uma evidente mobilização do nacionalismo russo, exponenciado na II Guerra Mundial, e às históricas tensões naquele terra, potenciadas já sob o sovietismo. E nisso vem ficando como legitimação da guerra o ser a Ucrânia um títere do expansionismo belicoso norte-americano e da UE, cujo apoio a Kiev é considerado a causa da guerra.
Após os tais 15 meses, de uma guerra terrível e de inúmeras ameaças russas de utilização de armas atómicas, e nas vésperas das recentes confrontações internas entre os próceres de Moscovo – e só por si é inenarrável a adesão de políticos portugueses a um regime que inclui um “warlord” como o é o chefe da empresa Wagner -, a inominável líder parlamentar do PCP vem invectivar a presidente do Parlamento Europeu, continuando a perfilhar os tópicos discursivos do regime imperialista de Moscovo: o nazismo de Kiev, a responsabilização da UE (só não refere a “droga”).
Não haja qualquer dúvida, não sou eu o “exaltado”. Pois não dá mesmo para “ir à bola com este tipo” de gente. Nem numa mera e pacífica geringonça bloguística, quanto mais em coligações políticas. Tamanho o asco que provocam estes malandros.

Muito bem José Teixeira
Leão do Fundão
Asco, é o que esta récua provoca.
JSP
« Cai cai cai cai
Eu não vou te levantar
Cai cai cai cai
Quem mandou escorregar?
… Cai a chuva no telhado
Teu olhar caiu no meu
Cai a cinza do passado
Sobre um sonho que morreu »
Carmen Miranda
Com hedonismo a valer 100 paus, mais parece uma raivinha de só ficar com o futsal.
O que diria o leOliveira, antigo chefe na AR, sobre este ir à bola pra jogar sozinho.
Continuo a não entender… o que há de novo…
O PCP não quer desde sempre tomar conta dos meios de produção, acabar com a liberdade de imprensa, acabar com a liberdade de associação, acabar com a liberdade de expressão(agora com mais aliados inclusivé “democratas” ), acabar com as eleições que dêem menos de 90% dos votos no PCP e para tal acontecer será preciso violência inominável contra outros portugueses que pensam diferentes deles?
O que é Marxismo-Leninismo senão um discurso de ódio contra várias classes sociais prometendo o seu genocídio?
lucklucky não entende……, e o que é isso do PCP não querer desde sempre?
Mas ainda há PCP para preocupações?
De facto já há PCP que assuste
Há apenas uns idiotas invejosos.
Ora aí está uma boa justificação para o regresso da PIDE. A justificação para acabar com os comunistas, está neste texto. Venha a PIDE temos gente que a deseja.