Insegurança e desconfiança


Pedro Correia,

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O Presidente da República, que já se tinha deslocado duas vezes aos Açores, em Janeiro e Junho, prometendo regressar em Agosto, dignou-se enfim dar um saltinho à Madeira. Talvez estimulado pelo facto de o social-democrata Miguel Albuquerque, presidente do Governo Regional madeirense, lhe ter chamado «bengala do Governo» e admitido concorrer contra ele daqui a seis meses, na próxima eleição para o Palácio de Belém.

Antes da terceira visita ao arquipélago liderado pelo socialista Vasco Cordeiro, Marcelo Rebelo de Sousa lá se dignou picar o ponto na Madeira, numa espécie de toccata e fuga que nem durou 24 horas na ilha descoberta por Gonçalves Zarco. Além de aplacar os ânimos de Albuquerque, que poderia contribuir para lhe reduzir a ansiada fasquia dos 70% na reeleição prevista para Janeiro, o Presidente terá procurado transmitir mensagens de «segurança e confiança» no combate ao Covid-19 em solo madeirense. Para encontrarem eco nos telediários do Reino Unido, que acaba de excluir o nosso país dos “corredores turísticos” deste Verão devido ao aparente insucesso português no combate à pandemia – notícia desastrosa sobretudo para regiões como o Algarve e a própria Madeira, onde os britânicos representam 17,9% das dormidas turísticas.

Iniciativa meritória, a de Marcelo. Duvido muito, no entanto, que obtenha sucesso. Imagino como o verá um inglês médio que observe as imagens dele no Funchal, falando às pessoas na rua sem nunca abandonar a máscara e forçando os demais membros da comitiva a comportarem-se da mesma forma para não parecer mal. Quem entre nós, se fôssemos britânicos, se sentiria seguro e confiante para fazer férias num sítio destes?

26 comentários em “Insegurança e desconfiança”

  1. se o Presidente não pusesse a máscara, seria provável que o reprovassem. Pondo-a, é reprovado. Com ou sem, ela os turistas serão menos. Mas não era isto mesmo que esperávamos?! Andamos assim, ao sabor do que os outros decidem. E não apenas no turismo.

  2. Certamente que V.Exª reparou que para beber uma cervejola desconfinaram talvez uns 10 ou 12 não cumprindo aquilo que assinam.
    Cumps

  3. Que lindo!

    – a bovinidade mansa portuguesa exulta com as visitas do príncipe, perdão, do presidente do povo, num reino em que a rainha é um tal de Branco;

    – a bovinidade mansa portuguesa , paga o BPN, paga o NB, paga o BANIF, paga a CGD, paga a TAP, paga a EFACEC, pagas o ETC e não te cansa de pagar, com dizia o Toni Variações;

    – à bovinidade mansa portuguesa pede-se que não seja piegas, que resista à tentação de emigrar e ajude no esforço nacional de pagar as contas da falência,

    e, brevemente:

    – prepara-te, bovinidade mansa portuguesa, porque serás chamada a mais um esforço patriótico do verbo pagar. Prepara o couro que esfarrapas também nela, para pagar mais pela courela. Paga bovinidade otária:

    https://www.jornaldenegocios.pt/economia/impostos/detalhe/avaliacao-geral-do-patrimonio-rustico-ja-esta-em-marcha

    Smoreira

  4. Alguém criou carapuças para todas as medidas:
    “O melhor trepador no seu partido nunca será um PM decente”
    “O melhor comentador nunca será um digno Chefe de Estado”
    “A merda faz muito sucesso entre as moscas”

    1. Faziam eles muito bem.
      E fez você muito bem também.

      A intenção de certos “especialistas” – quase todos funcionários públicos – seria confinar toda a gente, quase todo o tempo, nas respectivas residências sem jamais saírem à rua excepto “em caso de extrema necessidade”.

      Como se sair de casa não fosse, todos os dias, um caso de extrema necessidade. Para trabalhar, para tratar da vida, para arejar, para descomprimir, para fazer exercício físico. Um direito básico em matéria de saúde pública – e, em particular, da saúde mental.

  5. “Iniciativa meritória, a de Marcelo. Duvido muito, no entanto, que obtenha sucesso. Imagino como o verá um inglês médio que observe as imagens dele no Funchal, falando às pessoas na rua sem nunca abandonar a máscara e forçando os demais membros da comitiva a comportarem-se da mesma forma para não parecer mal. Quem entre nós, se fôssemos britânicos, se sentiria seguro e confiante para fazer férias num sítio destes?”

    Concorda com a ida de Marcelo, mas pensa que não devia usar máscara para não assustar os turistas ingleses.
    Sendo a máscara obrigatória em Portugal está a sugerir que o Presidente da República não cumpra a lei portuguesa para atrair turistas.
    Como subserviência a ingleses e operadores turísticos não está mal.

    1. A máscara “não é obrigatória” em Portugal nem existe qualquer lei nesse sentido, excepto na sua imaginação.

      As imagens colhidas do PR foram na rua, e as declarações à comunicação social também ocorreram na rua. Em nenhuma rua deste país existe qualquer obrigação de usar máscara.
      Nem isso teria qualquer respaldo em norma alguma do nosso ordenamento jurídico-constitucional

      Portanto, como foram estas as imagens que passaram, a boa intenção do Presidente de “atrair turistas” britânicos virou-se ao contrário.

      Que turista anseia visitar um país cujo Chefe do Estado e respectiva comitiva andam nas ruas e praças e praias de máscara sempre posta na cara?

      1. Não será obrigatória, mas é recomendada quando se está muito perto de pessoas com quem não se coabita, o que é o caso.

        Eu não acredito que o Pedro Correia ache mal que o presidente use máscara. Se ele não trouxesse máscara estaria aqui a escrever um post a indignar-se com a subserviência do PR em relação ao turismo que o levava a esquecer o recomendado pela DGS.
        Os seus posts são ao homem, não à atitude,

        1. Não é obrigatório, reafirmo.
          Nem nunca foi sequer durante o estado de emergência – quanto mais agora.

          Quanto ao PR, não acho bem nem mal. É uma opção dele. Talvez um pouco ridícula, quando pretende transmitir a mensagem aos britânicos de que tudo está bem na Madeira, onde não houve qualquer óbito por Covid-19.
          Ao andar na rua de máscara, lá no Funchal, e forçar toda a comitiva a andar assim também, o PR inverte a mensagem. Que faz ricochete e não produz o efeito que ele pretendia.

  6. “…insucesso português no combate a pandemia…”

    Então que dizer do Reino Unido??…
    Agora Portugal devia era ter feito o mesmo com o Reino Unido, com o Brasil e o EUA, não como revanche mas por simples precaução.

    E há outra questão no turismo em Portugal, que é termos um turista pé de chinelo e grande parte dos ingleses e holandeses que vêm para Portugal é só para beber como uns idiotas e fazer estragos.
    (alguns desses maus comportamentos estão registados na PSP)

    Carlinhos

    1. És um imbecil, Carlinhos. Vê-se bem que o teu papá e a tua mamã trabalham na “função pública”.

      Se tivessem de ganhar a vida sem ser à custa dos impostos pagos pelo compatriotas, desejariam que os três milhões de turistas britânicos que visitaram Portugal em 2019 voltassem cá outra vez.
      Sobretudo se trabalhassem no Algarve, onde o desemprego em Maio aumentou este ano para 200%. Coisa que nenhum funcionário imagina o que é, por ter emprego e salário garantidos até sempre.

      Sorte a tua, Carlinhos: não vives no Algarve nem dependes da economia privada para comeres ‘croissants’ e beberes sumo de goiaba ao pequeno-almoço.

      1. Não os meus pais não trabalharam na função pública..
        Mas fica registado o seu preconceito em relação a função pública.
        Não disse nada que o ofendesse assim tanto, mas podem ser más influências futebolísticas.

        1-O que eu simplesmente quis dizer é que não gosto de ver um PR a mendigar por turismo, mesmo sabendo que ele é importante, mas não descuro uma importância sanitária ainda maior em Portugal,pois estes países estão longe de ter a sua situação da pandemia resolvida,(aliás como o mundo todo)podendo ser um sério risco de importação de covid para Portugal.

        2- Agora não me venha dizer(excepto os residentes) que grande parte dos ingleses e Holandeses se portam bem no Algarve, porque se disser que sim! Então explique as inúmeras ocorrências (em bares …)registadas ao longo de vários anos no Algarve. (Não generalizo )

        3-infelizmente o desemprego aumentou no Algarve e no resto do país e no mundo pelas razões que todos conhecemos.

        4-A questão é que temos que ter um controlo sério e que já por si é difícil de forma a evitar surtos e não acho que isto esteja acontecer, nomeadamente na zona de Lisboa, como por exemplo a desvalorização do perigo de contágio e transmissão do covid nos transportes públicos.Temo também pelo o Algarve que em nome do turismo leve os cuidados a serem postos de lado (turismo sim mas responsável).

        Tendo viajado pela europa, sei bem o que é ser estrangeiro, mesmo sendo bem comportado, o que não é admissível é que Ingleses, Holandeses ou outras nacionalidades venham fazer turismo em grupo para arruaças ou estragar património como já aconteceu em Lisboa ou noutros pontos do país em algumas ocasiões.( se quiser desmentir isto, então faça favor)

        O de me chamar Imbecil, quer que lhe diga, provavelmente até sou, mas o Pedro Correia conseguiu ser mais ainda, mesmo podendo ter as suas razões, pois a paciência de facto tem limites.

        Carlinhos

          1. Por ser Carlinhos!
            Agora sei o que é pertencer a minorias discriminadas em Portugal.

            Carlinhos

        1. Só mesmo os instalados na casta superior dos funcionários públicos é que fazem alarde da pandemia, mas pandemia como assim, mas agora os números de mortos não interessam?

          Quando o número de mortes provocados pelas medidas de confinamento são superiores ao número de mortes de covid apenas 1500 em 4 meses e mortes com covid diferente de mortes devido ao covid.

          Os carlinhos não ficam chocados com a quantidade de pessoas que perdem rendimentos, emprego, etc.

          Os carlinhos não ficam chocados com a quantidade de pessoas que ficam sem consultas, exames, cirurgias etc devido ao covid.

          Entendo que quem é funcionário público queira ficar em casa sem trabalhar a receber a 100% mais subsídios, mas tu não tens vizinhos, amigos ou família no privado?

          1. Para:Luis Barreiro

            Eu ficado chocado é com a sua capacidade de leitura.

            Concluindo e resumindo:
            1-O Presidente Marcelo na TV a mendigar aos Ingleses por turismo, sinceramente!

            2-Se os ingleses tomam as medidas que tomaram, então Portugal não as pode tomar também pelas mesmas razões por questões de segurança(até bem mais validas do que os ingleses).

            Turismo sim, mas com responsabilidade e com os cuidados devidos.

            3-De ter referido, enfim os perigos de um certo turismo que se faz no Algarve por
            massas de jovens ingleses que praticam festas em grupo, regadas com muito álcool e desacatos,por acaso isto é mentira.

            4- Acusa-se alguém que não se conhece de lado nenhum de funcionário público,
            de querer ficar em casa, em confinamento(que até volta a ser aplicado em Espanha há dois dias na Catalunha, e na Australia Também nalgumas zonas).
            De ser insensível ao desemprego, aos doentes com problemas de saúde….
            Por acaso me pronunciei sobre isto, não me parece, como mostra o comentário anterior..

            A pandemia infelizmente já está em roda livre no mundo e isto ou acaba bem( eu assim espero), ou vai acabar mal para todos nós.

            Carlinhos

  7. Está na altura de combater o slogan “fique em casa”, criado pelo governo como tentativa falhada de isolar os focos de covid19, evitando a sua propagação. Por mim proporia que seja imediatamente posto a circular o seguinte:
    SAIA, PELA SUA SAÚDE.

  8. Calma, que o Futuro Primeiro já veio traçar o rumo.
    Acabem-se com os alojamentos locais, Lisboa aos lisboetas. Portanto, o Algarve que siga o exemplo do edil da Capital, e liberte de uma vez a região do jugo do turismo de massas.

  9. O Pedro Correia a zurzir no PR 2/3 vezes por semana nem dá para acreditar, depois de ter feito campanha (aqui no DO) por ele mas isso já passou, pois o PR dos afectos não dissolveu a maioria de esquerda que o nosso habilidoso PM montou para se safar.
    Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades ou os alvos.
    Não existe maior exemplo desta decrépita républica a caminho da quarta bancarrota em menos de 50 anos que o seu máximo representante.

    WW

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