A novela chegou ao fim. Finalmente.
Ninguém saiu bem desta aventura. Perdeu o País, perdeu a política, perdeu a cidadania, perderam as instituições, perdeu o líder do PSD, perdeu o candidato e perdeu o homem. Ficaram os disparates, as afirmações extemporâneas e inflamadas, a vaidade enfatuada, a presunção e, no fim, a humilhação. E tudo para quê? Em nome de que sonhos?
Os que irresponsavelmente o empurraram para a linha da frente foram sorrateiramente desaparecendo, voltando à sombra onde medram e têm poder. Sabemos quem são e não os esqueceremos.
Quanto a ele, convertido num mero instrumento da mais medíocre acção política, os portugueses perdoar-lhe-ão. Porque o têm na conta de um homem bom. E seguramente que irão fazer por esquecer o que se passou. Todos temos os nossos momentos menos felizes e não é por causa disso que passamos a ser menos. Preciso é que saibamos ser capazes de analisar o que aconteceu, de uma forma fria e distanciada, e aprender algum coisa com o passado, para que ele não nos faça tropeçar no presente e não atraiçoe o futuro.
Espero que tenha saúde e possa continuar a trabalhar em prol da AMI e de todos os que beneficiam com a sua acção humanitária. É isso que ele sabe, pode e deve fazer. E se o continuar a fazer como até aqui, já não será pouco.

Escrevemos ao mesmo tempo, sobre o mesmo tema. E ambos nos lembrámos da palavra “novela” para descrever esta triste história. No essencial estamos de acordo, só não concordo contigo nesse benévolo esquecimento de que Fernando Nobre irá beneficiar, como vaticinas. Revelou um lado negro que ninguém lhe conhecia (todos o temos, é certo) e o condenará a uma memória muito pouco abonatória. Por mim, tenho pena dele. Mas não tenho já simpatia, e muito menos admiração. E espero, como penso que tu também, que a AMI não venha a ressentir-se desta aventura política.
A indiferença, por vezes, é o pior dos castigos. Essa é também uma forma de esquecimento, Ana. No caso de uma pessoa como a que ele se revelou deve ser doloroso.
Tens razão.
Vem a ressentir-se com certeza (a AMI), pois a minha contribuição mensal – de longos anos – terminou. Desculpe-me a Organização, mas não consigo esquecer/dissociar a figura do Homem e da Instituição.
Perde sim. Nobre mostrou quem era e ninguém lhe perdoa a falta de carácter.
Eu desvinculei-me da AMI, não só monetariamente, porque não me revejo numa instituição liderada por um homem assim.
Tal como eu ….
Infelizmente, a imagem do seu fundador reflecte-se na AMI, como acabei de comentar no post da Ana, que li primeiro.
Lamentavelmente, aqui não há empurrões, nem instrumentos, nem irresponsáveis. Falamos de um homem maduro que mostrou ser duma vaidade que não lhe conhecíamos. Inebriado pela sua própria figura.
Todos temos momentos menos felizes. Mas eram precisos 3 (três) momentos mesmo muito infelizes?
Era um homem bom.
Para mim, agora, é apenas um homem vaidoso que não se contenta com o que de melhor sabia fazer e menos ainda com um segundo lugar.
E de tal forma se reflecte na AMI que, após a minha saída, recebi uma carta-tipo dirigida certamente a várias centenas de pessoas, em que tentavam demonstrar que o caminho do Dr FN e o da AMI tinham de ser vistos de forma diferenciada. Duas páginas de explicações. Não foram só para mim, infelizmente!
E digo infelizmente, porque o sinto mesmo.
E tudo isso não é ingenuidade alguma. Um homem com uma obra destas tem de pensar na consequência dos seus actos.
Não só no caminho que decidiu percorrer, que só a ele diz respeito. Mas na consequência das suas afirmações, do que põe em causa.
Não é, também, inexperiência.