Câmara Municipal de Montreal: “hotel de cidade”, como lhe chama a RTP
O canal 2 da RTP autodefine-se, desde há uns tempos, como uma alternativa “culta e adulta” aos raros telespectadores que a frequentam. Não faço a menor ideia de onde partiu este slogan, mas quem o concebeu acertou ao lado: não conheço ninguém verdadeiramente culto que proclame ter tal qualidade e, como é sabido, só os adolescentes insistem em considerar-se adultos.
Faria bem melhor a RTP 2 em não se presumir tão culta. Para não tornar demasiado evidentes os atentados de lesa-cultura que vai cometendo. Ainda há dias abri a boca de espanto com um deles, durante a exibição de um documentário francês de promoção turística sobre o Quebeque, inserido numa série denominada (vá-se lá saber porquê) Flavors.
O referido programa mostrava edifícios históricos da cidade de Montreal. Às tantas ouvimos a seguinte frase, proferida na locução portuguesa: “A arquitectura do seu hotel de cidade reflecte todas as influências da sua história movimentada.”
Câmara municipal ou prefeitura – hôtel de ville, em francês – foi assim traduzida à letra pela absurda expressão “hotel de cidade” por quem ignora os rudimentos da língua francesa. Só podia dar asneira.
Procurei a ficha técnica portuguesa, na expectativa de ver quem assinava a tradução e a locução deste documentário. Em vão: a coisa é anónima. Não pode haver maior incentivo para a asneira.
Nada culto, portanto. E nada adulto num canal de televisão capaz de cometer erros tão infantis. Com o dinheiro de todos nós.

![681x454[1].jpg 681x454[1].jpg](https://delito.brucke-multimedia.com/images/2016/19971053_UaGH2.jpeg)
E veem os cidadãos estas coisas dans leurs salles d’être.
Um autêntico cu de Futre.
E quando chegar a Londres e visitar a “City Hall” … aguardemos pela tradução.
Para já não falarmos das traduções e legendagens dos canais de filmes das operadoras por cabo, feitas por brasileiros para português brasileiro …
E o pânico com milhões e milhares de milhões, com bilhões e biliões, etc nos telejornais de todas as estações…
Cumprimentos
Sim, mas as operadoras por cabo que contratam tarefeiros brasileiros para “traduzir” filme e séries não se presumem “cultas e adultas” nem são pagas pelos impostos dos portugueses. Ao menos isso.
um canal de televisão capaz de cometer erros tão infantis. Com o dinheiro de todos nós
Errar é humano e os erros nada têm a ver com a origem do dinheiro que paga o canal. Uma televisão pública tem tanto direito a cometer erros (involuntários) quanto uma privada.
O que vale à RTP é a indulgência de alguns cidadãos, capazes de contemporizar com os erros mais grosseiros embora comparticipem enquanto cidadãos do esforço financeiro para sustentá-la.
Um canal que se proclama “culto e adulto” não pode cometer erros básicos destes. Dei apenas um exemplo, poderia trazer aqui largas dezenas. Também não deve exibir documentários sem a respectiva ficha técnica, o que é incorrecto a vários títulos.
Ofereço um semana de férias em Cabo Verde ao “postador” que mereça o acordo do impagável Lavoura!
Mas eu estou de acordo com este post!!!
Só comentei uma única frase, a qual parece sugerir que uma televisão pública tem menos direito de errar do que uma privada, coisa que me parece discutível.
A TV publica só existe por causa da ameaça de agressão violenta do Estado feita em seu nome.
E o marxismo, Lucky? Desta vez não mencionou o marxismo.
Em cheio, Pedro Correia, bom dia! Que “choio”, e sem perguntas… com o nosso dinheiro…
Ná pá de quá.
Chapeau!
Chapeaux are beaucoups, comme dit l’ autre…
A tradução e legendagem (bem como a locução) dessa série – aliás, boa – deve conter o maior concentrado de disparates da tv portuguesa actual. E não é porque outras, tanto na pública como nas privadas e canais de cabo, não lhe dêem fortíssima luta. Para não falar dos rodapés dos programas noticiosos. Ou das enormidades que pivots e apresentadores proferem (já perdi a conta às vezes que se dizem coisas do género “o orçamento de Estado está sobre vigilância da UE”…).
Mas, nos livros, é igual ou pior: estou a ler a tradução portuguesa da autobiografia do Bruce Springsteen e já me arrepiei inúmeras vezes…
Por tudo isso, João, começo a convencer-me de que temos o dever de ir apontando algumas desta calinadas mais gritantes. Pode ser que sirva para melhorar alguma coisa, sei lá. A começar pelos “cultos e adultos” da RTP2.
Caro Pedro Correia
Subscrevo, assino por baixo.
Não pretendo ser deselegante mas, porventura, quem assim se pronunciou tinha na memória um outro edifício, enorme e imponente (não vou dizer o nome), também na mesma cidade. Coisas belíssimas, numa estupenda cidade, já lá vão 15 anos, foi um pouco antes do 11 de Setembro.
António Cabral
É uma bela cidade, António. Não merece tanta calinada. E as línguas portuguesa e francesa também não.