“Por isso, a situação actual não é filha de um único evento, mas de dois: a “bancarrota Sócrates” e a governação desastrosa do PSD-CDS dos últimos quatro anos. Como já escrevi várias vezes, a crise de 2008-2011, abriu caminho para uma outra crise, que tem sido responsável pela estagnação da Europa em contraste com os EUA. E o que se seguiu, para países como Portugal, foi menos dramático do que a iminência de não ter dinheiro nos cofres, mas foi, num certo sentido, pior: foi a redução do país a uma política que, acentuando as desigualdades e a pobreza, destruindo os escassos recursos que existiam, erodindo a frágil classe média e obrigando à emigração dos mais qualificados, impedindo qualquer política de desenvolvimento, tornou o país num medíocre executor de políticas com um único objectivo: pagar a dívida que é hoje, no meio da crise bancária e financeira, uma linha de vida para os credores. Pequenos que somos, não contando muito para os balanços, contamos para o exemplo. Aí contamos muito mais do que devemos, daí a enorme pressão política sobre o Governo Costa, que tem garantida a enorme hostilidade dos mesmos que tornaram estas políticas a variante nacional da TINA. O problema não é de “desconfiança”, é de hostilidade — ele não é dos nossos, não é o que foi Passos Coelho, logo, vamos ensiná-lo como fizemos aos gregos. Com os resultados brilhantes que se vêem na Grécia.
O contentamento mal escondido da direita radical com as dificuldades do Governo Costa coloca-a com entusiasmo ao lado da vozearia que vem de Bruxelas e Berlim, alguma de uma arrogância que devia ofender já não digo um patriota, mas um português que gosta do seu país.” – José Pacheco Pereira

O SAC e o Pacheco Pereira pensam que o caminho seguido resulta de opções ideológicas com algum sustento de logicidade, é esse o seu erro (desconhecimento).
O caminho que nos é imposto ( a Portugal, França, Itália, Grécia, Espanha e noutro cantos do mundo) sob capas diferentes, aqui foi a bancarrota, resulta da necessidade de criar um facto / problema aparentemente insoluvel e de seguida apresentar a solução radiosa.
Eu como Nacionalista que despreza todos os traidores que têm destruido Portugal desde 74 (nasci depois da revolução) e reconhece a poucos honestidade intelectual e de acção só me resta assistir sereno. A intoxicação da povo é tão grande que ninguém poderá fazer nada, a sociedade está cada vez mais doente, o individualismo é glorificado, os esquemas são bem vistos por todos, desde o mais pequeno ao maior, quem pensa por si e mostra superioridade intelectual é olhado de lado, quem aponta as verdades é visto como ovelha negra.
A malta entretem-se a discutir aumentos de salário / pensões no valor de poucas DEZENAS de euros e esquece-se que só num fim-de-semana alguém decretou que a divida do País aumenta-se mais 3 Biliões de euros (no minimo).
P.S. – Caro SAC não se esqueça que apenas 3% dos votantes nas ultimas eleições presidencias votaram em candidatos fora do sistema e que a sua votação (junta) ficou abaixo do Tino de Rans, acha mesmo que um povo assim quer ser ajudado.
” Quem se coloca no terreno nacional não tem partidos, nem grupos, nem escolas…”
A actuação de Costa ao remover Seguro, a “elasticidade” da sua coluna vertebral ao agir como agiu depois de falhar estrondosamente e precisamente naquilo de que acusou Seguro, a pantomina sem escrúpulos a que se entregou para a qualquer custo agarrar o poder (dir-se-ia um caso de fraude à lei), a sua submissão – em mais do que uma ocasião de forma explícita – aos ditames do bloco e do partido comunista (agremiações cuja ideologia é o que historicamente se sabe e que só mesmo um flagrante exemplo de justiça dos vencedores permite que subsistam, interditando o que seria a reciprocidade natural), a atitude de revanchismo mais que indisfarçado de Catarinas, Apolónias, Galambas e talibãs afins, parecendo gozar a “sua” hora de verdadeiro ajuste de contas mesmo que à custa de uma verdadeira política de terra queimada.
Eis razões muito válidas, antes mesmo de se entrar nos números, para que um português patriota anteveja o pior e se revolte com esta arrogância alucinada das esquerdas.
De Pacheco Pereira não sei que dizer. Habituei-me a respeitá-lo intelectualmente, mesmo (talvez até sobretudo) ao discordar, mas dir-se-ia que alguma pessoalissima agenda o cega e tudo lhe justifica.
Costa
Bravo!
Caro Sérgio,
Também eu concordo com José Pacheco Pereira em alguns aspectos, nomeadamente no que concerne à primazia da política face à economia. É das poucas características weberianas que Pacheco Pereira ainda respeita. No entanto, o comentador tem deambulado recentemente por lugares discursivos muito mal frequentados. Este excerto é disso exemplo.
Explico-me. Já há algum tempo que, por dever de ofício, me dedico ao estudo dos autoritarismos do Norte de África. Em Mubarak, mas também em Ben Ali, encontrei com bastante frequência frases que atribuem às críticas contra o regime “uma arrogância que devia ofender já não digo um patriota, mas um [egípcio, tunisino] que gosta do seu país.” Convenhamos que não é um argumento especialmente edificante.
Caro Diogo,
Sim, esse argumento não me parece o melhor, mas também não preciso de dizer-te que ele foi sobejamente usado no passado, quer por Passos Coelho, quer por muitos outros, incluindo um recente condecorado com a Torre e Espada em relação aos seus compatriotas.
Mas o que eu gostaria de ver rebatidos são os outros argumentos. Ponto por ponto.
O facto de JPP agora deambular por lugares discursivos “muito mal frequentados” (desconheço o que isso seja, mas se o dizes deve ser um facto relevante) devia ser um argumento no sentido de que aparecessem respostas que “dessem cabo dele” e da sua argumentação, em vez de se limitarem a atacá-lo por ser quem é e como é. A começar pelo partido a que ele ainda pertence.
Caro Sérgio,
Digo “mal frequentados” porque, reparando bem, este excerto que aqui colocaste é uma adaptação perfeita dos discursos de figurinhas sinistras como Mubarak e demais autocratas árabes (admito que de outros também, mas conheço melhor a realidade dos autoritarismos árabes).
Se não, vê: primeiro culpa-se um passado irresponsável (aqui Sócrates e Passos, lá o colonialismo); depois subentende-se a “ameaça estrangeira” (aqui a Europa tecnocrática, lá o imperialismo americano e o sionismo israelita); por fim lança-se um anátema sobre toda e qualquer forma de crítica ao poder incumbente. Cópia perfeita, Sérgio.
Como vês, não se trata de uma crítica ad hominem. Trata-se de constatar que José Pacheco Pereira, de facto, anda mal acompanhado no tipo de argumentos que desenvolve.
Não percebo onde está a narrativa desagradável. Gosto imenso de ficção científica, do uso da imaginação na escrita, adoro a prosa que sabe iludir o seu leitor e que consegue envolver num diáfano manto de fantasia a repetição da sua falta de ideias…
Sr. Naves:
«Mutatis, mutandis», o mesmo se pode dizer da sua prosa ilusória, não acha?
Falta de espelhos, é o que há por aí muito.
Veja-se num, nem que seja comprado numa loja dos chineses.
Para o efeito, a qualidade não interessa muito.
Conseguem devolver imagens muito fiéis.
Tem toda a razão: não gosto do que o senhor escreve, o senhor não gosta do que eu escrevo. é justo. Mas há aqui uma subtileza: não tenho dinheiro para comprar espelhos chineses, pois o que escrevo aqui é gratuito, não sou pago para escrever, não tenho o seu acesso a órgãos de comunicação e não tenho a sua influência. Ou seja, não tenho a sua responsabilidade.
Sr. Naves:
Enganou-se redondamente no número da porta.
Deve estar a falar de outra pessoa.
Sou um cidadão comum.
Ponho aqui um ou outro comentário e em mais um ou dois blogues, nada mais.
Mais uma ilusão naviana.
Incomodidades? sim pode-se ver a incomodidade do Pacheco Pereira com a expressão “bancarrota Sócrates” .
Mas onde mais se pode ver a incomodidade de Pacheco Pereira é ao ter de exportar para o exterior uma crise que é nossa, só nossa.
E foi criada por pessoas que pensam como ele que colocam a construção de riqueza e prosperidade no endividamento do Estado.
Como corolário patético desse desastre intelectual diz-nos que ser patriota* é o Estado continuar a pedir emprestado dinheiro ao “estrangeiro” e não pagar**.
Muitos incluindo pelos vistos o autor deste post continuam a julgar que o crescimento pode ser a qualquer custo.
* Hoje já não é xenófobo ser patriota, claro só até a Esquerda voltar a dizer que volta a ser.
** “uma linha de vida para os credores” Talvez para a Segurança Social atulhada em Dívida Portuguesa…
http://observador.pt/2015/07/20/fundo-da-s eguranca-social-75-esta-investido-em-div ida-publica-portuguesa/
O património do fundo da Segurança Social valorizou 15,4% no ano passado, para 13,5 mil milhões de euros. Fundo tem mais de 10 mil milhões em dívida pública que pesa já 75% nos activos.
Isto são os malvados mercados e os malvados credores.