Inaceitável


Pedro Correia,

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Amarga ironia: a única deputada independente do parlamento português é impedida de falar na sessão solene alusiva ao Dia da Liberdade.

Por mais que discorde do que Joacine Katar Moreira possa dizer, defenderei sempre o seu direito a falar no hemiciclo. Sobretudo num dia como este.

Se ela continuar impedida de subir à tribuna parlamentar no 25 de Abril, Ferro Rodrigues volta a cobrir-se de vergonha. Com máscara ou sem máscara.

36 comentários em “Inaceitável”

  1. Pedro Correia, não vou estar com eufemismos.
    Os gajos não querem que ela gagueje num acto tão solene (pensam eles, eu por mim é um acto reles).

  2. Há coisas que não entendo. A começar no pecado, para algumas pessoas, que parece ser melhorar a nossa constituição… e digo melhorar, pois tudo pode ser melhorado… sim, até a constituição… e a terminar no tão famoso regimento da assembleia. Porque serão sempre os mesmos avessos a revisitar estes documentos? E neste caso, acabam eles próprios a silenciar a sua protegida. Que gente mais vazia, incapaz de evoluir, de se adaptar à atualidade e às exigências do hoje.

  3. É muito fofinho da tua parte preocupares-te com quem pode falar ou não na sessão do 25 de abril, a sério que é.
    E eu percebo que seja estranho para ti, que sonhas com um antónio que tome conta disto tudo, mas acontece que a casa da democracia tem regras, vê lá tu.

      1. O pior é que este gajo anónimo ainda não deve ter lido a notícia e por isso não sabe que, ironia das ironias, o chega votou a favor da intervenção da deputada e que os blocos, comunas e vegans votaram a favor de a calar.
        Os mesmos que fizeram esta birra pelo festejo da liberdade em pleno estadode emergência, não a querem deixar falar. A sério… o que eu já me ri.
        Mas este gajo anónimo também cometeu o mesmo erro que eu… ou seja, pensou que esses defensores da liberdade estavam a cumprir regras regimentais. Mas parece que não. Parece que bastava a maioria do parlamento votar a favor da intervenção da deputada, para que ela tivesse a sua intervenção garantida.
        E a maior ironia é que ela também quis esta celebração… e agora vai-se juntar àqueles anormais, arriscar-se a um contágio e nem pode abrir a boca… e aqueles que até acham que ela tem o direito de falar, são aqueles que ela tanto despreza… o il e o chega. É a fina ironia

      2. Então, pá, a insultar uma pessoa que se dá ao trabalho de vir aqui comentar os teus posts tão filosoficamente profundos?

        1. Hei, em lado nenhum identificas um insulto. A não ser que aches ofensivo chamar-te gajo. Mas é uma expressão fruto do regionalismo… na minha região, gajo é inofensivo.

      1. Mesmo. Agora vamos aguardar para ver quem vai ser o primeiro a dizer que o voto do il e do chega foi uma decisão populista…. com um jeitinho vai ser a própria deputada em causa…

  4. Concordo, mas se assim acontecer a culpa não será só do Ferro, convenhamos. Todos os partidos terão culpas no cartório.

    Obsceno, miserável é também o bloqueio que é feito a vários países nesta altura de pandemia. Impávidos os povos assobiam para o lado…

    1. A responsabilidade principal é do presidente da Assembleia da República: se ele quisesse exercer a sua magistratura de influência dizendo que fazia questão em que a deputada independente falasse, precisamente em nome da liberdade que ele tanto diz prezar, certamente os partidos escutavam-no.

      A menos que seja só um verbo de encher, uma espécie de jarrão figurativo – hipótese que também não excluo.

  5. O Pedro Correia tem que manter este blogue. Tem que sustentá-lo. Para isso, tem que escrever posts a criar polémica. Mesmo que esses posts sejam, como é o caso, algo vazios de conteúdo. E mesmo que esses posts sejam, como é o caso deste, pouco rigorosos.

    Quem impede Joacine de falar não é Ferro Rodrigues, é o regimento da Assembleia. Ferro Rodrigues não manda na Assembleia: ele aplica o regimento. E o regimento diz que os deputados sem partido não podem falar na Assembleia. Nunca. Podem votar, mas não podem falar. E este regimento já se aplica há muito tempo. É por isso que, desde que Joacine saiu do Livre, nunca mais falou na Assembleia e, coitada, pouco mais se ouviu falar dela.

    Se o Pedro Correia acha que o regimento da Assembleia está mal, critique-o, mas não chateie Ferro Rodrigues por algo de que ele não tem culpa nenhuma.

    1. A responsabilidade principal é do presidente da Assembleia da República: se ele quisesse exercer a sua magistratura de influência dizendo que fazia questão em que a deputada independente falasse, precisamente em nome da liberdade que ele tanto diz prezar, certamente os partidos escutavam-no.

      A menos que seja só um verbo de encher, uma espécie de jarrão figurativo – hipótese que também não excluo.

    2. Ferro Rodrigues não manda na Assembleia: ele aplica o regimento.

      Ele faz muito mais do que aplicar o regimento. Ele opina sobre o conteúdo das intervenções dos deputados (veja por exemplo o video do “então vínhamos de máscara para o 25 de Abril?” que está publicado em vários jornais e confira o TOM e o que ele DIZ sobre o que “alguns” vão dizer) — talvez esquecendo-se de que o cargo dele não é representativo, deve ser imparcial, e os dos deputados É representativo e não precisa de ser imparcial. Portanto o PAR não pode dar lições do que é democrático ou não é democrático a ninguém.

      Ele que cumpra o seu papel mas cumpra o seu papel respeitando o voto popular, isto é, fechando o bico. Ele não é dono da democracia, não é dono da história dos povos, o que ele pensa que é bom e correcto não interessa a ninguém. Já tem o privilégio de ganhar uma pipa de massa sem ter de fazer a ponta de um corno portanto não chateie.

      1. Ele opina sobre o conteúdo das intervenções dos deputados

        Todos os deputados opinam sobre os conteúdos das intervenções uns dos outros. FR é um deputado que, tal como os restantes, tem o direito de criticar os outros deputados.

        o cargo dele não é representativo, deve ser imparcial

        Erro. Ele é um representante do povo, tal como os restantes. Deve ser imparcial na forma de conduzir os trabalhos da Assembleia mas, afora isso, tem o direito de exprimir a sua opinião tal como os restantes.

        cumpra o seu papel respeitando o voto popular, isto é, fechando o bico

        O papel de um deputado é, precisamente, não fechar o bico. O papel de um deputado é, precisamente, falar para exprimir a opinião do povo que o elegeu.

        Vejo que você tem uma relação difícil com a democracia.

        1. Não não tenho nenhuma relação difícil com a democracia — “fechar o bico” é uma expressão para passar uma ideia, não é um desejo meu. É uma esperança (sempre infundada) de que as pessoas tenham mais categoria. Eu aliás, tenho muitos mais pruridos e princípios de intransigência com o funcionamento ISENTO da democracia do que toda a tropa fandanga dos partidos e sobretudo os partidários do PS que como é sabido têm todos princípios de geometria muito variável, tirando um ou outro que foram quase banidos do partido imagine lá porquê.

          E é normalmente contra isso que me insurjo, como no caso de FR. Tirando isso, aliás, não tenho nada contra FR. E muito menos interesse em FR.

          Agora… não posso concordar com o que acaba de dizer.. Como PAR, Ferro Rodrigues tem um dever de imparcialidade porque ali dentro ele representa a instituição e é o guardião do regimento e já não é um deputado — se fosse também votava nas deliberações e o PAR não vota, tanto quanto sei. Conta os votos lá no mostrador e conta muito bem porque é voto electrónico — se fosse ele a contar com o dedo provavelmente enganava-se.

    3. Se o meu caro ler com atenção a notícia do público, percebe que o regimento é omisso nessa questão. Como tal, a decisão da deputada discursar foi colocada em assembleia de lideres e, pasme-se, ela foi silenciada por todos os partidos, com excepção do il e do chega, que foram os únicos a votar favoravelmente à sua intervenção. Portanto esta decisão não tem nada de regimental.

      1. Obrigado pela sua importante correção.

        De qualquer forma, o essencial do meu comentário mantém-se: não é por vontade nem por imposição de Ferro Rodrigues que Joacine não falará. Ferro Rodrigues nenhuma culpa tem. Quem tem culpa são os partidos (exceção à IL e ao Chega), que não querem que ela fale.

        1. Ferro Rodrigues é o “rosto” do parlamento. O que lá suceda, de positivo ou negativo, tem em primeiro e último lugar, um responsável. Que é ele.
          Se estiver lá só para fazer de jarrão chinês, ponham lá então um jarrão em sentido próprio. Sempre fica mais barato.

  6. “Defenderei sempre o seu direito a falar no hemiciclo”.
    Concordo.
    Sobretudo, porque nunca assisto.
    De resto é um caso de reles vs reles…de pantomina

  7. Na minha opinião pessoal,

    é uma vergonha termos uma deputada como a Joacine, pois a democracia e a
    liberdade são tratadas por esta deputada com falta de educação, agressividade e falta de bom senso, bem evidentes em algumas das sua intervenções.
    Para ela tudo é racismo. É uma pessoa que revela grande falta de cultura democrática.
    E por muito que me custe dizer isto, é melhor estar calada porque em tudo onde intervém só revela ódio.

    1. Joacine, tenha os defeitos que tiver, foi eleita.
      Vergonha era se tivéssemos deputados não eleitos.
      “Melhor estar calada” é próprio de ditaduras, não de democracias.

    2. Concordo com tudo menos o último parágrafo. É bom que fale para se perceber o embuste que são as quotas, as discriminações, os géneros, os coitadinhos dos pretos, os “refugiados” e todas essas patranhas que alguns obrigam os outros a engolir há tempo demais.

      Ela é a sua própria refutação. Nem Karl Popper conseguiu demonstrar isto tão bem.

  8. a ironia de tudo isto não pode deixar de dar vontade de rir. Pronto, sorrir.

    No dia de comemoração da “liberdade”, após o Parlamento votar uma Sessão Solene em Estado de Emergência, a Joacine ser impedida de falar… nenhum argumentista faria melhor.

  9. Não percas tempo com o 25 de abril, pá, que como dizia o outro – é uma cena que não te assiste :)))
    Melhor seria se dedicasses a cabecinha (cabecinha, atenção, não disse cérebro…) a procurares o ditadorzinho com que sonhas. Tens o André Ventura, tens o Chicão, pá, nunca se sabe. O Bolsonaro também ninguém podia prever que ia dar um grande estadista (aqui é ironia, para o caso de não perceberes, ok?).

    1. “Comemoras” o 25 de Abril aplaudindo a censura imposta a uma deputada independente.
      Discriminada por ser mulher, negra e gaga.

      Bolsonaro olha para gajos como tu e levanta o polegar para cima.

  10. Atacar constantemente o Ferro Rodrigues e defender a joacine.
    É que ambos, infelizmente foram eleitos.
    O seu critério é :
    O Ferro Rodrigues que fale para eu poder criticar.
    A Joacine (que pelas regras não pode). Que fale porque deve ser um direito.

    Tem bom remédio, case-se com ela…

  11. O Senhor Presidente da Assembleia da República nunca teve vergonha na cara.
    O pior é que nos cobre a nós de ridículo, porque a vergonha alheia existe e incomoda. A máscara da prepotência, essa sempre a usou.

  12. “Por mais que discorde do que Joacine Katar Moreira possa dizer, defenderei sempre o seu direito a falar no hemiciclo.”

    Concordo, na generalidade, com o princípio enunciado. O problema encontra-se no acto de falar, em concreto. A M.I. deputada, eleita apenas por encabeçar a lista onde se canditava, porque se figurasse no enésimo lugar nunca teria sido eleita, apresenta dificuldades conhecidas em articular palavras. Fazendo uso apenas do bom senso, gagueja tanto ou mais do que fala.

    Pode um professor ser gago? Pode um advogado de barra ser gago? Pode um controlador aéreo ser gago? Pode um conferencista ser gago?

    Não me parece e há razões para isso. Pelos mesmos motivos, discordo da possibilidade de podermos ter “representantes do povo” gagos.

    Muito à semelhança de loucos, ignorantes, pouco inteligentes, sem princípios, desonestos, corruptos, sem visão do tabuleiro em que se movem, incompetentes, sem consciência de que são, antes de tudo, servidores públicos pagos com o dinheiro dos meus impostos e de todos ou outros que não comem à mesa do OE.

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