In memoriam da Covid


José Meireles Graça,

A menos que apareçam por aí umas variantes mais perigosas, para grande alegria da comunicação social que corre sérios riscos de, para não investigar coisa alguma, ser obrigada novamente ao recurso de atordoar o número decrescente de leitores com as alterações climáticas e outras tretas milenaristas sortidas, a Covid já era.

Já era e agora que as vacinas, apesar de todos os tropeços, estão a ser difundidas ainda mais do que os disparates em torno deste assunto, é que já se pode fazer um balanço tentativo:

  • Conforme foi assinalado por uns originais a início, a doença é relativamente benigna: desde o princípio morreram menos de 0,2% dos habitantes em Portugal e bastante menos no resto do mundo. Mesmo que se continuem a somar, mais de um ano decorrido, mortos, e se a compare com outras doenças contagiosas, tinham razão aqueles que desvalorizaram a imaginária tragédia, que só o acabou por ser por causa do pânico que se espalhou pelo mundo e a consequente mobilização quase exclusiva dos sistemas de saúde, desprezando o tratamento de outras doenças, bem como o dano económico das medidas, cretinas umas, histéricas outras, e arbitrárias muitas;
  • As ditaduras, a começar pela China, deram muito melhor conta de si a lidar com o problema porque impuseram medidas radicais desde início, para acéfala inveja das democracias. A dificuldade de tratar os cidadãos como gado é porém um sintoma de superioridade civilizacional e não o contrário. Lidar com a criminalidade costuma ser mais fácil em ditaduras porque o mesmo aparelho que serve para garantir a sobrevivência do ditador também serve para conter o crime, o que não significa que devamos viver em ditadura. Com a Covid é, e foi, igual;
  • A democracia é, mesmo naqueles raros países que a têm no código genético, como o Reino Unido e os EUA, frágil: basta que uma mistura de comportamento de manada induzido por uma comunicação social que esqueceu o seu antigo papel de contra-poder, a ignorância, a insensatez, o oportunismo dos responsáveis políticos e a petulância de cientistas (com aspas a maior parte deles, e entre nós alguns, em especial matemáticos, claramente idiotas sábios) subitamente promovidos a uma notoriedade que os deslumbra, para se pontapearem direitos básicos como o da liberdade de circulação, o da propriedade, o de não ser preso sem culpa formada e sobretudo o da livre expressão da opinião, fortemente condicionada na prática pelo silenciamento factual de vozes dissonantes;
  • A Natureza tem horror ao vácuo, disse Aristóteles, e almas ingénuas como a minha acreditavam que na política era igual: há sempre um partido para patrocinar causas minoritárias. Engano: nenhum defendeu consistentemente direitos constitucionalmente garantidos, nem um princípio cautelar nas medidas, isto é, se não eram piores as emendas que os sonetos. Já o nosso endividamento estelar e a certeza de que o que gastamos com dívidas que acumulamos será pago mais à frente contou com a completa omissão nas notícias e nas decisões menos do que deveria;
  • A famosa classe média, que espíritos agudos acham entre nós uma criação do Estado, distinguiu-se por um entranhado amor a todas as medidas, e um equivalente ódio a quem as contestasse; e as autoridades puderam sempre contar com um esquadrão de bufos disponíveis para acusar o vizinho de ter mais gente em casa do que lhe era permitido, o boteco ou estabelecimento da zona que desesperadamente tentava sobreviver aceitando clientes e o cidadão anti-social que ou não fazia gala de andar açaimado, ou se passeava a mais de xis metros da sua residência, ou ia à praia, ou, ou, ou.
  • Não é que tivesse sido surpresa, mas a casta dos funcionários públicos não foi nem ao de leve beliscada no seu privilégio de não ser despedida, ver o seu rendimento intocado mesmo não trabalhando, ou fazendo-o à distância, que é uma porta aberta para que todo o preguiçoso se pendure na improdutividade sem penalização. É esta casta, mais a dos pensionistas, estes legitimamente assustados pela incidência da doença sobretudo nos mais velhos, que constituiu o exército de choque do apoio ao reforço da estatização, consistente, entre muitas outros sintomas, na ridícula deificação de funcionários que se distinguiram pela sua patente mediocridade palavrosa, como a patética avozinha da Nação, Graça Freitas;
  • As polícias comportaram-se sempre do modo que todas as polícias sempre se comportam em todos os regimes que atropelam direitos de cidadania: manda quem pode e obedece quem não deve. Disto fica um lastro – os agentes habituaram-se ao exercício da autoridade sem medida, porque quem pode o mais pode o menos; e o recurso à supervisão dos tribunais, que quando foram chamados decidiram quase sempre a favor do cidadão, foi limitado na prática pelo incómodo e pelo custo;
  • A Presidência da República, no seu papel de garante da Constituição, falhou: Marcelo nunca garantiu mais nada do que a sua popularidade, e portanto ficou a saber quem não sabia que só se pode contar com ele para reforçar a ditadura da maioria. Isto para não falar da sua miserável hipocondria, um detalhe anedótico como quase tudo na personagem;
  • Os partidos falharam: aqueles que esboçaram reacção, isto é, o PCP, a IL e o Chega, foram peados o primeiro pelo seu desconforto a desconsiderar o Estado, o segundo pelo medo de perder o eleitorado de que necessita para crescer e o último pelo reflexo condicionado de defender o papel das polícias; o PS é a tropa de choque cega do rebotalho que pastoreia a grei; e os outros foram iguais a si próprios, com perdão da injúria;
  • A comunicação social falhou: hoje os jornalistas, não se sabe se pela formatação que lhes dá a formação de que estão albardados, se pela escassez de meios que os impede de fazerem trabalho sério (no intervalo de espremer as espinhas e tratar da acne), se pela dependência de subsídios, se pela concorrência das redes sociais gratuitas, ou por uma conjugação de tudo isto, demitiram-se do seu papel fiscalizador do Poder e adoptaram o de câmara de eco dele, mais o de gurus da opinião, para cujo desempenho geralmente nem têm conhecimentos, nem autoridade, nem gramática;
  • Finalmente, uma triste sequela da Covid é a legislação abjecta que a União Europeia primeiro, e a nossa Assembleia da República depois, acabam de parir, cavalgando oportunisticamente a maré da confiança no Estado e no burocrata autoritário que, um pouco por toda a parte, e entre nós paroxisticamente, o povoa. Sinal dos tempos: a AR, que na pomposa formulação oficial é a casa da democracia, salientou-se como a casa do controlo do pensamento das pessoas que desalinham da verdade oficial. E, com a abstenção do PCP e o seu alter-ego PEV, Chega e IL, estes ficaram a merecer, se ainda delas não eram objecto, reservas, e os restantes o desprezo das pessoas, sem dúvida poucas, que não sejam ovinos. A isto voltarei, quando conhecer integralmente a Lei e não o que dela dizem terceiros, se um dos novos censores que virá reforçar a ERC não se encarregar entretanto de patrulhar a blogosfera para “proteger a sociedade contra pessoas singulares ou coletivas, ‘de jure’ ou de facto, que produzam, reproduzam e difundam narrativas desse tipo” (fake news, que já se vê será a autoridade a decidir que o sejam, e narrativas, que não é difícil adivinhar que serão discursos sem a chancela do bem-pensismo oficial, quando este se sinta agredido).

 

Não creio que seja necessário voltar à Covid, mesmo que a doença se some ao catálogo das que vivem entre nós, e ainda que haja muitos países onde, por razões várias, tenha espaço para fazer o seu caminho, que a comunicação social devidamente ampliará; ou a menos que apareçam novas variantes mais letais. E a história deste vento de loucura ao qual não nos eximimos não será feita nos tempos mais próximos: os responsáveis políticos têm de se aposentar primeiro; e a população sofrerá da amnésia colectiva que a afectou sempre que comprou histórias da carochinha – quando elegeu, com maioria absoluta, um celerado megalómano, por exemplo.

23 comentários em “In memoriam da Covid”

  1. Era bom poder dizer que a Covid já era, mas isso é tudo menos certo.
    Não sei se andou por cá há pouco tempo, mas o nosso sistema de saúde chegou ao limite do número de doentes que podia receber, para grande escândalo dos nossos bem pensantes. Pelos vistos não houve nem doença nem razão para alarme. Quanto ao número de mortos se calhar seria maior sem medidas. E é sempre um número pequeno quando não nos calha a nós.

    1. Era bom poder dizer que a Covid já era, mas isso é tudo menos certo.

      Nada é certo nesta vida, mas com vacinas, como o José Meireles Graça bem diz, a covid terá efetivamente acabado.

      o número de mortos é sempre um número pequeno quando não nos calha a nós

      Não. O número de mortos é efetivamente pequeno. Num ano, morreram 17 mil portugueses com o vírus. Ora, num ano morrem em média uns 120 mil portugueses. De onde, o acréscimo de mortalidade devido à covid não terá excedido os 20%. Isso é comparável a um ano péssimo de gripe; não é nada do outro mundo.

      o nosso sistema de saúde chegou ao limite do número de doentes que podia receber

      Sim, mas isso todos os anos chega, com a gripe. Em qualquer episódio de frio intenso como aquele que houve em janeiro, o sistema de saúde rebenta pelas costuras devido à gripe. Esta ano rebentou pelas costuras devido à covid-19, o que não faz muita diferença daquilo que acontece noutros anos.

      1. Parece mais uma afirmação de fé do que uma afirmação com bases. No ano passado dizia-se que era menos mortal do que a gripe, afinal é igual a uma gripe muito má. Mas nas gripes não se fazem confinamentos nem se usa máscaras. Ou as medidas tiveram um efeito nulo, o que é duvidoso, ou havia ali qualquer coisa. Dizer que não existiu nada de grave só com uma análise muito enviesada. Aliás toda esta análise está torta, tanto se diz que a doença não era grave como se diz que só é combatida eficazmente por ditaduras, porque só nelas se podem aplicar as medidas de restrição violentas. O corolário disto seria que é preciso um governo totalitário para tratar a gripe.
        As ditaduras têm algo que a democracia não tem, controlo de informação. Se é verdade que na China se fizeram hospitais de campanha para milhares de pessoas, então não acredito que tenham em cidades do tamanho de Pequim somente algumas centenas de casos. Há nitidamente aqui desinformação estatal. A ideia de ter cá alguém a determinar o que é notícia falsa e o que é notícia verdadeira é arrepiante, a não ser que queiramos ter a suposta eficiência da China.
        Há um ano todos estávamos convencidos de que o pior tinha passado no princípio do verão, mas aconteceu o que acontece sempre em Portugal – meteu-se inesperadamente o Natal.

        1. E a época do Natal que por acaso coincidiu com o início da toma das vacinas, e que também coincidiu com o período mais frio do ano.
          Se o Natal teve tanta influência porque é que a maioria das mortes foi nos lares?

          1. Pretendia ser irónico com a referência ao Natal. Podemos dizer que não se meteu o Natal, mas sim o facto de ainda não haver vacinas e o frio do inverno. De qualquer modo o frio do inverno e a inexistência de vacinas em dezembro do ano passado só foram surpresas para aquele tipo de pessoas que se esquecem que todos os anos há Natal.

        2. Há nitidamente aqui desinformação estatal.

          Não. Os números da covid também são excecionalmente baixos em países democráticos como a Coreia e o Japão e Taiwan.

          A hipótese mais razoável é que as populações daquela parte do mundo já tenham alguma imunidade genética aos coronavírus.

        3. aconteceu o que acontece sempre em Portugal – meteu-se inesperadamente o Natal

          Isso é uma teoria sem qualquer fundamento experimental. Não há quaisquer observações que nos permitam afirmar que as celebrações do Natal foram descuidadas e conduziram a um grande aumento da infeção.

          Há, pelo contrário, observações experimentais de outros dois fenómenos que, consabidamente, conduzem a um aumento da infeção: o frio extremo que se fez sentir, e a entrada em Portugal da variante inglesa (esta favorecida pela abertura aos vôos para Inglaterra que o governo decidiu, num do seus maiores erros na gestão desta epidemia, permitir).

  2. “a doença é relativamente benigna”: claro, sobretudo quando boa parte da economia está parada como resultado de evitar contactos de proximidade. A minha trisavó tão pouco teria morrido se ainda estivesse viva. Não nos devemos preocupar com a morte como já dizia o Bolsonaro, ou piegas como dizia o outro.

    1. “a doença é relativamente benigna”: claro, sobretudo quando boa parte da economia está parada

      Não. O vírus é efetivamente benigno, na medida em que a grande maior parte das pessoas infetadas não desenvolve doença, ou desenvolve-a muito ténue. Se a economia não estivesse parada, muito mais gente teria talvez sido infetada e muito mais gente teria morrido, mas ainda assim o vírus teria continuado a ser benigno, na medida em que somente uma muito pequena parte dos infetados teria problemas graves. Ademais, grande parte daqueles que tem problemas graves tem-nos devido à fraqueza anterior à infeção (devido a velhice, diabetes, excesso de peso, etc) e não devido a o vírus ser muito agressivo. Se a economia não tivesse estado parada, presumivelmente muito mais gente teria sido infetada, mas o acréscimo de mortalidade não teria sido muito grande, pois somente os infetados muito debilitados é que sofrem a sério.

      A doença é efetivamente muito benigna. Doenças malignas são a malária, a varíola, a cólera, o tifo, o ébola. Este viruzeco não tem qualquer comparação com esses outros.

  3. A história da covid é como a história das vítimas de burla, é muito raro as que apresentam queixa e ainda mais raro aquelas que admitem que foram enganadas. É tudo uma questão de ego. Qual é o ego que admite que é estúpido? É muito mais cómodo seguir a manada do que ter opinião própria. Quem é que se atreve a discordar do poder instituído?
    Deixemo-nos de hipocrisia, isto não tem nada a ver com saúde, isto tem a ver com economia ou com capitalismo selvagem se quisermos os bois pelos nomes.

    1. é isso mesmo , o medo acaba-lhes com a lógica. o covid, por enquanto, é a maior fake new do século. era bem feita que o karma enviasse agora uma doença contagiosa a sério , tipo gripe espanhola.

    1. Isso é verdade de toda e qualquer doença.
      As escadas também não fazem mal a ninguém a não ser a quem cai por elas abaixo e parte algum osso.
      A questão não é saber se a covid-19 é perigosa ou não, a questão é saber se é especialmente perigosa e se justifica que se tomem certas medidas contra ela ou não.

  4. «A Presidência da República, no seu papel de garante da Constituição, falhou: Marcelo nunca garantiu mais nada do que a sua popularidade, e portanto ficou a saber quem não sabia que só se pode contar com ele para reforçar a ditadura da maioria. Isto para não falar da sua miserável hipocondria, um detalhe anedótico como quase tudo na personagem»

    Garantiu mais que a sua popularidade, pois! A do Fó Ti Mel, por exemplo. Não nos esqueçamos que o senhor até ajudou a vender Fó Ti Mel aos portugueses (e às portuguesas – que eu cá não sou racista!) para lhes (nos) garantir um reforço crucial aos seus (nossos) sistemas imunitários num momento tão crítico para as suas (nossas) saúdes, pá! E por mais que tenha sido ele, com essa divulgação de que a solução é iogurtes (e iogurtas – que eu cá não sou racista!), o grande responsável pelo milagre português (e a milagra portuguesa – que eu cá não sou racista!), ainda teve a modéstia (e o modéstio – que eu cá não sou racista!) de dar os louros ao povinho (e à povinha – que eu cá não sou racista!) que tão bem se portou, e aos profissionais de saúde que até mereceram o prémio (e a prémia – que eu cá não sou racista!) da liga dos campeões (e do ligo das campeãs – que eu cá não sou racista!) no seu país, pá!

    É uma questão de prioridades: numa altura destas, com uma pandemia tão monstruosa a ameaçar a saúde de todos, torna-se prioritário garantir a saúde das pessoas sobre a saúde da constituição (e do constituiçã – que eu cá não sou racista!)!…

  5. Muito bem observado!
    Fez muito bem em realçar o triste desempenho de alguns partidos na AR, que arvorando-se em agentes anti-sistema, mais não fizeram que apresentarem-se quais calaceiros à espera da malga onde os restantes abjectos estão fartos de refocilar.
    O desempenho do Chega e da IL, naquela votação, foi decepcionante.

    1. O Chega,IL,Ergue-te são partidos xuxalistas da treta exactamente como o Cds e o Psd sempre foram. Se o monhé chunga os convidasse para uma nova geringonça eram todos de cravinho vermelho ao peito na assembleia no dia seguinte! Uma enorme assembaleia xuxa!

  6. Bom texto deste Meireles e dos muitissimo poucos textos isentos que li aqui porque grande parte do que regra aqui é xuxa tipo o rabe jador correia e a dentolas feiona dos holiwuds. Este Meireles revela uma mente liberal e devia escrever mais aqui. Texto verdadeiramente liberal bem diferente da conversa panascal da treta dos testas sudadas da Iniciativa Liberal gemeos camuflados do BE,nem sei quem são os calhaus que votam naqueles chungs. A palavra Liberal é abusada por esquerdalhos e direitalhos alterando o seu verdadeiro significado. Um partido verdadeiramente liberal na terreola mudaria completamente tudo,infelizmente os futebois,a morcela,coiratos,copo 3,taberna,telenovelas e arruaça arrebenta são o liberalismo tuga.
    Ass:Freitas do Bacanal

  7. “…E a história deste vento de loucura ao qual não nos eximimos…”.
    Este ventos. Estaremos sempre dependentes das próximas vagas de vírus, naturais ou artificias, chinesas ou não?.
    Circula na net um curioso documento, não desmentido, intitulado:
    “Como destruir a capacidade médica hospitalar do inimigo”.
    Datado de 2015, ou seja mais de 4 anos anos antes das primeiras mortes provocadas por este volátil vírus.
    O referido documento, um Manual de instruções para militares, dá aos instruendos, entre outras, as seguintes preciosidades:
    “Utilizar o aerosol (!) de manha cedo ou ao cair do dia, visto que os raios de Sol minimizam o seu efeito.
    “Não utilizar o aerosol equanto chove pois não se espalhará convenientemente.”
    “Utilizar o aerosol de costas para o vento…”
    Detalhes que agora conhecemos já à altura devidamente ministrados aos militares. Se não é vero…

  8. Parece que são malucos mas não são parvos.
    Quem não usar máscara no acesso às praias paga multa de 50 a 100 euros.
    Mesmo sem estado de emergência, mesmo sem estado de calamidade, mesmo sem razão nenhuma.
    É um fartar vilanagem, é só roubar, é só corrupção, é vista grossa para os ladrões e o desgraçado do Zé é multado se não levar o açaime.
    Metem cercas sanitárias, tiram cercas sanitárias, qual vírus qual carapuça o governo é o maior, domestica o vírus domestica o povo, domestica tudo.
    E o povo, essa massa amorfa, suporta tudo, mete a máscara na cara, mete o cu entre as pernas e aguarda ansiosamente as novas ordens do querido líder.

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