De cada vez que recebo um e-mail da DECO o meu coração estremece. Será desta que me oferecem, sem qualquer compromisso, a casa e o carro dos meus sonhos? Se bem me lembro, da primeira vez ofereciam-me um mini hi-fi e um medidor de distâncias digital. Agora, é uma câmara digital e uma ecológica lanterna de bolso a energia solar. Infelizmente, ainda não foi desta. Mas, o dia há-de chegar. Até lá, aguardo. E confio que melhores ofertas virão.


Reparo que a DECO já aderiu ao (des)Acordo Ortográfico. É uma medida de poupança: poupam-se umas consoantes, como na palavra “exce(p)cional”. E ganha-se uma “câmara de vídeo digital ultra-compacta” que se “transformará rapidamente no seu mais discreto cúmplice”. Para mais tarde recordar.
Nada mal, para uma organização que sempre se disse apostada em combater o consumismo desenfreado, do que oferecer brindes sofisticados em tempo de crise…
Nota adicional: sempre embirrei com a expressão “os meus melhores cumprimentos”. O que será uma alternativa a isto? Os “piores cumprimentos”?
Também reparei nisso, Pedro. E não percebo o que os leva a pensar que tenho vontade de ter um discreto cúmplice.
E curiosamente, neste combate ao “consumismo desenfreado”, os brindes oferecidos só parecem mesmo sofisticados nas imagens de e-mail e restante publicidade. Quando são retirados da caixa, quase nada têm de semelhante com as imagens apresentadas pela DECO e mais parecem terem sido compradas na loja chinesa ali da esquina, tal o seu aspecto frágil e de parca qualidade!
Pois disso não sabia, Sérgio. O que diria a DECO se não fosse tratar-se da própria DECO…
Não merecem a mínima. Em quanto assinante estranhei que me mandassem propostas com lixo d’êsse para ser eu… assinante. Inquiri-os. Responderam-me fazer meu nome e morada parte d’uma base de dados que adquiriram havia pouco tempo. A quem? A uma firma Tal & Tal, Ltda., responderam. Por uma gralha typographica na morada não detectaram que eu já era seu freguez. Pois a tal firma a quem eu dera a morada com uma gralha era d’uns advogados.
Advogados e Defesa do Consummidor em negocios de dados pessoaes, hem!
E o diabo que os carregue e ao brazileiro em que redigem.
Cumpts.
Ora, essa foi outra dúvida com que fiquei. Como diabo obtiveram o meu e-mail. Mas, coloquei a possibilidade de ter pedido alguma informação no passado e de não me lembrar disso…
A DECO sempre teve as suas vantagens e uma delas não é ter aprendido o lado pior das velhas e enganadoras promoções da Reader’s Digest. É daí que vêm coisas como esta «oferta de boas-vindas»: «uma câmara de vídeo digital» e «uma ecológica lanterna de bolso a energia solar»; «tudo isto é-lhe proposto sem obrigação de compra».
Valia a pena irmos à DECO pedir apoio para apresentarmos queixa pelo enganador assédio comercial que é andarem a propor-nos que compremos ofertas.
Já sei, já sei: trata-se apenas de uma oferta de compra. Mas o jogo de palavras é enganador e, portanto, pisa os nossos direitos.
Faz-me lembrar a caixa de velocidades do meu carro. Se me perguntam se tem caixa automática, a resposta é afirmativa: quando se engata a primeira, o carro fica automaticamente engatado…
Ehehehe.