
O nosso Réveillon 2014 foi passado em Föhr, uma ilha no Mar do Norte, perto da fronteira entre a Alemanha e a Dinamarca. O motivo principal foi a Lucy, que tinha pânico do fogo de artifício e como, na altura, já tinha dez anos, resolvemos experimentar uma das ilhas, onde se dizia não haver as habituais orgias de foguetes e petardos. Na noite de Ano Novo, o alemão mais pacato transforma-se num verdadeiro piromaníaco. O material pirotécnico compra-se em qualquer supermercado e, em 2013/2014, os cidadãos deste país gastaram cerca de 150 milhões de euros em foguetes, rojões e quejandos! A quantia aumenta todos os anos, embora tenha havido uma quebra, com a pandemia, mas, penso eu, será recuperada. Os foguetes começam a ser experimentados a partir do momento em que estão à venda (dois ou três dias antes da passagem de ano) e, na noite em questão, o seu lançamento estende-se por várias horas.

Na verdade, as ilhas não são completamente livres desse hábito, mas bastante mais sossegadas. Valeu a visita, apesar dos dias curtos e de um vento fortíssimo e gélido, que meteria qualquer nortada portuguesa num bolso.

A temperatura manteve-se positiva, entre os 5ºC e os 8ºC, o que, no Inverno alemão, é considerado ameno. Mas, e apesar de os cavalos da imagem não parecerem ter dificuldades, o vento era mesmo difícil de suportar, pelo que será de aconselhar o Verão para uma visita. O passeio de Ano Novo, à beira-mar, só era possível com bons agasalhos.

A maior parte das casas tem os típicos telhados de cana seca. Trata-se de um tipo de cana especial, designada como sapê, ou sapé, no Brasil (designação dada a algumas plantas gramíneas do Brasil, cujos caules secos são usados como cobertura de casas). Em alemão é “Reet” e eu não encontrei melhor tradução. Se alguém a conhecer, agradecia a informação. Este tipo de telhado obedece a uma técnica especial, que hoje poucos dominam, e é muito eficiente, tanto no Inverno, como no Verão.

Numa rua de Wyk, a maior localidade de Föhr, encontrámos a representação do marinheiro típico destas paragens.

Uma igreja com o seu cemitério:

Em Wyk, deparámos igulamente com este estabelecimento curioso, mas estava fechado e não cheguei a perceber se pertencia a gente portuguesa, ou a algum “fã de Portugal”. Digo isto, porque conheci um destes “fãs”, em Hamburgo, um cabeleireiro alemão, que denominou o seu estabelecimento com a palavra portuguesa. Quando lhe perguntei porque o fez, disse-me que, se muita gente denominava o seu salão de “friseur” ou “hairdresser“, porque não podia ele denominá-lo de “cabeleireiro“? Tinha a sua razão de ser. Mas, na verdade, o homem tinha algumas dificuldades. Ninguém conseguia ler a palavra. E toda a gente que lá entrava lhe perguntava que raio de nome ele tinha dado ao salão!

Passar-se-ia o mesmo com esta sapataria, em lugar tão distante e inóspito?

Passei a passagem de ano de 2007-2008 na Dinamarca, numa pequena aldeia da ilha de Lolland, e lembro-me bem do fogo de artifício. Se fizessem aquilo cá, as urgências hospitalares começavam o ano cheias de gente com dedos a menos.
Mais impressionante era ver os dinamarqueses a disparar foguetes depois de doses industriais de schnapps. 😁
Caro João, por aqui há acidentes com os foguetes todos os anos. Não só por causa do álcool, também há o hábito de usar garrafas de champagne vazias como rampa de lançamento. Por vezes, as garrafas tombam e o foguete dispara em direcção a um aglomerado de convivas. No entanto, em proporção aos milhões de pessoas que os lançam, a percentagem de percalços é baixíssima. Qualquer acidente é, porém, trágico, não só para a pessoa que o sofre, como para a família e aqueles que lhe são próximos. Por isso, mas também pelo barulho, pelas poeiras inimigas do ambiente soltadas nessa noite e por aquilo que se podia fazer com o dinheiro que se gasta, há bastante gente a clamar pelo fim deste costume. Mas não me parece que tenham êxito.
Estive há muitos anos numa das ilhas Frísias. Adorei. Temperatura amena, céu cinzento, gente simpática. O que mais me impressionou foi a qualidade do ar, magnífica. Por cá, que saiba, não há tal coisa.
Para quando um post sobre Sylt? Passa por ser paraíso de alemães ricos. Lagerfeld falava de um clima subtropical, único no mar do Norte.
E já agora, a Travemünde de Thomas Mann. Se já escreveu, peço desculpa. Eu vi-a um dia pela janela de um comboio. O mar era azul.
Pode acrescentar Rügen. Passava por ter mau clima. Conheci uma natural que marchava para Tenerife, onde tinha casa.
Dito isto, sou de longe mais Baviera e Áustria; que se detestam mutuamente.
Caro Albino, apesar de morar perto do Mar do Norte e relativamente perto do Mar Báltico, ainda só fui a esta ilha (Föhr) e a Poel, da qual falei aqui há três semanas:
https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/i mpressoes-alemas-34-14280900
Sylt é de facto a ilha preferida do jet-set alemão, mas, por isso mesmo, muito cara, embora eu conheça gente que já lá esteve. Fora das épocas altas (Verão e passagem de ano) encontra-se alojamento “pagável”.
Conheço os nomes das ilhas de que fala, mas, como disse, ainda não fui a nenhuma. Talvez um dia
Um abraço até à Baviera, da qual não conheço quase nada, apenas Lindau, na ponta do Lago Constança pertencente a esse estado. Tivemos uma época em que íamos muito a Ravensburg, que aliás pertence a Baden-Württemberg, mas na fronteira com a Baviera. E da Áustria, só conheço Bregenz, também nessa zona.