De acordo com vários estudos linguísticos internacionais, Ilunga, palavra do dialecto Tshiluba falado no sul da República Democrática do Congo, é uma das mais difíceis de traduzir. Pelo visto, Ilunga descreve a situação de uma pessoa que aceita um abuso uma primeira vez, tolera esse abuso uma segunda vez, mas está completamente indisponível para aceitar ou perdoar um terceiro abuso. Pois assim estamos. Pelo caminho que as coisas tomam, em breve precisaremos de uma palavra ainda mais complicada para a língua portuguesa. Aquela que, depois dos escândalos do BPP, do BPN e do BES, traduza a nossa incapacidade de tolerar um abuso mais que seja. E temo que depois precisemos ainda de outras palavras complicadíssimas de traduzir, à medida que forem abusando mais e mais.
Ilunga
Rui Rocha,

Mermão,
mais difícil de traduzir e aplicar é: perdoarás até 70×7. Ao contrário do que possa parecer este número não significa excesso, mas a remoção do limite implicado na totalidade.
Só conheci um capaz de o revelar.
Refere-se ao Regulador, certo?
Sim, a todos nós reguladores. Porque o outro a que me referia é mesmo matéria de aplicação de Justiça. Perdoa-lhes(nos) a ignorância. Parece-me que isto é atitude de quem sabe verdadeiramente o que atrapalha a vida.
Pode bem Ser.
Ora essa, mas nós já temos o otário. A diferenca é que enquanto o Ilunga tem uma tolerancia pré-definida para o abuso, no otário nao se pode prever o limite em que ele se torna completamente indisponível para aceitar ou perdoar um novo abuso. Mas que nao se duvide de que o tem; o otário é otário mas nao é estúpido.
Tinha pensado em Pilunga, contracção de Pi com Ilunga, para dar ideia de que é um número entre 3 e 4. Mas otário também me parece bem.
Bananas será o termo correcto !
Somos uns bananas e os mais bananas de nós todos são uns senhores e senhoras que têm por padroeiro S. Jorge que só se mexem quando lhes mexem no pré.
Não haja dúvidas que somos uma cambada de mansos, perdão bananas.
Um voto para bananas, um voto para otários. Alguém dá mais? Ou menos?
Voto em Besunga.
É bom. Também me ocorreu BESana.
Ok, com o patrocínio do Pires de Lima.
Eu estava a tentar manter o sufixo, e ligação ao termo popular “besunguice”.
Pondere-se no verbo “Besuntar”, que é uma ligação feita por múltiplas formas.
A unção pelo Espírito Santo consiste em besuntar a cabeça com substâncias oleosas.
Depois do teu reparo sobre as acções de graça, parece-me que o caso é sério.
Sério apenas até percebermos que depois do Monte Branco temos o Rio-Tinto. A partir daí, é só galhofa.
Rio forte… que salta a comporta.
paciência, muita paciência, precisa-se:
http://expresso.sapo.pt/miguel-rio-tinto-n omeado-para-o-bes-bom=f885361
http://expresso.sapo.pt/vitor-bento-diz-q ue-aceitou-liderar-o-bes-por-dever-quase-p atriotico=f885236
De facto…
Camões definiu bem o seu antónimo: lusitano (aguenta aguenta, digo eu).
Corrupto já e danado o mantimento
Danoso e mau ao fraco corpo humano,
e alem disso nenhum contentamento
que sequer da esperança fosse engano!
Crês tu que, se este nosso ajuntamento
de soldados não fora lusitano,
que durara ele tanto obediente
porventura a seu rei e a seu regente?
Pronto, fiquei ainda mais deprimido.
Revolta ao terceiro abuso?
A língua portuguesa tem uma palavra que se adequa muito mais ao nosso temperamento enquanto povo:
sevandija: “pessoa que passa por todas as humilhações sem mostrar ressentimento.”
Olha, sevandija. Aos anos que não me cruzava com a palavra. Já nem me lembrava que existia. Excelente contributo, Miguel.