Ouço falar sobre o crime de Évora e estranho a estranheza que dizem sentir. A civilização altera as circunstâncias do Homem, não a sua natureza que, de Ésquilo a Shakespeare, uma vez pisado o tapete vermelho da hýbris, não tem outro destino senão o abismo. Doem-nos as vítimas como nos doeu o choro de Ifigénia, imolada aos ventos benéficos do porto de Áulide, mas demoramos a aprender que da ordem ao caos vai um passo mínimo. Por isso, estranhamos e continuamos incautos. Estranhamos, até, a dureza dos avisos.
Humano, demasiado humano
convite,

Não percebi nada, mas compro já 2 pacotes 😉
Não desanime. Nada que umas boas leituras não resolvam.
LOL
Muito bem…
O Cristiano Ronaldo não diria melhor…
Diga-nos baixinho: afinal, é contra a causa ´proto-econimica da defunta ou da problemática financeira do matante?
É que, segundo D. Martinho da Assunção e Crastro, as duas situações interagem … levando a situações imprevistas, vistas à luz da ortodoxia dogmática do estado psicossomático das pessoas em contenda.
Antecipadamente obrigado
Posso ajudar?
🙂
Nem de propósito, Ivone… venho do post do Jaa aqui em cima e o comentário que lá deixei podia ser repetido aqui. Caixas de Pandora ambulantes, é o que todos somos. Mas é-nos insuportável admitir isso, por isso ignoramos os avisos repetidamente. Continuarmos incautos é a única forma de sobrevivermos a nós próprios.
É mesmo isso, Ana: se de nós próprios estivéssemos precavidos, não sobreviveríamos.
Tem razão, o humanismo é civilizacional, e reside na capacidade de nos reflectirmos na posição do outro.
Quando a civilização abandona essa reflexão, e a perde educacionalmente, entra na pura competição caótica, numa disputa territorial, num instinto animal de sobrevivência.
A competição foi de tal forma sobrevalorizada que o respeito mútuo perdeu-se da matiz cultural e quase precisa de ser legislado. Ou seja, o respeito em vez de ser um valor adquirido na educação, parece precisar de ser imposto pelo medo. Entra-se na filosofia do “não se deu ao respeito”… como se a falha estivesse na própria vítima.
Quando falha o pão, falha a razão… porque se despertarem o nosso lado de sobrevivência animal, se continuarem a atiçar a competição, é natural que os valores civilizacionais do humanismo se percam.
Nota: gostei de hubris com ý, porque spirito-da-letra.html
http://alvor-silves.blogspot.pt/2011/07/o-e
Obrigada pelo comentário, da Maia.
(ý na transcrição quando, em grego, está upsilon acentuado)
Penso tantas vezes nisso, Ivone. A civilização altera as circunstâncias do homem, mas não a sua natureza. Contra todas as proclamações do iluminismo, continuamos demasiado perto do mundo atávico das cavernas.
Pois é, Pedro, demasiado perto e convencidos do contrário.
Kant pensava que existia um progresso moral da humanidade, do qual não havia provas empíricas, mas apenas sintomas. Recordo, de memória, dois desses sintomas do progresso moral da nossa querida espécie. O tratamento gentil e deferente dispensado ao belo sexo (cito de memória), que não é manifestamente o caso em apreciação, e a Revolução Francesa. Como se vê, por este último exemplo, sangue e civilização sempre marcharam lado a lado, como irmãos gémeos, o que nos permite perceber a outra luz os acontecimentos de Évora. Já agora, o Iluminismo nunca teve ilusões sobre o sangue como material produtor de luz, muito mais eficaz que o azeite, a cera ou a energia eléctrica. (Ivone, peço desculpa pela dimensão do comentário, ainda por cima tardio.)
Um bom comentário nunca chega tarde, Jorge 🙂
Estamos sempre em negação, Ivone, por uma questão de autopreservação. Melhor assim, digo eu. Ter a consciência permanente das nossas, chamemos-lhes imperfeições, seria demasiado deprimente.
Pois é, tens razão. Tanto fazemos por nos negar que acabamos por deixar de saber até onde pode ir aquilo a que chamamos as nossas imperfeições.