A reacção ao "manifesto dos 28" colocou em evidência aquele que considero ser um dos problemas principais deste país: a desconfiança relativamente ao valor do debate público. Passamos o tempo a criticar a sociedade civil, que designamos de amorfa, e a solicitar mais discussão, mas quando figuras independentes dessa mesma sociedade (universitários, engenheiros, até mesmo cidadãos "anónimos"), se prestam a avançar com determinadas propostas ou pontos de vista, logo se critica tal "arrogância", tal desfaçatez.
Nem preciso dar exemplos: uma viagem pela blogosfera ou pelos jornais (abro uma excepção para mencionar o inacreditável artigo de Vital Moreira no "Público") é bem demonstrativa do que afirmo: o dito "manifesto" mereceu diatribes contra os seus signatários (quantas delas de teor "pessoal"…), suspeitas relativamente às intenções dos seus subscritores e até comentários infantis sobre o estatuto profissional dos envolvidos, mas poucos – muito poucos – comentários sobre os argumentos propriamente ditos.
Infelizmente, continuamos a preferir debater pessoas em vez de debater ideias, a analisar "currículos" e intenções, em vez de reflectir sobre propostas e valores.

Deixei os meus comentários (mais ao artigo de Vital Moreira, para dizer a verdade) no meu blogue. Não reproduzo aqui o post, por ser demasiado extenso nem deixo o link (não gosto). Mas convido o meu caro “primo” (é tão raro ver alguém com o mesmo apelido que eu que não resisto) a passar pelo estaminé e a ler (convite extensível a todos, claro, se tiverem paciência).
Obrigado pelo seu comentário, João André (o apelido é realmente raro!). E já que não coloca o link, coloco eu, porque o seu artigo é muito interessante (particularmente ao insistir na necessidade de estender a rede ferroviária “comum” em Portugal – tese que partilho em absoluto). Leia-se aqui: http://estacaocentral.blogspot.com/2 009/06/os-transportes-portugueses-explic ados.html
Obrigado pelo comentário José.
Espero ter contribuído, André e André, ao repescar e actualizar um texto antigo para o ‘post’ mais acima.
Aproveito para dizer que concordo com muito do que dizer no teu texto, caro João. É preciso apostar numa rede ferroviária de facto ao serviço das pessoas, e não apenas em megaprojectos para mostrar serviço. Um abraço!
Concordo inteiramente contigo, José. E esse horror ao debate que favorece a opção de atacar o mensageiro e não a mensagem, leva também a que sejam cada vez menos as pessoas com coragem para pronunciar em público a sua opinião. E isso, como afirmas, é um dos problemas principais deste país.
Um abraço.
Obrigado, Jorge. Em grande medida, estou apenas a reproduzir uma ideia que já tinhas avançado no teu blogue. Achei que também poderia ter lugar aqui no “Delito”… Um abraço!
Mais uma vez não resisto a deixar-lhe aqui registo do meu total acordo com o que escreveu neste post e em quase a totalidade dos outros. Não tenho comentado mais por falta de tempo e também para não me repetir. Ainda mais sabendo (como sei agora) da sua tão jovem idade, não posso deixar de salientar a sua maturidade que deveria servir de exemplo a muita das figuras que por aí abundam armadas em figurões. Um abraço
Muito obrigado pelas suas gentis palavras… Espero que continue a gostar do que se escreve por aqui. Até breve, pois!
Tens toda a razão. Toda.
Gracias, compañero…
Sim, tudo isso está correcto não fosse o timimg desta questão… ou acha que é coincidência?
Isso também interessa discutir, pois as motivações influenciam sempre as conclusões/decisões.