Hoje especialistas, ontem “especialistas”


joaomsandre,

Com a pandemia a todo o gás e as pessoas enfiadas (fechadas) em casa, começam a surgir por todo o lado as manifestações de agrado, os elogios, os aplausos a profissionais de saúde que tratam de quem está doente, vão para a frente da batalha (na actual analogia bélica), aconselham a população, investigam o problema e procuram soluções.

São os especialistas, aqueles que há anos e anos, décadas e décadas, avisam que esta situação aconteceria. Que avisam, mesmo enquanto o fogo alastra, que outros fogos virão e algum será com toda a probabilidade pior. São aqueles que disseram mutio antes de uma TED Talk de Bill Gates que as novas epidemias surgiriam, que não estávamos preparados e que muita gente morreria. Até avisaram, numa pele em que não se sentiam bem por não serem especialistas nessa área, que teriam consequências económicas.

Na altura eram alarmistas. Eram os “especialistas” com o termo a ser pronunciado com desprezo. Eram aqueles que exageravam durante a pandemia do H1N1 ou a epidemia de SARS. Eram os “especialistas”. Hoje são os salvadores. Especialistas.

9 comentários em “Hoje especialistas, ontem “especialistas””

  1. Mudam-se os tempos…e mesmo que atrasados, ainda chegaram a ser especialistas. Sem o pejorativo. Resta saber, mas acabaremos por, se nós, os comuns que não opinam e seguem prescrições e conselhos, nos chegaremos a safar.
    A ver vamos.

  2. Há sempre gente a alardear o fim do mundo. É só escolher:
    Alterações climáticas
    Extinções em massa
    Guerra total
    Guerra nuclear
    Ascensão do nazismo
    Ascensão do comunismo
    Epidemias de vírus.
    Choque com asteroides
    Mais algumas tão exotéricas que nem nos lembramos delas

    E sempre gente pronta a dizer “eu não dizia!” quando acontece uma desgraça. Como se isso ajudasse alguma coisa.

  3. Meu caro João, não é necessário ser-se “especialista” e ser-se especialista para saber que um dia aconteceria isto e outras mais acontecerão no futuro. O bicho que não tem capacidade de mutação per si em termos físicos é o homem. A nossa mutação é mais ao nível psicológica, não deixando, por isto, de ser grave.
    O covid-19 oferece-me mais uma oportunidade de verificar os comportamentos; e concluir o quão estúpidos somos a julgar que sabemos.

    1. Obviamente que não. Eu não sou um especialista e compreendia isso. Mas apenas e só porque prestei atenção aos que são de facto especialistas e não desprezei os avisos como vindo de profetas da desgraça. Um pouco de pensamento crítico é sempre necessário, obviamente, mas aí reencaminho para o meu pensamento da outra semana sobre a falta de educação científica.

      Abraço e mantenha-se saudável.

  4. “e que muita gente morreria.” Muita gente?? Não, todos …. com ou sem epidemia.
    Ele há sempre aquela pandemia que dá pelo nome de “necrologia”. Afecta todos.

  5. Qual é explicação que estes pseudoespecialistas dão para as epidemias da gripe espanhola, da colera, da febre amarela,do tifo, da peste negra. Num mundo de hoje, mais interconectado que no passado temos epidemias de matam algumas partes por milhão da população em contraste com esses episódios epidérmicos de passado cuja contabilidade é calculada em percentagem.
    Assim é fácil ser especialista eu também prevejo que em algum momento do futuro serão perdidas milhares de vidas humanas devido à erupção de um dos supervulcōes e também um grande terramoto e tsunami deitará muitas vidas

  6. Bem lembrada esta Ted Talk, João André. Bill Gates não é nenhum mago, limitou-se a explicar, de forma muito clara, porque era previsível que isto acontecesse. E é claro, ninguém fez nada. Investir na prevenção deste género de ameaças, não dá retorno. Exige visão, espírito cívico, coragem política e generosidade.
    Em relação ao ambiente estamos a fazer o mesmo. As medidas que se estão a adoptar não chegam, mas ninguém quer saber, até ao dia – que há-de chegar – em que talvez seja tarde demais.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *