Hoje, a subir a Avenida da Liberdade, quase junto ao senhor marquês, ouvindo a rádio, feliz por ver o sol, a pensar em não sei quantas coisas, de repente, vejo uma jovem com um cartaz: SE AMAS ALGUÉM LIGA OS 4 PISCAS.
Podia ser só isto, mas dez metros à frente estava outro cartaz e os carros começaram todos a piscar. Não sei o que era, porventura uma manobra da publicidade, mas foi lindo ver tanto amor ali mesmo, nos piscas dos carros à minha frente.
Hoje, sem saber o que fazer, fui conversando e ouvindo, comendo peixe. Estávamos numa bolha, duas mulheres, loucas, com vidas loucas, de empregos e contas, de filhos e mais coisas, filmes, livros, pensamentos de horas incertas.
Hoje, o meu filho disse que teria saudades do professor Viveiros, o professor que é temido pelos alunos e por quem o meu filho nutre o maior amor.
Hoje, a minha mãe perguntou-me cinco vezes se preciso de alguma coisa.
Hoje, também eu liguei os 4 piscas.

Um miúdo que diz ir ter saudades de um professor? Por cá e por estes tempos? Acarinhe-o, muito, a ele (sempre o faria como mãe, claro) e a um espírito de constante interrogação, que olha os desafios nos olhos e alarga horizontes – muito para lá de “bués” e “likes” – que nele sem dúvida haverá.
Desculpe-me a ousadia.
Costa
Meu caro Costa, a ousadia é nenhuma, as suas palavras são bem vindas, cá em casa faz-se por acarinhar os professores, faz-se de tal forma que o aconselho a ir a http://www.santillana.pt e ver o filme onde todos (cá da casa) participámos, somos pelos professsores e assim ensinámos os miúdos. Beijo e resto de boa semana
Obrigado pelas suas palavras.
Fui ao site, vi o filme. “Uma criança, um professor, uma caneta e um livro”; que pena valer tão pouco por estes tempos de Casas dos Segredos – ou lá como se chama – e futeboladas sem fim. Onde os pais insultam e agridem professores porque estes castigaram ou reprovaram (palavra proibida: é “retiveram”, não é?), os filhos que não estudaram. Mas é sempre bom saber que há quem insista em sair desse molde estupidificante.
Quis saber mais sobre a Santillana – afinal, com uma filha de 26 anos e um filho de 23 – o meu envolvimento directo em manuais escolares é já uma memória feliz. Li e gostei, no conteúdo e na forma: em português escorreito. Que pena, ao lado, ler “projeto” ou “interativo”. Suponho que é, enfim, uma imposição de quem pode impor essas coisas…
Mas divago. Obrigado, mais uma vez.
Costa
pois, deve ser isso, uma imposição. O Governo não recuou na aprovação do acordo e as editoras escolares foram obrigadas a adoptar o novo “português”. Coisas. beijos e bom fim-de-semana
À conta disso por pouco não houve choques em cadeia.
E viva o amor, Patrícia, viva o amor, que é uma coisa tão boa.
Os piscas são importantes instrumentos de segurança, que servem para avisar os outros automobilistas e – muito importante – os peões de que se vai mudar de direção.
Quando se está com os quatro piscas ligados, os pscas deixam de servir essa importantíssima função.
Considero portanto uma péssima ideia essa de ligar os quatro piscas, seja por que motivo fôr. Os piscas devem ser ligados e desligados em tempo útil, e não por brincadeira.
Ok, Luís, eu conheço o código da estrada, mas agradeço a sua ressalva, não tem é nada a ver com este evento que era ligar e desligar de imediato, por ser o dia da felicidade, percebi mais tarde. Bom fim-de-semana