
A 23 de Julho assinala-se O Dia do Alfaiate e da Modista
“Estas profissões tradicionais consistem na criação de roupa de forma artesanal e exclusiva: à medida da pessoa e de acordo com as suas preferências. Os alfaiates e costureiras surgiram como profissões de destaque na sociedade, devendo estes profissionais acompanhar as modas e actualizar o seu leque de tecidos e de modelos para satisfação dos seus clientes. Apesar de serem das profissões mais antigas do mundo, encontram-se em vias de extinção, com a massificação das lojas de roupa e dos modelos disponíveis para compra.
Neste dia podemos aproveitar para dar vida à tradição visitando um alfaiate ou uma modista para tirar medidas e fazer roupas à medida de cada um.”
Cresci com eles. A minha mãe foi a única das três irmãs a enveredar pelo lado feminino da moda. As minhas tias aprenderam a arte de alfaiate, conjuntamente com o meu Tio 29, um dos melhores alfaiates de Belém, pupilo do Tio Simões com alfaiataria própria, estabelecida na Rua de Belém.
A minha mãe cuidava da casa, dos filhos e das senhoras do Restelo, que lhe traziam revistas Burda e Neue Mode, e lhe encomendavam modelos à medida. A minha mãe tinha um livro preto, comprido e estreito, onde cada página era dedicada a uma cliente, com o nome e morada, a data e as medidas. Colarinho, ombro, braço, punho, busto, cinta, anca, perna, gancho, altura de casaco, altura de saia, com a respectiva medida em frente de cada alínea. Assim que comecei a escrever compreensivelmente, acompanhava a minha mãe às medidas. Depois íamos “à Baixa” às lojas de tecidos, retrosarias e aviamentos, e trazíamos as amostras, o mais parecido possível à foto na revista. A minha mãe era uma artista. Tenho muito orgulho em mostrar a colecção de vestidos de noiva confeccionados por ela. Chegou a trabalhar com quatro ajudantes. Com o advento do pronto-a-vestir, a procura foi diminuindo para a confecção de raiz, mas os arranjos entravam às catadupas. Eram mais demorados, porque era necessário desmanchar, provar e voltar a coser.
No final, lá ia eu entregar as obras prontas às senhoras das casas grandes, de onde invariavelmente saía com uma gorjeta choruda.
Agora as costureiras/os, alfaiates e modistas são designers de moda, e aquela relação de intimidade com os/as clientes perdeu-se bastante. Muitas vezes era a modista que alertava a cliente para os números inflacionados das medidas, que subentendiam uma subida de peso.
(Imagens do Google)

A minha tia morava no bairro do Castelo e trabalhava para o Casão Militar, fazia fardas. O que eu guardo na memória desses tempos são os cheiros. O ferro de engomar era a carvão e o cheiro da fazenda misturado com o vapor das brasas era singular.
Velhos tempos, irrepetíveis, infelizmente.
É isso mesmo, Carlos. As fazendas as entretelas, os enchumaços , os o pózinho que ficavavam no ar depois do corte, o varão dos cabides que parecia uma cortina de roupagens várias… Outros tempos outras versões de nós.
Na Guiné, e julgo que em toda a África e Ásia, os homens são os alfaiates e modistas.
Era vê-los, próximo do mercado de Bissau, com máquina de costura e fazer roupa ao momento para homens ou mulheres.
Com a tropa ganhavam dinheiro a fazer calções de terylene verde/militar com medidas ali mesmo tiradas na rua.
Comigo, aos dezasseis anos, passou-se um caso para rir e…chorar. Fui fazer a última prova de um fato a um alfaiate esquisito que gostava de, constantemente, tirar as medidas para as calças. As aprendizas riam-se, e de fato vestido o alfaiate resolveu dar um toque no ombro
pondo o pano húmido e passando com o ferro. E foi o grito do ombro queimado que teve de
ser tratado no hospital. Teria sido vingança (?) e fiquei com a marca para sempre.
Memória tão deliciosa como dolorosa, acredito. Obrigada pela partilha.
comecei nos alfaiates / barbêros, como o avô do Vitinho do ps, passei pelo Adão, dr jigazo Burton of London e acabei a mandar fazer um fraque em Camp d’órique.
agora só pronto a despir e a lembrar-me do vara