Hoje a Grécia, amanhã Portugal.


Luís Menezes Leitão,
Torna-se evidente que neste momento a União Europeia não passa de uma extensão da Alemanha, como demonstra agora o Presidente do Eurogrupo, Jean Claude Juncker, ao vir defender, como os alemães, a nomeação de um comissário europeu para a Grécia. Só uma absoluta e total falta de senso e de um mínimo de conhecimentos históricos é que pode explicar o surgimento deste tipo de propostas. Imagine-se o que será para os gregos em pleno séc. XXI ser governados por um qualquer Gauleiter germânico a pretexto do que eles próprios não se sabem governar sozinhos. Recordo-me o que Ghandi respondeu aos ingleses quando lhe disseram que os britânicos governavam melhor a Índia do que alguma vez os indianos fariam: “Não há nenhum povo que não prefira o seu próprio mau governo ao bom governo dos outros”. Está-se mesmo a ver onde isto vai conduzir.

 

E infelizmente também se está a ver que Portugal vai pelo mesmo caminho. Apesar de a comunicação social ontem ter propagandeado que a troika estaria muito satisfeita com Portugal, qualquer observador minimamente atento repararia nos sinais que foram transmitidos. Hoje, como eu já esperava, veio o comissário europeu para os assuntos económicos, Oli Rehn, exigir a Portugal que redobre os esforços que está a fazer, o que obviamente significa que não estão a ser considerados suficientes.

 

Quanto a Passos Coelho, limita-se a justificar a situação com a herança do anterior Governo. É evidente que o anterior Governo tem muitas culpas no cartório, mas já era mais que altura de abandonar este discurso. Há uma velha anedota referindo que um Primeiro-Ministro, antes de tomar posse, pediu ao seu antecessor que lhe explicasse como deveria agir nos períodos de maior crise. Ele responde-lhe: “Não se preocupe. Deixei na sua secretária duas cartas em envelopes fechados que só deve abrir nas alturas de maior aflição”. Num desses períodos ele abre a primeira carta que diz apenas: “Culpe o governo anterior”. Ele assim faz e consegue elidir a contestação que estava a sofrer. Passado algum tempo volta a passar por um período de aflição e abre a segunda carta. Esta diz apenas: “Escreva duas cartas iguais a estas”.

 

Começo a recear que em breve a União Europeia esteja a propor também um comissário europeu para Portugal.

 

5 comentários em “Hoje a Grécia, amanhã Portugal.”

  1. Uma pessoa olha para o quadro e pensa: parece os números da greve. Já vi tantos quadros semelhantes, mas são todos diferentes.

  2. Se o meu dinheiro fosse emprestado à Grécia (e se calhar já foi para lá algum) também queria alguém a ver onde o gastam.
    É humilhante? Sim.
    Resulta de má fé de quem empresta ou de comportamento irresponsável de quem recebe?

    Há pouco tempo o PR grego veio doar o seu ordenado (vive de quê afinal?) ao ‘povo grego’ para dar exemplo disto e daquilo. Indignou-se patrioticamente contra a Alemanha.
    Faltou-lhe a indignação durante o regabofe (tal como cá) e a falsificação das contas.

    Auto-estradas, jogos olímpicos, Europeus de futebol, estádios, Expos, centenas de fundações, PPRs, pensões vitalícias, RMG, empresas municipais, EPs, e milhares de outros benefícios/mordomias que nunca ninguém se preocupou em contabilizar realisticamente.
    Comportamento infantil e irresponsável de gregos e portugueses resultando em credibilidade zero.
    A credibilidade, como a confiança, perde-se num segundo e demora anos a restaurar.

  3. O que o comissário disse foi para se diminuirem os custos com por exemplo a electricidade…Não para se redobrar a austeridade!!!!

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