No domingo passado pinguepongueva na raia, ora sobre Espanha, ora em céu português, um desses teco-tecos rotativos e fumacentos, só de uma hélice. Seria droga? Face à horrenda violação da nossa soberania espacial, a Força Aérea de Portugal, na ânsia de juntar mais uma medalha ao seu vastíssimo historial de proezas, sem ligar a despesas ou proporções, mandou dois caças F-16 interceptarem o prevaricador. Isto, para leigos, foi como enviar dois Ferraris cuja embraiagem não permitisse uma velocidade inferior a 100kms/h, em perseguição de uma Famel-Zundapp. Resultado: ninguém sabe da avioneta. Valeu o passeio, o teste ao material e as horas de vôo averbadas na caderneta dos pilotos. Força Portugal!


Querem ver, confundiram o teco-teco com a “airforçangol”. Coisas…
Estou a morrer de riso!!! (até vou linkar ao people amigo para também se rirem!)
Nação valente!
Ases pelos ares.
É sinceramente isso que pensa da nossa defesa? Que a malta que tá 24horas por dia sentado num avião em alerta que algo de errado aconteça, que tanto pode ser uma ameaça ao espaço aéreo como um avião sem navegação ou com qualquer outro problema necessite de ajuda, por causa de uma medalha? Que as equipas que estão nas ilhas e no continente a controlar o espaço aéreo a receber informações, pedidos de emergência, pedidos de resgate são umas crianças a brincar às guerras? Acha que não temos responsabilidade nacionais e exteriores em averiguar o que se passa cá mesmo que isso nem sempre resulte em sucesso?
Que o que aconteceu foi uma humilhação? Não acha mais humilhante sempre que um policia prende alguém o tribunal solta os ditos umas horas depois? Acha também que é humilhante sempre que alguém passa a perna as autoridades? Acha que o erro não faz parte da vivência? Acha que foi mesmo um erro? Conhece o assunto em pormenor? Informou-se sobre as missões e o sucesso delas? Informou-se se no resto do mundo situações semelhantes não acontecem todos os dias? Não terá o país mais que fazer do que se preocupar com pormenores DIÁRIOS das missões amplamente reconhecidas por quem se interessa em saber e não em mandar abaixo só porque do alto da sua ignorância a sua razão não permite vislumbrar mais do que aparenta óbvio?
Não fica zangado sempre que uma bicicleta passa por si no transito? Não vai a correr trocar o carro pois não?
Informe-se:
http://www.passarodeferro.com/2012/12/co nsideracoes-sobre-uma-intercecao.html
É sinceramente isto que penso da nossa defesa. Porque até eu, que não sei nada, sei que a carência de meios da FAP é enorme, que a FAP é um cúmulo de burocracia, que o ambiene na FAP é de cortar à faca, que não temso nenhuma AETC nem base Randolph, que os pilotos se guerreiam desesperadamente para fazerem horas de vôo e ainda me lembro daquelas listas daquele partido naquelas eleições (percebeu, não percebeu? Também sei que levantaram os F-16 de Monte Real e não de Beja para interceptar uma avioneta em Elvas, proque é lá que eles estão e que não há uns helicopterozinhos de patrulhamento. E não há porque se fizeram opções duvidosas. Já agora também sei que não temos vergonhosamente uma Guarda Costeira, ah mas temos submarinos. E se os resultados foram estes, como seriam inevitavelmente, então o procedimento standard é inadequado – óbvio, não? Só não sabia que a malta estava 24 horas por dia sentada num avião em alerta -com horas extraordinárias ou por turnos?
Helicópteros patrulhadores!? Não tem mesmo a noção…
“Já agora também sei que não temos vergonhosamente uma Guarda Costeira, ah mas temos submarinos.”
E muito bem. Submarinos são os mais importantes navios da nossa Marinha.
A Guarda Costeira existiria se as verbas da programação militar não tivessem sido desviadas desde sempre para a compra de votos política.
O assunto aqui é uma missão inopinada de intercepção aérea e não uma guarda costeira.
Seja como for, parece-me que era só o que mais nos faltava, um meio extra para alocar mais confusão e redundância. A marinha para o orçamento até tem bastante equipamento, treino e abnegação, as 3 fragatas vasco da gama as “novas holandesas” e os NPO’s que estão a entrar ao serviço progressivamente, complementado por lanchas rápidas de fiscalização e corvetas. A GNR também tem dado um contributo, mas lá está, mais uma redundância que só diminui a capacidade de reacção e todos os constragimentos inerentes a várias forças para as mesmas missões.
A questão dos submarinos deve ser discutida por quem tem presente os desafios estratégicos e compromissos NATO e UE, como por exemplo a defesa da nossa ZEE no qual temos responsabilidade nacional e internacional perante o que lá se passa. Ainda por cima agora que estamos a tentar “aumentar” a dita. O submarino aos olhos de muito é um dos muitos equipamentos (como poderia dar o exemplo de milhares que qualquer um diz facilmente “para quê?”). Informo que temos esta arma de dissuasão e monitorização por excelência desde 1913, portanto não é um brinquedo só porque sim. A sua importância está mais que comprovada em todos os campos e por todos os estados. Termos perdido a capacidade e o conhecimento demoraria anos a recuperar. O site da Marinha tem um interessante artigo sobre a sua necessidade:
http://www.marinha.pt/PT/amarinha/meioso peracionais/subsubperficie/submarinos/Su bmarinos209PN/Pages/SubSuperficie.aspx
Quanto à base e aos F-16, dado o tamanho do nosso território, a não ser que esteja a falar da ZEE, o tempo de resposta ao nível nacional está dentro dos parâmetros definidos (como no artigo que citei), logo fazia pouca diferença sair de Beja ou Monte Real. Se o Quick Reaction Alert está em Monte Real, não fazia grande sentido ter uma duplicação de meios noutra base, embora estejam previstos e treinados os procedimentos. Como o comando aéreo é conjunto (CAOC) é normal que se Espanha passa a responsabilidade para nós, nós iremos a esse encontro tal como aconteceu aqui:
http://www.cmjornal.xl.pt/noticia.aspx?c hannelid=00000010-0000-0000-0000-0000000 00010&contentid=AF373230-4303-4319-85C6-5D486B F03CA3
Quanto à questão dos helicópteros, não vou julgar opções, até porque tantas já tiveram em cima da mesa e na altura também se acharam “desnecessárias”. Depois quando algo acontece a culpa é do outro. Seja como for, a ideia do helicóptero como veiculo de intercepção é uma ideia relativamente nova, isto é, em termos de aviação algumas décadas. Requeria um sistema novo que permitisse essa capacidade. Penso que a nossa prioridade ao nível da asa rotativa é a busca e salvamento, evacuação médica e sanitária e alguma mobilidade em termos de forças “terrestres”. Quanto às politiquices de horas e outras quezílias, todos os sectores as têm, mas isso não me parece que seja impedimento (nem foi como se viu pelo tempo de reacção) ou condicionante na operacionalidade e cumprimento da missão nas forças armadas, ao contrario de outros sectores que não pensam duas vezes em abandonar o posto de trabalho em prol de interesses individuais mascarados de colectivo. Horas extraordinárias? Estamos a falar de militares (não são apenas pilotos mas toda a estrutura que gira em volta), se alguém impor serviço 24horas 7 dias por semana, faz-se e acabou. Quanto muito poderá haver um suplemento associado a estas questões para alguns elementos.
Contudo, isso não me deixa turvar a visão das nossas forças e da competência demonstrada em toda a linha, veja-se o altamente capaz trabalho das nossas equipas de busca e salvamento, ou mesmo do trabalho da marinha em campos semelhantes (procura de embarcações de pescas perdias nos açores, navios perdidos, etc) que se arrisca em qualquer tempo nos mares do atlântico por vezes em condições onde muito poucos ousariam navegar.
Não tenho a mínima capacidade para discutir consigo já que revela ser um perito na área. Por isso, merece respeito, e a dobrar, por se ter dado ao trabalho de vir aqui esclarecer-nos. Obrigado FD. De qualquer modo, e como leigo, continua a parecer-me que pôr F-16 atrás de avionetas é pouco eficaz e quando assim é, como em qualquer outra área, os procedimentos são revistos. Por analogia, é como a discussão sobre a pirataria ao largo da Somália: é evidente (e muito discutido) que vasos de guerra contra traineiras decrépitas não resulta.O que fazer? Devem ser os conhecedores como o FD a analisar, estudar e responder – eu só tenho senso comum, e mesmo assim…
Obrigado desde já pelo elogio. Esclareço que o conhecimento destas áreas não é fácil e por vezes não é interessante o suficiente que nos leve a pesquisar mais sobre as noticias que nos surgem. No entanto, parece-me que ao sabermos que a velha guerra fria está arrumada exige perceber-se o que se passa actualmente, o que requer de nós um pouco mais do que o comum. No meu entender o mundo nunca esteve tão perigoso e no entanto tão interessante. Se antigamente o chapéu americano servia para tudo, hoje os Estados precisam de demonstrar que a pouca soberania que não foi delegada serve para alguma coisa, ou corremos o risco de não termos nada a dizer tanto ao nível internacional, como nacional. Se Portugal não defender o seu território, marítimo e terrestre, garanto-lhe que alguém o irá fazer por nós. Se hoje já nos queixamos da falta de independência imagine-se nesse altura. Sabemos que umas forças armadas são eficazes (nos parâmetros nacionais) quando pouso se houve falar dela, quando algo de mal acontece, ou estranho um dispositivo que está lá sempre, passa a existir para milhares de cidadãos, que à pressa tiram cursos-relvas sobre o que é bom ou é mau. Estão no seu direito, é um facto, mas não quer dizer que estejam totalmente certos. iracy/Pages/default.aspx) para a região, devidamente actualizados e emitidos pela International Maritime Organization.
O combate à pirataria e os pequenos barcos da Somália, ou “skiffs”, poderá aparentar “assimétrica”, e de certa forma é como a maioria dos conflitos pós guerra fria. Mas deverá ter-se em conta vários factores. Muitos destes partem de outros pequenos skiffs saem de navios bem maiores, apelidados de “motherships”. Não poderão ser lanchas rápidas a patrulhar durante horas longe dos territórios correspondentes à presença de navios de guerra. Tem de ser um vaso de guerra mais capaz e autónomo (com helicópteros, radares, e lanchas). Até porque muito deste combate faz-se pela prevenção, seja pela monitorização aérea e marítima destas forças, seja pelo respeito pelos manuais e procedimentos (BMPs – http://www.imo.org/MediaCentre/HotTopics/p
Depois, por todas estas medidas, a redução dos ataques tem efectivamente diminuído, assim como a sua eficácia.
As forças armadas têm estado muito atentas e em constante remodelação para atender a estas novas ameaças, daí que não seja um tema “novo” para eles.
Já agora, qual era o procedimento correcto ? qual o avião de intercepção que deveria ter levantado em vez dos F-16 ? sabe ? ou deveria simplesmente ignorar-se a situação ?
Talvez se tenha perdido a única oportunidade ver um avião aterrar no aeroporto de Beja…
xiiiii, isto quando se mexe com as tropas, pode tornar-se perigoso…eh eh eh…