Hei-de perguntar à Lisete, amanhã…


fiodeprumo,

A rotina era sempre a mesma. Saía de casa mal amanhado e ia para o jardim do Principe Real. Agora nem isso, aquilo estava transformado num pandemónio, nem o seu banco lhe deixaram, tão atafulhado aquilo estava. Nem sei porque é que para aqui venho pensava enquanto apertava a banda do casaco, que a manhã estava fria. Era a Lisete que o levava ali. A Lisete quando era viva, pois fora naquele banco de jardim que a conhecera. Ela tinha-lhe sorrido e foi esse sorriso que os havia de juntar. Tanto amor. E o José era a prova, não se lembrava de quando é que o vira, mas sabia que ele estava bem, porque senão alguém havia de lhe dizer que ele estava mal. 

A tosse, esta maldita tosse, que viera com o fim do tabaco, mas ao preço a que ele estava, como não deixar de fumar? Fora isso que o médico do Centro de Saude lhe tinha dito, que não havia dinheiro para vícios. 

Lá estava o banco cheio de embrulhos, paciência, ia-se sentar no da frente. A Lisete havia de gostar de saber que ele continuava a ir ao jardim dela. Mas este banco apanhava sol e ele queria mesmo era sombra. Sombra? Sombra que bastasse tinha ele lá no quartito onde vivia. Apesar disso, não se mexeu. 

Para quê mexer se daqui a bocado o sol vira sombra, era o que lhe diria a Lisete que já explicara isso ao filho. Será que o Zé também terá explicado o mesmo ao filho dele? Como é que o miúdo se chamava? Parece que era Bernardo, mas que nome mais esquisito. Mas ele não conhecia o garoto, por isso não tinha que o chamar. Se a Lisete fosse viva havia de saber chamá-lo, mas talvez esteja enganado. Hei-de perguntar à Lisete, amanhã…

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  1. Eu conheci o Zacarias, que de noite, ficava adormecido por debaixo de uma janela, aberta, de casa de banho, onde uma jovem mulher, Zacarias cria, se esfregava em espuma e água fria. E Zacarias imaginava não ser o corpo dela, mas o seu que escorria. E o que saberiam umas mãos que não fossem as suas, sobre o seu corpo que esquecia? E ali se quedava, na noite estival, a cheirar as Rosas, do géis de banho. Como seria?

    Eu conheci o Zacarias, que de noite, comia por debaixo de uma janela acesa, de sala de jantar, onde uma jovem família vivia, em alegria. E imaginava, não eu, o Zacarias, como seria um qualquer dia que não fosse a noite em que vivia?

    Ai, Zacarias, que sempre fugias.

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