José Medeiros Ferreira já tinha deixado isso claro. Ana Gomes fez ontem o mesmo no seu blogue. E António Vitorino também, nas Notas Soltas na RTP.
Alguns excertos da emissão de ontem:
– "Em muitos casos, o Governo dá-se mal com algum tipo de crítica da comunicação social."
– "O que se tratou foi de um processo de aquisição da PT numa participação na Media Capital. (…) O primeiro-ministro deu uma resposta incorrecta quando disse na televisão que não sabia de nada."
– "A golden share na PT é um instrumento perigoso e vulnerável para o Estado português."
– "A PT é uma empresa cotada. Tenho muita dificuldade em aceitar que uma empresa com essas responsabilidades possa enveredar por um negócio para acabar com o Jornal Nacional [da TVI]. É talvez o Jornal Nacional mais caro da história da humanidade."
ADENDA: Assinalo também, com satisfação, as palavras de Vera Jardim na Rádio Renascença: "Este clima não é sustentável." No momento actual, mais que nunca, importa falar claro.

Eu diria mesmo, Pedro, que há Partido Socialista apesar de Sócrates. Infelizmente tem andado muito calado como tu, muito justamente, referiste. Se bem te lembras, no dia seguinte ao Congresso de Guimarães também aqui escrevi que o Partido Socialista tinha acabado. Ficara apenas o PS.
Corro risco de vida por manifestar que concordo contigo…
Comigo, João? Com este perigoso esquerdista? Vê lá no que te metes…
Eu sei, eu sei. A minha vida é sempre arriscada…
«É talvez o Jornal Nacional mais caro da história da humanidade.» É talvez a frase do ano.
É talvez um exagerozito… há quantos anos tem a humanidade jornais nacionais?
Se calhar é por isso que merece o prémio. Hehe…
“A golden share na PT é um instrumento perigoso e vulnerável para o Estado português.”
Aí é que está o busílis da questão. O que é crucial é acabar com a golden share do Estado na PT. A partir daí essa empresa passa a ser totalmente privada e acabam-se estas suspeições todas.
“Tenho muita dificuldade em aceitar que uma empresa [cotada em bolsa] possa enveredar por um negócio para acabar com o Jornal Nacional.”
Excelente observação. Muita dificuldade mesmo.
Pedro
Espero que não se zangue, mas a meu ver, não há. Agora já não vão a tempo. São todos cúmplices desta ficção nacional.
Deixaram que se instalasse esta nova cultura da “esquerda moderna” e que tudo controlasse: haverá algum território que lhes tenha escapado?
Dava-lhes jeito este “charme” da propaganda e da imagem, que escondia uma “outra realidade” que agora já está a surgir à luz do dia…
Uf, Carlos! Pelo menos estamos de acordo nalguma coisa. Já não é mau. Mas também podíamos estar em desacordo, que tudo bem na mesma.
Ana
Há um PS que nunca esteve com Sócrates, Ana. Esse PS começa agora a vir à superfície. Em política há sempre soluções. A política tem horror ao vácuo.
Pois há, e ainda bem que já se está a manifestar. Aquela gente não anda toda louca.
Um dos acontecimentos de 2010 será a demonstração prática de que existe um PS pós-Sócrates, Luís. Já vai tarde. Mas antes tarde que nunca, como nos ensina a sabedoria popular.
Também vi as declarações de vitorino . A retirada de apoio do ps?
Neste caso, a voz de Vitorino foi a voz do elementar bom senso. Que tem faltado de todo a José Socrates e a certos membros do seu núcleo duro, aliás cada vez mais reduzido.
bom senso?acho e que e mais tacitismo do tipo chichlet usa e deita fora quando o incubente deixa de ter utilidade.
Não sei se isto é o “outro PS” que vai aparecendo. Medeiros Ferreira sempre teve a sua própria voz e tem orgulho em ser uma espécie de “contra-corrente”. Ana Gomes, independentemente de qualquer opinião política sobre ela, teve sempre uma opinião muito pessoal e frequentemente politicamente complicada (custa imaginar como fez carreira de diplomata), mas nunca foi propriamente uma cria amestrada de Sócrates, antes terão existido períodos em que simplesmente concordava.
Já Vitorino me parece outro assunto. Foi (ou aparentou ser) uma lança de Sócrates no passado (“habituem-se”, lembram-se?) e nunca esteve propriamente muito crítico das posições do PM. Agora começa a vir com esta ladainha? Isto parece-se mais com os primeiros passos para preparar o terreno para o pós-Sócrates, seja causado por acções presidenciais em Abril ou por qualquer outra acção noutra qualquer altura.
Numa frase: os ratos são os primeiros a abandonar o navio. Talvez porque são bem inteligentes.