Hoje interrompo o tempo de férias porque quero fazer eco da minha indignação.
Todos temos direito à privacidade, mesmo que ocupemos lugares públicos. E o direito à imagem é inalienável nesse campo.
Ora numa notícia publicada no Diário de Notícias, no dia 9 de Agosto – de que só ontem tive conhecimento -, que tem por título “Assunção Esteves descansa em biquíni na praia”, a Presidente da Assembleia da República é “apanhada” em várias fotos suas, em traje de banho de duas peças, naquilo que considero uma intromissão na esfera da sua vida privada. O texto da notícia é também passível de insídia, mas já nem falo nisso. Apenas lamento a falta de qualidade.
Não conheço pessoalmente Assunção Esteves. Sei quem é e, pela notícia, verifico que estava no pleno uso das suas férias. Portanto, com os direitos que daí lhe advêm. E sem estar a conceder qualquer entrevista que justificasse o abuso jornalístico.
O que pretendeu, então o jornal? Menorizar a segunda figura da nação? Menorizar a mulher que desempenha essa função? Insidiar algo? O quê?!
Eu sei que estamos na silly season. Mas até neste campo há limites à parvoeira nacional, sobretudo em jornais cujo passado nos faz pensar que continuam a merecer o nosso respeito. Lamentável!


Vem aí um reforço de um organismo que vai filtrar essas não noticias
Assunção Esteves estava num espaço público? Se sim, o jornal não tem de justificar nada. Assunção é que tem de saber o que usa ou não num local público.
A 2ª figura do estado português tem e deve ter pouca vida privada em locais públicos.
Se é relevante ou não, é outra questão a que, às vezes, o tempo permite responder.
Tambem me parece.
Cumpts.
Muitas, e variadas, têm sido as vidas do Diário de Notícias, e a todas tem resistido.
Nesta sua vida, deste proprietário, deste director, receio que não vai ficar muito bem no retrato.
O jornal vende-se cada vez menos. A razão é simples e, ao mesmo tempo dramática:
Quem compra jornais pelas javardices que publicam, prefere os originais – CM ou as resmas de revistas cor-se-rosa que por aí polulam.
Porque -ainda – gosto de jornais e jornalistas, associo-me a esta sua indignação.
Hélas!
“polulam” é uma palavra engraçada porque lembra poluição.
Pois há Helena. Totalmente de acordo.
Mas as notícias vendem-se porque há quem compre.
A democracia é assim.
Prefiro um povo a decidir que uma elite a decidir o que é bom para o povo.
A sua mensagem, encaro-a como pedagógica, gosto de si.
Como cidadão, não consumo. Como empresário da comunicação social, já duvidaria.
Afinal estaria mesmo de biquini, e ainda bem.
Já agora, deixe-me transcrever um post do 4ª República, escrito por Pinho Cardão. De notar que se trata do mesmo pasquim. Diz Cardão:
“As férias de Passos Coelho na praia onde é veraneante habitual têm sido o mote para toda a maledicência. Jornalistas e pensadores competem diariamente no comentário preconceituoso e canalha.
Aqui há dias, o DN publicou uma fotografia de Passos Coelho a dirigir-se com a mulher para a praia, de fato de banho e toalha debaixo do braço. A foto servia para ilustrar um texto parolo de crítica rasteira e desmiolada: um mau exemplo do 1º Ministro, que não levava nem creme protector, nem garrafa de água.
Não dizia o jornalista se o sol ia alto ou já ia no ocaso; como não ocorreu ao jornalista que o homem se poderia ter besuntado em casa, antes de sair; ou se o homem não poderia comprar água, se lhe apetecesse, num qualquer bar da praia. Não, o único pretexto era criticar. Tomam-se como seres superiores. Tão superiores que subestimam a inteligência alheia. A pior forma de cretinice.
Pior ainda, permitem-se estabelecer normas, até quanto à água a beber e onde beber, e arvorar-se em guardiões do vício e da virtude. Teriam profissão garantida nalguns sítios que conhecemos. Ou como informadores da inquisição, se a houvesse.”
Se levarmos em linha de conta a educação esmerada e o alto gabarito intelectual do director do DN, já para não falar do “amigo Joaquim”, o seu proprietário, coisas como as que relata não nos devem admirar: são do nivel em que eles vivem, muito rasteirinho!
Nota: fui bisbilhotar o Jugular que costuma denunciar estas coisas, mas nada. Talvez se a Presidente do Parlamento tivesse queimado a parte de cima do bikini aquelas senhoras se indignassem.
É, de facto, triste, ver um jornal que já foi uma referência tornar-se, aos poucos, numa espécie de revista cor de rosa a preto e branco…
E é ainda mais triste pensar que as figuras que devem ser as mais sérias do país sejam retratadas e “perseguidas” pelos meios como uma qualquer “vedeta em ascensão”, de telenovelas, reality shows e afins.
E não estamos a falar apenas das férias da Presidente da Assembleia da República. As férias do Primeiro Ministro assumiram também contornos de uma quase telenovela.
Neste caso específico (Assunção Esteves), não só invadem a esfera privada de uma pessoa, como (e espero que não conscientemente), rebaixam a sua existência enquanto mulher (ou alguém imaginaria uma notícia que dissesse “[inserir nome do político do sexo masculino] na Praia de calção de banho”?)
Estas notícias deixam-me triste… e é por isso que há já muito tempo deixei de ler o Diário de Notícias…
Então( D.Dom) Cat
Nunca viu o Mário Soares em calções na Praia dos Tomates… quase com os dito cujos amostra?
E o Joao jardim no Porto Santo… a precisar de soutien?
Quanto à nossa Presidenta: Só conheço tres paises no mundo onde a foto ( não me refiro ao texto) não passaria: Coreia do Norte, Cuba e China!
Precisamos saber que a nossa Presidenta é de carne e osso como nós, gosta de praia e anda com a malta!Não teme sarna popular.!
Pior são os que se escondem!
Infelizmente parece não haver limites. Se a cidadã Assunção Esteves descansasse nua na praia, e numa praia que não fosse naturista, ainda poderíamos ter notícia. De outro modo, deixem a Presidente da Assembleia da República e as restantes pessoas, políticos ou não, simplesmente descansar… na praia, no campo, onde melhor lhes aprouver.
Não há, Helena, não há limites. Sobretudo para a idiotice, porque não se percebe onde está a “notícia” quando se diz que alguém “descansa na praia de biquini”… como se o natural fosse estar de smoking, sei lá.
Helena, está indignada e muito bem. Quero apenas lembrar que a parvoeira nacional é a cópia da parvoeira internacional, até ao nosso provincianismo falta originalidade, e muitas vezes sobra-lhe “burgessice”. Costuma dizer-se que a palavras loucas, orelhas moucas: é o que espero da Presidente da Assembleia da República.
Ou então, se abrir a boca, que seja para pôr essa gente com dono.
Mais grave… mais deprimente foi o telejornal da RTP 1 ( hoje) A do serviço público:
Sem comentários:
” Cientistas portugueses descobrem a causa da doença de Parkison”
Tempo de antena 5 ( cinco segundos) – sem pormenores nem entrevistas.
“Chegada ao Aeroporto Sá Carneiro dos medalhados (prata) canoa: 25 minutos.., gritos histéricos, entrevistas: ” então ainda vai ter força para aguentar esta noite? A medalha vai pra filha?…PQP
MISÉRIA!!!!
Escandaloso é a senhora já estar reformada as 40 anos.
Para essas reformas – únicas na Europa (talvez na Grécia… seja parecido) – já o critério é outro. E a falta de limites parece não incomodar.
A transformar-se num Daily Mail e com uma ortografia repelente até não me importava que o jornal falisse. Seria bem feito. O edifício, aliás, dava um bom hotel.
Pois muito bem, estou crente que estão mais ou menos todos em sintonia.
Meus senhores e minhas senhoras, se for caso de as haver, se não as há, pelo menos no singular temos a Sr.ª Helena.
Como já fiz questão de mostrar a minha opinião sobre a problemática aqui apontada e, estando de acordo com esta pouca falta de critérios qualitativos da comunicação social portuguesa, também julgo que deve ser feita alguma salva guarda acerca desta profissão, cuja consiste em informar a populaça.
1º- Também não me parece ajustado, ambicionarem vossas excelências ao “poder” e não aceitarem o escrutínio dos meios de comunicação, até porque em países bem mais evoluídos que o nosso, o mais que equivalente a Presidente da Republica é um alvo constante da comunicação social. (para os que não querem entender, refiro-me à família real inglesa e, outras…)
2º- mesmo que estejamos a atravessar um tempo, que pela crise justifique a privatização de um canal publico, não significa que não temos a obrigação de olhar as questões com verdadeiros olhos de ver, se não, corremos o risco contribuímos para para a desunião e desagregação, o que em tempos difíceis é também ser irresponsável ou, egoista.
3º- este governo faz alguma coisa de bom, alias, em minha opinião os governos de direita são menos utópicos, mas também apresentam menos bons, sintomas, que com alguma facilidade são conetados ao fascismo.
4º- Para todas estas vozes que se opõem à “libertinagem” da informação, creio que deve ficar um alerta para que exista uma certa tolerância e um certo espaço de ação, até porque isto não é novo no nosso país e, como já disse é tolerado noutros países. Esta minha preocupação reside no que a seguir exponho:
Parece que na “calha” existe um projeto de lei que tem contornos de uma autentica censura . Porque este consiste em aumentar em muito os poderes da Entidade Reguladora para a comunicação Social.
Entre, por certo, muitas alterações , as mais delicadas são as seguintes:
a) A nomeação dos seus membros ser da exclusiva responsabilidade do governo.
b) A substituição de um membro deste organismo, ficara impedida por um período de 5 anos.
c) este organismo passara a ter deliberações de caráter vinculativo.
d) as multas para quem não cumprir as deliberações aumentam em 5 vezes.
Bem, isto é muito bonito, mas nas mãos de um governo maioritário pode facilmente se tornar numa autentica ferramenta de manipulação da opinião publica, o que vai fazer com que surjam indivíduos ou grupos, de comunicação marginais ou marginalizados.
Por acaso também vi um destes dias uma noticiazeca sobre as férias do nosso primeiro e lá vinha, entre outras parvoíces do género, que ele se punha na bicha do supermercado durante 20 minutos; que não pedia factura (!); que um vizinho foi assaltado; que uma comerciante local garante que ele vai para aquela praia há quatro anos; e que, saindo da casa onde passa férias para se dirigir com a mulher para a praia, ao ver-se rodeado de (pseudo) jornalistas e fotógrafos e apercebendo-se de que os seus guarda-costas se preparavam para os “enxotar”, lhes fez sinal para que deixassem os tais “jornalistas” trabalhar.
Aqui o pasquim era o Expresso…
Li porque de vez em quando, talvez por distracção, também me calha ler e ver peças jornalísticas que, na minha opinião, não passam de lixo. Há leitores para tudo, a imprensa (toda e não apenas o DN), em Portugal e no Mundo, está em crise, muito por culpa da internet (eu, por exemplo, deixei de comprar jornais, embora os leia online, de borla…), mas também porque as pessoas deixaram de confiar nela. E porquê? Simples: porque ela, de uma forma geral, baixou de qualidade e deixou de se mostrar digna da confiança dos leitores. Este caso da “segunda figura da nação” vale o que vale. Para mim não vale nada. Como não valeram grande coisa as notícias que já tinham vindo a público acerca da reforma dela aos 42 por ter estado 10 anos no TC, ou por ter atropelado uma velhinha no Algarve, ou por ter atribuído um gabinete e um BMW ao Mota Amaral. Cusquices nuns casos, vergonhas “legais” noutros, nada disto é novidade para os portugueses. Infelizmente.
caro srº Pereira, estou em crer que já li outros comentários seus, tanto ou mais dispersos que este que aqui faz.
Primeiro, quero lhe dizer que neste, até chega ao extremo de mostrar evidentes sinais de fascismo, ao que, se eu estiver enganado, desde já apresento um pedido de desculpa.
Segundo, já o li a criticar duramente este governo de uma tal forma que agora fico com a ideia que você anda a disparar em todas as direçôes .
Evidentes sinais de fascismo… ahahah! Isto está bonito.
Sinais de fascismo, eu? Parece-me que um de nós andou nos copos e não fui eu… Peço desculpa se me enganei.
Então que fiz eu para merecer essa qualificação? Comentei um texto que criticava uma notícia e (principalmente) umas fotos do DN. Disse, em primeiro lugar, que notícias dessas também as dá o Expresso e disse que as considero lixo. Mas não disse que as desejaria censurar. Pelo contrário, se é legítimo os jornais publicarem lixo quando este é (ou pretende ser) favorável aos políticos, não o devemos considerar menos legítimo quando o objectivo for, eventualmente, “menorizar” esses mesmos políticos.
Aceito a opinião de quem escreveu o post, até porque se trata de uma senhora respeitável e respeitada, mas a solução para estas peças “jornalísticas” não pode ser nunca qualquer forma de censura. A comunicação social é responsável pelo que diz ou escreve e o público ou gosta e consome ou não gosta e afasta-se. É simples.
Neste caso, na minha modesta opinião, não se pretendeu ofender ninguém, o corpo da senhora é o que é e se ela tivesse vergonha dele não o mostrava.
Acho que Assunção Esteves não é propriamente imaculada, ou seja, como (quase) todos os políticos, tem pontos fracos.
E os portugueses, infelizmente, já não ficam chocados, nem com as cusquices nem com os roubos escandalosos que a classe política (e afins) pratica ao erário público.
Fui claro agora?
Sim, claríssimo Retiro a minha suspeita e reforço o pedido de desculpa.
Só agora tenho algum tempo para ler e escrever. Li melhor o seu esclarecimento e pedido de justificações e mantendo o que disse na mensagem anterior, resta-me apenas depor perante tão meu grave delito.
Do seu texto a seguinte frase: “Li porque de vez em quando, talvez por distracção, também me calha ler e ver peças jornalísticas que, na minha opinião, não passam de lixo. Há leitores para tudo.”
Mas é claro que os há. Menosprezar essas pessoas é o quê? Pelas suas palavras é lixo.
Em bem da verdade, noto a mesma atitude noutras vozes, mas a sua foi a que mais me provocou. LIXO!?
Só lê quando anda distraído!? Que faria você se, não andasse distraído? Ou andar distraído é próprio dos portugueses que por sinal também são lixo?
Do mesmo texto: “Este caso da “segunda figura da nação” vale o que vale. Para mim não vale nada.”
Não vale nada!? Então algo aqui está muito mal, ou é Portugal ou é a mentalidade de portugueses de meia tigela.
Concluindo. Mantenho o pedido de desculpas pois, da sua resposta, o paragrafo que abaixo transcrevo, desfez as suas anteriores frases.
” Aceito a opinião de quem escreveu o post , até porque se trata de uma senhora respeitável e respeitada, mas a solução para estas peças “jornalísticas” não pode ser nunca qualquer forma de censura. A comunicação social é responsável pelo que diz ou escreve e o público ou gosta e consome ou não gosta e afasta-se. É simples”.
Lamentável, como dizes, querida Helena, mas somos cada vez mais isto: voyeurs. Não seremos todos, evidentemente, mas basta-me uma ida esporádica ao cabeleireiro para ficar com os cabelos em pé:) Beijo-te
“Beijo-te”. Ai que lindo! Olha, olha, beijo-te no nariz! Toma. Olha, olha, olha, beijo-te no dedo grande do pé esquerdo. Toma. Ai que lindo!
Não sei porquê o post e os comentários fizeram-me lembrar o “movimento nacional feminino” e as brigadas dos bons costumes da época que zelavam para que estas coisas não fossem mostradas ao grande público. Tenha dó Da. Helena, se a senhora gosta do branco e do biquini é lá com ela, como é do foto-jornalista trazer ou não trazer uma imagem captada no meio da multidão, mas é capaz de ter razão, gente fina é outra coisa…
E sobre as escoltas policiais que os ministros (reformados ou não) levam para a praia (pagas como horas extraordinárias?), não tem nada para dizer? Choca-a exactamente o quê: que uma figura pública (ainda que reformada) seja fotografada num local público? Que não seja propriamente fotogénica (o que não choca nem surpreende ninguém, dado o seu estatuto de reformada)?
Ridícula peça “jornalística”, ridícula esta indignação por coisas de lana caprina, que acontecem com todas as figuras de estado há décadas.
Louvado seja o jornal ou revista que nos mostrar a a D. Conceição Cristas… de preferencia de topless!
Tenha paciência: Isto acontece em todo o mundo civilizado!
A “insidiosa” notícia é que ela é lésbica. Como não é assumida (que horrorrrr) há sempre estas notícas soft…”foi passear com uma amiga” , “foram as duas almoçar”, “viajaram juntas”… Muita hipocrisia
Melhor pondo: «a “insidiosa” notícia é de que ele é lésbica» não assumida.
A insídia sem aspas é mesmo esta (não assumpção).
Cumpts.
Há aqui algo que me confunde: o problema é terem mostrado umas faixas desnudadas do corpo da senhora (a foto que vi nada tinha de pornográfico…)? Se estivesse sentada numa esplanada da mesma praia, com aquela horrorosa farda que enverga na AR, não haveria problema? Puritanismo qb?