Cem escritores que deviam ter ganho o Prémio Nobel (8)


Pedro Correia,

 

«Apenas amamos aquilo que não possuímos completamente.»

Marcel Proust (1871-1922)

16 comentários em “Cem escritores que deviam ter ganho o Prémio Nobel (8)”

  1. Tenho seguido a sua lista.
    Proust e a ideia de um prémio parece tão absurda! A outorga do prémio nada diz da obra de Proust… nem lhe poderia acrescentar fosse o que fosse.
    Sobre o assunto, creio que o que se pode dizer do Nobel é que alguns grandes escritores o receberam.
    O igualmente imenso Tolstoi não o recebeu… e também não lhe acrescentaria nada à obra.
    Proust e Tolstoi tornariam o prémio Nobel mais prestigiado, apenas.

    1. Aqui divergimos. Não me teria parecido nada absurda a hipotética concessão do Nobel da Literatura a Proust. Sempre me pareceu mais absurda a entrega do prémio a Sully Prudhomme, Bjørnstjerne Bjørnson e Frédéric Mistral – para falar apenas em três dos quatro primeiros laureados.
      (e, sim, Tolstoi também merecia)

      1. A obra de Proust não é “recompensável” em termos de prémios: é uma das maiores obras produzidas pela civilização europeia e o prémio, concedido ou omitido, não lhe pode acrescentar ou retirar rigorosamente nada.
        É absurdo por isso. O mesmo se diga da obra de Tolstoi.
        Digamos que um prémio apenas pode “medir” o que está sub sole, não o sole em si 🙂
        E é sub sole que encontramos as injustiças relativas que refere: sub sole há grandes montanhas e depressões consideráveis.

        1. O que V. diz de Proust poderemos dizer de vários outros escritores – Joyce, por exemplo. Direi mesmo: da maioria dos escritores que desfilarão nesta série que aqui trarei até ao mês de Novembro. Nessa óptica, o Nobel funcionaria como uma referência ‘a contra sensu’: um sinalizador do que não é relevante.
          Não irei tão longe por saber que houve grandes escritores premiados pelos académicos suecos. Não esqueço que um Camus foi distinguido. Ou um Beckett. Ou um Vargas Llosa. Infelizmente os grandes escritores que ficaram esquecidos foram em número consideravelmente maior.

          1. Talvez Joyce, sim.
            Berkett ou Llosa são imensos, mas.
            Ficaram dezenas de grandes escritores “esquecidos”, mas creio que poucos deles se terá incomodado. Creio mesmo que a ideia nem sequer terá passado alguma vez pela cabeça de Proust. E de Borges passou porque o nomeavam anualmente.

          2. C, qualquer escritor gostaria de ganhar o Nobel. Prova? Aqui vai uma: dos 108 que já foram distinguidos pelo Comité Nobel, apenas um recusou (Sartre, em 1964, mais por efeitos de ‘marketing’ “anti-burguês” do que outra coisa).
            Foi a excepção que confirma a regra.
            Escritor que diga o contrário está a ser hipócrita.

        2. C., creio que o Nobel deve ser encarado como um reconhecimento de excelência, e não com a pretensão de acrescentar alguma coisa à obra a que é atribuído. Muitos escritores não o receberam – em alguns casos, como penso que serão os dois que cita, é consensual o absurdo – mas é evidente que nem os escritores nem a a sua obra ficam diminuídos por isso. Noutros será mais subjectivo, claro. Enfim, um prémio vale o que vale. Neste caso até vale bastante, porque geralmente leva a uma tradução da obra para mais línguas, portanto a uma divulgação e a uma visibilidade muito maior do que teria em circunstâncias “normais”.

          1. Creio que não e fiz entender: um prémio é absurdo quando não pode premiar será o que for. Imagine-se o secretário viegas a condecorar Camões a título póstumo, ou o cavaco a atribuir uma a torre e espada a D. Nuno Álvares Pereira ou a D. João I.

          2. P.S. Mas não “reconhece” quem quer. Reconhecer é um acto de poder… Quem são os membros do Comité Nobel para “reconhecerem a excelência de Proust? E Proust é “excelente”? Duvido que seja o termo mais adequado. Guardemos os prémios de “excelência” para as cervejas ou design de telemóveis 🙂

          3. Na literatura também pode e deve haver prémios de excelência, C. Não há nenhum motivo para que isso não aconteça. Porque há excelência em arte, tal como há muita mediocridade. E lixo.
            Pode e deve haver prémios para escritores. Tal como os filmes ‘artísticos’ também são distinguidos e premiados em festivais como os de Cannes, Veneza ou Berlim. Tal como os grandes arquitectos são premiados com o Pritzker (e já houve dois portugueses justamente distinguidos). O Nobel reconhece a excelência literária – ou devia reconhecer. Tal como o Pulitzer ou o Goncourt. Ou o Cervantes, que premeia os autores de língua espanhola.

  2. Sem dúvida que seria um prémio polémico, haveria quem achasse dos mais merecidos de todos e quem considerasse um ultraje premiar um autor que quase se resume a um único romance com 7/8 volumes intragáveis.
    Por coincidência comecei a ler “Em busca do tempo perdido” este ano… e espero ler a obra toda.

    1. De facto, caro Carlos, não é fácil ler esta obra que se espraia por vários volumes. Mas não é pela qualidade de títulos que podemos aferir um valor literário. Homero – o primeiro escritor de que há registo – legou-nos apenas dois títulos, mas qualquer destes seus poemas épicos é um monumento cultural de valor inestimável.

  3. Caro Pedro,
    Fico a aguardar com expectativa os próximos posts desta rubrica.
    Esperançado que nela figurem nomes como Lobo Antunes, Nikolai Gogol, Nabokov, Virginia Woolf, Borges e Kafka.
    Bem haja.

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