Gulag? Nunca ouvi falar


Pedro Correia,

 

Rita Rato, de 26 anos, licenciada em Ciência Política e Relações Internacionais, é uma das novidades da bancada parlamentar do PCP. Só a cara é nova: o pensamento desta jovem deputada é o mesmo dos veteranos do seu partido. "Não sou capaz de responder porque, em concreto, nunca estudei nem li nada sobre isso", respondeu ao Correio da Manhã quando quiseram saber a opinião dela sobre o Gulag.

Nunca ouviu falar no Gulag, senhora licenciada em Ciência Política? Eu explico: era assim uma espécie de campo de férias destinado exclusivamente a reaccionários no paraíso soviético. Tem hoje algumas sucursais na Coreia do Norte, uma das mais pujantes democracias do globo, como certamente lhe explicará o seu camarada Bernardino Soares. E Estaline era um monge ortodoxo, universalmente conhecido pelo seu espírito caritativo e justamente galardoado com o Nobel da Paz pouco antes de ter falecido em odor de santidade.

 

ADENDA

Mais uns excertos da referida entrevista (via Loja de Ideias):

– Concorda com o modelo que está a ser seguido na China pelo PCC?

– Pessoalmente, não tenho que concordar nem discordar, não sou chinesa. Concordo com as linhas de desenvolvimento económico e social que o PCP traça para o nosso país. Nós não nos imiscuimos na vida interna dos outros partidos.

– Mas se falamos de atropelos aos direitos humanos, e a China tem sido condenada, coloca-se essa não ingerência na vida dos outros partidos?

– Não sei que questão concreta dos direitos humanos…

– O facto de haver presos políticos.

– Não conheço essa realidade de uma forma que me permita afirmar alguma coisa.

– Mas isto é algo que costuma ser notícia nos jornais.

– De facto, não conheço a fundo essa situação de modo a dar uma opinião séria e fundamentada.

– No curso de Ciência Política e Relações Internacionais, não discutiu estas questões?

– Não, não abordámos isso.

52 comentários em “Gulag? Nunca ouvi falar”

  1. É uma falta de respeito pela verdade histórica, sinto-me agredida, quando esses comunistas pró-soviéticos defendem o regime de Estaline, e seus sequazes, até à Perestroika e ao derrubamento do muro de Berlim.

    Números da repressão estalinista: – Número de mortos
    Executados: 1,5 milhão
    Fome e privações (gulags): cinco milhões
    Deportados: 1,7 milhão
    Prisioneiros civis: um milhão
    Total: aproximadamente nove milhões (segundo oescritor russo Vadim Erlikman)*

    À senhora deputada bastará fazer uma busca na net, se não quiser ter muito trabalho, ainda lhe deixo aqui um link simples: – http://pt.wikipedia.org/wiki/Josef_Stalin#N.C3.BAmero_de_v.C3.ADtimas

    * http://archives.tdg.ch/TG/TG/-/article-2003-03-43/le-culte-de-staline-vit-une-renaissance–estime-vadim-erlichman Há que ter cuidado, o poeta já nos avisou.

  2. A jovem deputada comunista nada sabe do Gulag? Já percebi: não é licenciada em História; Ciência Política e Relações Internacionais não inclui matéria sobre a Idade do Gelo.

    Não vou adiantar mais nada sobre ela, Pedro. Estou a ver a foto da Rita Rato que encima o teu ‘post’ e parece-me que a conheço a pequena…

    1. Perdoa-me a intromissão: não será licencida em História, Ciência Política, além de não ser chinesa.
      Atrevo-me a dizer que também não deve saber ler e provavelmente nunca viu televisão. Não conhece os jornais.
      Vive isolada, tadinha …. e não pode ter ideias próprias. to be ou not to be …

  3. A ignorância é sempre um postulado autoritário estabelecido por alguém, tendo em vista contribuir para o descrédito de um determinado carácter. Estratégia pobre, gasta, uma espécie de técnica pastilha elástica. Diga-me, confundir desconhecimento com descredibilização de carácter não será mau, mesmo muito mau? É este o estado da “arte”… Sad, so sad…

    1. «Descredibilização de carácter»? “Descredibilização” usa-se imenso dizer. “Descredibilização de carácter” nunca tinha ouvido, mas pode ser que pegue.
      Já agora, desculpe que lhe pergunte: não se terá enganado na porta? Aqui trata-se de ignorância.

    2. Suponho que me fez uma pergunta, mas não entendi o que me perguntou. O “postulado autoritário” e a “descredibilização de carácter” deixaram-me zonzo. Vou meter explicador a ver se percebo.

      1. Esta entrevista foi uma palhaçada … Ao contrário dos grande nome as miúda não sabia previamente o guião. Lixou-se… Não certa não voltam a fazer… Mas que mania comparar o PC português com os maus exemplos no mundo. Vamos fazer uma entrevista e falar dos eros, das coisas más e nos desvios…

      2. Coloquem lado a lado a foto da Rita e do Estaline e tentem comprar?
        Á coisas que o tempo histórico não deixa comparar. Depois as ideologias estão em constante mutação.
        Ainda hoje à muitos Estlines pelo mundo e não são eles comunistas, exploram os países, assassinam , são corrupto. E a esses por estarem protegidos pelos grandes ninguém aponta do dedo…

    1. Ela tem desculpa, Daniel. Ainda não foi inventada a Internet. Ela não tem esse instrumento ao dispor dela. Se a Wikipédia, por exemplo, já tivesse sido inventada, ou mesmo o livro, já para não falar na televisão ou no cinema, que ainda não existem neste século V a.C. em que vivemos, seria indesculpável que ela não soubesse nada de Estaline ou da repressão na China comunista. Assim a culpa é dos professores de Ciência Política e de Relações Internacionais da Senhora Licenciada. Cambada de inúteis: só ensinam o que não interessa aos futuros deputados do País. Assim nunca mais chegamos ao século IV a. C.

  4. Tão novinha, tão acabadinha de chegar e já a mostrar as pleno as suas enormes potencialidades para a deputação! Passando a publicidade, dá vontade de dizer como o elefante: “tu és rato…”

  5. Vcs são mauzinhos.
    O jornalista é que não presta, pois não soube fazer as perguntas certas.
    Devia ter perguntado os nomes dos “tascos” da moda lá da zona.
    Quais os locais de culto da noite Lisboeta. O Kremlin, de certeza que sabia o que era.
    Ou nomes de bebidas exóticas e que batem… fundo.
    Por falar em bater, talvez soubesse também o nome de alguma substância… “batente” (não, não é trabalho, na gíria da CB).
    Que raio de perguntas essas, desse jornaleiro.
    Direitos humanos? onde já se viu? que é isso? campos de trabalho forçado? que raio de coisa, quem é que se deixa forçar a trabalhar mais que 35 horas por semana?
    PRESOS ficamos nós, a estes POLÍTICOS de meia tigela.

  6. Eu, que estou a licenciar-me em Ciência Política, não sabia que o humor era uma das saídas profissionais do curso…

    “
    – O que sente quando ouve dizer que “os políticos são todos o mesmo”?

    – Acho que esta é uma questão que nos deve animar e anima-me pessoalmente. Ontem [segunda-feira] vinha no eléctrico e uma pessoa ao lado de quem ia sentada disse isso. Interpelei-a e disse que não era bem assim, que os deputados eleitos do PCP não eram assim. “Ah, pois, vocês são diferentes! Nós sabemos, o PCP é diferente, são pessoas sérias e honestas. Tomara todos serem como vós”, disse-me. “

    1. Muito bem visto. Por acaso, há tempos viajava eu de avião e a pessoa sentado ao lado estava a comentar que a gente do norte é horrível. Interpelei-a e disse-lhe que sou do Porto. E ela respondeu-me: Ah! Isso é diferente! Tomara que fossem todos como os do Porto!

    1. Bem visto Leonor. Mas, convenhamos que, neste caso, há tudo menos superficialidade e ligeireza. Neste caso a lição está muito bem estudada… Tristeza…

  7. A rapariga ainda não tinha decorado a cassete e não se quis comprometer, tadinha. Não fosse levar um puxão de orelhas dos camaradas por alguma resposta menos progressista.

  8. Lamentável! Tão nova e tão acéfala! Gente desta é que constroi o inferno para os outros: atente-se na Coreia do Norte! Imagine-se esta gentinha no Poder! Iámos todos para campos de concentração!

    1. Campos de concentração? O que será isso? Hum… melhor matricular-me num curso qualquer a ver se o professor ensina. Se não ensinar, também não faz mal. É da maneira que não me «imiscuo» na vida dos outros.

  9. Esta menina vai longe Pedro, é desta massa que são feitos todos os bernardinos deste PCP. Amorfos, liofilizados e feitos à medida. De fugir.

  10. Bom dia,

    Mas a Sra. tem opinião sobre alguma coisa? Ou vai para a AR fazer número e usufruir do chorudo ordenado?

    E assim vai o estado da nação onde o destino do nosso pais está nas mãos deste tipo de pessoas.

    Enfim

  11. Aposto que sobre o “imperialismo” americano a menina tem abundantes conhecimentos e não se faz rogada em partilhá-los.

    Podia tentar ver-se a coisa pelo lado positivo (tanto para aprender e ainda tanto espaço livre no cérebro) mas cérebros assim são lugares abafados onde apenas algumas ideias (fixas, anaeróbicas) conseguem sobreviver.

  12. Realmente não se percebe, como lhe faltou esta parte da cassete.
    Se ainda fosse noutro tempo, em que as cassetes eram enormes, quase do tamanho de um livro e por isso ainda demoravam o seu tempo a engolir.
    Mas agora, que tudo tem a espessura de um cd, o tamanho de um chip ou a facilidade de um cabo usb.

    Se calhar é algum tipo de resistência, de contra-progresso, forças da reacção…não sei, digo eu.

  13. ‘- Como encara os campos de trabalhos forçados, denominados gulags, nos quais morreram milhares de pessoas?

    – Não sou capaz de lhe responder porque, em concreto, nunca estudei nem li nada sobre isso.

    – Mas foi bem documentado…

    – Por isso mesmo, admito que possa ter acontecido essa experiência.

    – Mas não sentiu curiosidade em descobrir mais?

    – Sim, mas sinto necessidade de saber mais sobre tanta outra coisa…’

    E assim acontece…

  14. No início quando perguntaram a Rita Rato que opiniao tinha sobre o “Gulag” ela deixou de ter opinião, talvez pensasse que estavam a gozar com ela ao falar em sopa (gulash) ou num sorvete.
    A partir daqui bloqueou; ficou oca.
    É jovem, não pensa!

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