Greta Thunberg na Assembleia da República


Cristina Torrão,

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Imagem daqui

 

Depois de o meu colega de blogue jpt ter publicado este excelente texto sobre Greta Thunberg, hesitei em publicar o meu. Mas já o tinha alinhavado, desde que a decisão de convidar a activista sueca a discursar na Assembleia da República causou reacções indignadas nas redes sociais, e resolvi avançar.

Sabemos que a maior parte das crianças crescem super-protegidas e super-vigiadas, até se criou a expressão “pais-helicópteros” para designar os progenitores que constantemente “voam” à volta dos seus rebentos, não lhes permitindo um momento livre e/ou sem ser planeado. Há uma preocupação constante de afastar as crianças de tudo o que seja problema, polémica, ou má notícia. Não são introduzidas nas tarefas domésticas, tudo lhes cai sobre a mesa, como por milagre, as roupas aparecem lavadas nos armários, como por mão de fada invisível. São postas em colégios privados, para e de onde são transportadas de carro, e, chegadas a casa, aterram no sofá, onde se ocupam com os seus telemóveis ou a televisão. Passeios de fim-de-semana? Só se for no Centro Comercial. Quantas crianças tiveram já oportunidade de criarem os seus próprios passatempos, brincadeiras e brinquedos? Quantos adolescentes já deram passeios de quilómetros pela Natureza? Quantos foram sensibilizados para os problemas da pobreza, da discriminação e da solidão? Pais e sociedade queixam-se de que os jovens são preguiçosos, sem interesse por nada, nem sequer empatia pelo sofrimento alheio. Porque será?

Perante este cenário, como não admirar uma activista como Greta Thunberg? Eu admiro, acima de tudo, a sua coragem. Quantas miúdas de quinze anos se atreveriam a faltar às aulas para se plantarem em frente do Parlamento, com cartazes a exigir uma melhor política ambiental? Foi assim que ela começou.

Podem dizer-me que a maior parte dos que participam nas suas manifestações o fazem apenas para faltar à escola. Também me podem dizer que gritam pelo ambiente e contra as alterações climáticas, fazendo, eles próprios, uma vida consumista e sem abdicar dos seus confortos. Ora, este movimento é precisamente a melhor oportunidade para eles tomarem consciência do que se passa e mostrarem aos pais que a vida de todos tem de mudar. É uma boa oportunidade de mostrarem que, por mais boas intenções que os pais tivessem, ao poupá-los ao lado menos bom da vida, cometeram um erro. É nosso dever ouvir a sua voz e reflectir sobre o que os preocupa.

Há uns anos, a activista paquistanesa Malala Yousafzai ganhou a admiração e o respeito da civilização ocidental. Tinha quinze anos, quando sofreu o atentado, dezasseis (a idade de Greta Thunberg), quando discursou na Assembleia da ONU, dezassete, quando foi agraciada com o Nobel da Paz (como co-premiada). Porque se fala agora de infantilização do mundo, em relação à jovem sueca? Por ela dizer o que vai mal na nossa civilização, enquanto Malala Yousafzai atacava os “trogloditas muçulmanos”? É sempre mais fácil arranjar culpados exteriores a nós.

Considero a acção da jovem sueca tão importante como a da paquistanesa. «A nossa casa está a arder», disse Greta Thunberg, na reunião anual do Fórum Económico Mundial, em Davos, na Suíça. Chernobyl e Fukushima mostraram-nos que andamos realmente a brincar com o fogo. O trânsito insuportável nas grandes cidades e nas auto-estradas europeias mostram-nos que estamos a ir na direcção errada (todos os dias há engarrafamentos de dezenas, ou mesmo centenas, de quilómetros nas auto-estradas alemãs). Os voos baratos empestam o céu, assim como os cruzeiros empestam os mares e o ar que respiramos (nas suas deslocações europeias, Greta Thunberg viaja sempre de comboio, por ser um meio de transporte muito menos poluente que o avião). A nossa avidez por carne cada vez mais barata criou uma indústria desumana, em que pessoas trabalham em condições esclavagistas e em que animais deixaram de ser seres vivos para serem objectos que se podem manipular a nosso bel-prazer e em que a Natureza é destruída, a fim de produzir soja para os alimentar (cerca de 79% da soja no mundo é esmagada para fazer ração animal; é, por isso, desonesto dizer que são os vegetarianos/vegan os responsáveis pela destruição da floresta sul-americana, mesmo que todos eles consumissem soja, o que não acontece).

É uma ilusão acreditarmos que podemos dominar a Natureza, ou utilizá-la a nosso bel-prazer. A única hipótese que temos é de cooperar com ela. Na minha opinião, Greta Thunberg merece ser ouvida na Assembleia da República, quanto mais não seja, para que sirva de exemplo aos nossos preguiçosos e mimados jovens. Ela mostra-lhes que há problemas graves no mundo e que urge levantarem-se do sofá, adquirirem personalidade e tomarem posição. Ela mostra-lhes que é o futuro dos filhos e dos netos deles que está em causa. Ela mostra-lhes que a vida deles não consiste apenas na satisfação dos seus desejos, com fadas que tratam de tudo o que implique trabalho.

Ela mostra-lhes que vale a pena ter ideais.

“Não acredites em quem te diga que não podes mudar nada / Eles têm apenas medo da mudança.

A culpa não é tua de o mundo ser como é / Só seria tua culpa se ele assim ficasse”.

(excerto da letra de uma canção dos Die Ärzte, banda alemã; tradução minha, original em baixo):

 

Glaub keinem, der Dir sagt, dass Du nichts verändern kannst

Die, die das behaupten, haben nur vor der Veränderung Angst.

Es ist nicht Deine Schuld, dass die Welt ist, wie sie ist

Es wär nur Deine Schuld, wenn sie so bleibt.

0 comentários em “Greta Thunberg na Assembleia da República”

  1. Pode verificar na wikipedia que tem diagnostico de autista e deveria sere tratada como criança doente que precisa que cuidem de si.

      1. É comentário típico de troll para desacreditar Thunberg. Basta ver que a fonte dele é a Wikipédia. Não deixa de ser verdade, mas há muitos meios de comunicacaonsocial que já o indicaram – bem como a irrelevância do facto. Como a Alexandra, abaixo, muito bem refere.

    1. O espectro do autismo é de tal forma vasto que, em alguns casos (falo de crianças), são necessários anos de acompanhamento para que se situe o indivíduo nesse tal vasto espectro. Em regra, contudo, trata-se de indivíduos extremamente inteligentes, com extraordinárias em alguma/várias áreas, pelas quais desenvolveram interesse individual, sem que algum estímulo directo (pais/escola) tivesse qualquer influência.

      Os Asperger têm uma característica peculiar: não criam ‘laços afectivos’ (conforme os entendemos), demonstram pouca emoção, o que não significa que não sintam a proximidade de quem os ama. Conheço um, posso garantir que a inteligência dele, que no pré-escolar foi apodado de “deficiente mental” pela educadora (com pedido de exclusão do jardim de infância…). Nessa mesma fase, assisti a isto: numas folhas em branco, de lápis em punho, desenhou máquinas de uma complexidade espantosa e, vendo o tio aquilo, sem perceber de que se tratava (ninguém percebeu, aliás), pediu-lhe que explicasse. A expressão dele, o menino, foi de absoluta incredulidade, respondendo com um « – Mas não estás a ver?». E explicou, aquele mini Leonardo da Vinci, a forma como aqueles mecanismos levariam água de um lado para outros, com a máxima lógica e coerência. A “plateia” ficou em silêncio, siderada.

      Era “só” isto… não temos que ser todos iguais, e qualquer um de nós vai sofrendo com situações que geram ansiedade, depressão, etc. Até a esquizofrenia não detectada pode eclodir com um surto psicótico por dá cá aquela palha.

      Mais: conheço médicos bipolares… o lítio estabiliza-os, e alguns são profissionais de excelência.

      Afinal, o que é a porcaria da normalidade??? E que raio de indivíduos produz ela, a top model comportamental???

        1. Não é necessário qualquer agradecimento, Cristina, o que é necessário é dizer/partilhar: por exemplo, Cristina é também o nome da minha prima que permaneceu em negação quando o pediatra do filho mais novo lhe disse que o menino era autista. O meu priminho homónimo, que tem imensas coisas para dizer mas sabe quando deve ficar calado, apesar de interpelado, às vezes, até responde.

          Tem agora 11 anos. Ali pelos seus 5 anos de idade, foi com a mãe o pai ver uma exposição de pintura (um pintor francês – vivem na zona de Paris – do qual não recordo o nome, fazedor de grandes telas). Perguntaram-lhe, quando perceberam que ficara fixado hipnotizado por um dos quadros, o que achava daquilo que via, ao que respondeu: o elefante. Mas que elefante, perguntaram?, e ele sem fala (acercou-se deles um senhor que pediu permissão para falar com o Alexandre e lhe colocou a mesma pergunta, à qual ele respondeu, aproximando-se das figuras e, com o seu pequenino indicador, mostrou o elefante). O senhor apresentou-se depois, era o autor, nunca ninguém vira aquele elefante minúsculo.

          Como este, tantos outros episódios. Honestamente, confesso que o melhor, emocionalmente falando, é quando vem e fala comigo em português, num enorme esforço (mau trabalho dos primos, mas enfim) e exibe, desafiador, o seu francês com a avó materna (que tem como principal característica ser uma majestade rodeada de vassalos idiotas), que além do português só fala o alemão.

      1. Excelente comentário.

        Que eu saiba, o autismo/Asperger são patologias que afectam apenas a Teoria de Mente/ Junção Temporo-Parietal responsável pelo sentimento de empatia para com o outro ( não conseguem pôr-se no lugar do outro).

        Quanto à Esquizofrenia se tiver sede no Lobo Temporal existem surtos criativos, experiências místicas ( acredita-se que Lobo Temporal é a parte de cérebro responsável pela experiência do belo/ sentimento religioso) muito intensas, estando dita patologia associada à criação artistica. A Bipolaridade também, embora seja um doença que traz um enorme sofrimento para o próprio e a familia.

  2. Eu acho isto tudo muito grave, pois acontecem muitas coisas graves no mundo como violação de direitos humanos também cá, e ninguém quer saber, e uns hipócritas ou ignorantes preocupam-se com o clima, numa manobra de diversão para abafar o resto bem mais grave ou demonstração da sua ignorância.

    Como dizia Einstein, “O mundo é um lugar perigoso para se viver”, e esse perigo está nas pessoas!

    E concordo que o convite tenha causado reacções indignadas nas redes sociais.

    Quanto à sueca, ela foi manipulada e vive no seu pequeno mundo da fantasia que pouco tem a ver com o mundo real.

    1. Estou a ver que gosta de comparações. Gente como você acredita que a Humanidade só pode fazer uma coisa de cada vez. Eu acho que, com vontade e determinação, se pode fazer muita coisa ao mesmo tempo. Até porque os direitos humanos de pouco nos servem se o planeta se tornar num local inabitável.

      1. A humanidade pode fazer várias coisas ao mesmo tempo, não pode é haver prioridades invertidas, não pode é usar manobras de diversão para enganar os outros e abafar factos bem graves e mesmo desumanos que acontecem.

        E há factos bem graves que acontecem que são de solução muito fácil, muito mais fácil que mudar as eventuais alterações climáticas.

        Há muito tempo que deixei de acreditar na humanidade e o mundo actual vive da mentira, da manipulação e das aparências.

      2. Tem razão “há problemas graves no mundo”, mas não são os que diz ser. Um deles é a manipulação e a diversão constantes.

        Está preocupada com os que vão viver daqui a centenas de anos! E o que faz pelos que vivem hoje?

        E acho que a sueca também é mimada, senão teria outros assuntos com que se preocupar.

        1. Talvez não se trate dos que vão viver daqui a centenas de anos. Talvez se trate dos seus próprios filhos e netos.

          Quanto ao que eu faço pelos que vivem hoje, talvez chegue a alguma conclusão, lendo outros postais meus.

          1. Não é ´talvez’, trata-se mesmo da vida dos nossos filhos e dos nossos netos!

      3. Eu só faço uma coisa de cada vez, quando estou a dormir, não estou a trabalhar!

        Porque razão os que dizem que se podem fazer várias coisas ao mesmo tempo começam sempre pelo que é menos importante e ignoram os resto?

        “Até porque os direitos humanos de pouco nos servem se o planeta se tornar num local inabitável.”

        Portanto você não se preocupa com os que vivem actualmente mas com os que viverão daqui a centenas de anos e poderão (ou não) ter problemas!

        1. Eu não disse que cada um de nós, individualmente, deveria ser capaz de fazer várias coisas ao mesmo tempo. Eu falei na Humanidade, milhares de milhões de pessoas. Mau seria, se tanta gente só fosse capaz de tratar de um assunto de cada vez. Uns dedicam-se a umas causas, outros a outras. Todas devem ser valorizadas. Se entrasse num hospital com uma apendicite aguda, com certeza que não compreenderia que lhe dissessem: “lamentamos, mas hoje estamos ocupados exclusivamente com AVCs”.

          1. Já que falou num hospital, lá não “metem tudo no mesmo saco”, eles fazem uma triagem porque há prioridades tal como eu sempre defendi.

            Nem tudo o que acontece tem a mesma importância e é preciso definir prioridades.

            E veja isto:
            http://www.jornaleconomico.sapo.pt/noticias/os-deputados-sao-desumanos-272520

  3. Medo, pavor, desespero, angústia…. as palavras de ordem destas crianças manipuladas por adultos. O fim do mundo está a chegar.

  4. Vou usar uma palavra “cara” : eurocentrista ( juntando-lhe a “helenística” da Europa, i.e., a América anglo-saxónica).
    Mas talvez não seja totalmente inútil perguntar “aos Chineses” o que é que eles pensam disto tudo…
    A velhinha, mas omnipresente, relação de forças, lembram-se?…
    É que esta península da Ásia , hoje em dia, não tem muita credibilidade – mas que tem muito “umbiguismo”, lá isso tem.
    Basta o urso Russo franzir o sobrolho…

    Espero que esta visão de esperança e optimismo nos/vos alegre o que resta do dia.

  5. E temos mais uma fiel da religião Política.
    A Religião Política é a única que se arroga de poder controlar o Clima tal a arrogância do Poder dos seus proponentes. Já o Método Científico não interessa para nada.

    Quanto à rapariga a mãe até diz que ele vê CO2. Sim vê CO2 a sair da chaminés…
    As religiões precisam de ícones e místicos. Aqui temos uma.

    Já isto foi há 30 anos, 1989 : Dizem que é “ciência”

    https://www.apnews.com/bd45c372caf118ec99964ea547880cd0

    UNITED NATIONS (AP) _ A senior U.N. environmental official says entire nations could be wiped off the face of the Earth by rising sea levels if the global warming trend is not reversed by the year 2000.

    Coastal flooding and crop failures would create an exodus of ″eco- refugees,′ ′ threatening political chaos, said Noel Brown, director of the New York office of the U.N. Environment Program, or UNEP.

    He said governments have a 10-year window of opportunity to solve the greenhouse effect before it goes beyond human control.

    Data: June 30, 1989

    Fake News. Proselitismo da Religião Política.

    lucklucky

      1. Irrelevante. As formigas, as térmitas, o plancton tudo influi no clima….

        Diga-me uma que consiga definir quanto. =.x graus devem-se a isto, 0.0x graus deve-se a… mas existiram ventos, mais a emissões solares etc…

        E por falar em graus diga-me como raio consegue definir a “temperatura da terra” por exemplo.

        lucklucky

  6. Finalmente alguém que defende alguém que decide lutar pelas suas convicções.
    Até parece que é crime ser ecologista, ainda para mais sendo uma adolescente.
    Será que só os bens materiais interessam actualmente?

    1. Ela não é ecologista, segue apenas a Religião Política que precisa da culpa para obter poder.

      Quanto a ecologistas Portugal foi onde o Partido Ecologista nasceu para defender mísseis nucleares. SS-20.

      Mais um exemplo de “ciência” ou fake news?

      Nick Stockton science 05.13.16
      https://www.wired.com/2016/05/thanks-el-nino-californias-drought-probably-forever/

      Vamos lá ver como estão os reservatórios de água na Califórnia?

      lucklucky

      1. E eu a pensar que a religião politica prestava culto ao deus dinheiro. E eu que pensava que o deus dinheiro estava do lado dos triliões das petroliferas e não dos ecologistas. E eu que pensava que a manipulação só estava ao alcance dos poderosos, daqueles que em nome do petróleo/ recursos declaram guerras. Afinal estava enganado.

        1. Um marxista nega sempre que o maior lucro é ter poder sobre os outros.

          Aliás a melhor maneira de conhecer a natureza de uma pessoa assim como de uma ideia é quando obtêm poder sobre os outros e o que fazem com esse poder.

          lucklucky

    1. Com poucas excepções, ninguém se preocupa com ninguém, esta é a verdade, chega de hipocrisia.

      E pode ter a certeza que me preocupo comigo e com outras coisas, mas não com eventuais alterações climáticas até porque há prioridades e não posso me preocupar com tudo.

  7. Parafraseando jpt:

    «Mas mesmo assim é possível que os que negam a hipótese do aquecimento global poderão estar certos – e que bom que será se assim for. Mas ainda que assim seja, que não estejamos na alvorada de uma dramática mudança climática causada pela humanidade, algo é inegável: a degradação ecológica é gigantesca. E universal. E justifica toda a atenção».

    1. Cristina, veja bem! Onde estão as piores consequências no caso de um, ou outro lado estarem enganados?
      O máximo que podemos esperar, dos que defendem ser as alterações climáticas, em grande parte, responsabilidade da actividade humana, são formas de energia limpas, um maior cuidado ambiental. Ou seja um mundo melhor para todos, uma reintegração do Homem no Todo, que é a Terra. Agora veja as consequências, caso seja o outro lado, negacionista, a estar errado. Destruição do Planeta, da Vida, do Ambiente, das Paisagens….

      1. É isso mesmo, Pedro.
        Não sei porque algumas pessoas se sentem tão atacadas, quando se fala da protecção do ambiente. Falam de outros problemas, mas isto está tudo ligado: pobreza, degradação ambiental, direitos humanos… como o próprio Papa Francisco já afirmou.

      2. Pedro Vorph, desculpe, acho que apaguei um comentário seu. Estava um comentário com o seu nome para ser moderado, mas parecia destituído de mensagem. Pensei que fosse um engano seu e apaguei-o. Agora pergunto-me se conteria alguma imagem. Se sim, não se conseguia ver (pelo menos, na moderação).

  8. As polémicas em Portugal estalam por qualquer coisa, o que tem de mais que venha discursar à Assembleia uma adolescente que luta contra o marasmo sobre as questões ambientais? Não vem salvar nada, espero que motive, mas, ainda que não aconteça, que mal poderá fazer?!
    O perigo é se nos ficamos por ouvi-la; como quem diz, já trabalhámos para a imagem, chega.

  9. também concordo consigo. o pior cego é o que não quer ver…é inegável que somos 7 biliões de pessoas a encher o planeta de lixo e que estamos em luta contra a natureza , só um tolo achará que lhe vamos ganhar.
    e nem sequer acredito na alterações climáticas causadas pelo homem, acredito é no lixo e nos químicos por todo o lado envenenando mares solos e seres vivos.

  10. E porquê a menina Greta e não uma das centenas e centenas de jovens portugueses que têm 1001 projetos de educação ambiental, que já mudaram os seus hábitos? Melhor, os que de facto fazem profissão de tentar perceber o que se passa com o ambiente (não é só clima) e arranjar soluções viáveis e sustentáveis? Melhor ainda, aqueles que trabalham no campo, por opção ou falta dela? Não são fashionable o suficiente, claro. Muito provavelmente não criam circo suficiente para a AR andar a brincar ao ambiente” e espalhar o pânico que está na moda. Parece que o objectico é chamar a atenção para a emergência climatica? Portanto, vão usar a pequenina Greta para alcançar objectivos políticos. Politicamente, é rasteiro. Moralmente, é inqualificável. Igualmente inqualificável é fazer do ambiente “uma causa”.

    O convite é uma afronta aos portugueses e mais um reflexo de uma sociedade de adultos infantiloides carregadinhos de culpa, e que precisa de uma nova religião e de novos santos. Primeiro foi a treta dos direitos humanos, agora é o ambiente. Podiam ter escolhido outro tema, este é demasiado sério para ser deixado a activistas.

      1. Por lapso, não assinei o comentário.

        É por achar que o problema é sério que o deslumbramento com a Greta – que faz o mesmo que todos os adolescentes, chantagem emocional sobre os papis e companhia – me parece perigoso e inútil.

        Perigoso porque limita a discussão de uma tema complexo à sua dimensão moral. Depois de ler uns quantos, percebe-se que o argumento dos discursos tem pouco de ecológico e muito de moralista: vocês devem-ME isto, vocês fizeram-NOS isto. Eu não vou ter futuro. Eu quero que vocês entrem em pânico. Citando a Magda do Sai de Baixo: Tudo eu! tudo eu!

        Perigoso porque discursos alarmistas, simplistas que querem espalhar o medo e o pânico são perigosos por si só. Basta lembrar que toda a retórica anti imigração vive disso mesmo, do discurso do medo e da alienação do outro. O discurso apocalíptico da miúda tem o seu quê de populista, só que é do “time-do-bem”. E é rapariga. E tem trancinhas. E aquele ar tão infeliz…

        Perigoso porque impede qualquer discussão racional, aprofundada e ponderada sobre o assunto.

        Perigoso, porque qualquer pessoa que conteste o discurso apocalíptico, é rotulada de negacionista (isto parece implícito na sua resposta ao meu comentário, mas posso estar enganada). Não interessa que use transportes públicos há décadas, não interessa que leia todos os relatórios do IPCCC, não interessa que faça limpezas de praia uma vez por semana, que seja vegetariana ou que colabore numa associação de preservação da natureza. Não interessa que tenha feito algo de concreto e mensurável na defesa do ambiente e que seja mais valiosa para a discussão do que um monte de deputados em adulação de uma pirralha manipuladora. Como contestará o discurso da turba, esta pessoa não terá sequer a oportunidade de entrar no debate ou de ser levada a sério. E é pena.

        Inútil, porque é tão fácil usá-la como instrumento de propaganda politica… Fingir que alguma coisa muda, enquanto tudo fica na mesma. Os 500 milhões de europeus podem até matar-se à fome, que o problema das emissões não se vai resolver.

        “O importante é que se faça alguma coisa”. Todas as alternativas têm impacto. Por mim, encantada da vida que passemos todos a consumir produtos locais, que o nosso consumo de roupa, de gadgets, de viagens e de “coisas” várias seja coercivamente limitado, que se acabe com o plástico. Problemas democráticos à parte, não ponderar os impactos sociais e económicos dessas decisões – ou de outras – é temerário. E parece pouco provável que a UE vá nessa conversa.

        Mas o que me deixa varada de fúria é o burguesismo de ranço que exalam: coitadinho do meu filho que não vai ter futuro, e a culpa é minha, erros meus e o diabo 25… E coitadinho de mim, já viste o que me fizeste, pai?
        Enquanto isso, há 100 milhões de crianças que nem presente têm, porque não têm acesso à escola. Sim, é moralista, mas o egoísmo alienado destes ambientalistas pós-modernos de pacote choca-me.

        Por último, que isto já vai longo o autismo/asperger/tendência depressiva/ qualquer condição descrita nos manuais de referência, não torna, nem pode tornar uma pessoa imune ao escrutínio, à crítica ou ao confronto de ideias. Nem lhe confere autoridade divina ou sobre humana. A doença mental também não é um selo de bondade ou de virtude de carácter, nem é imune à educação. E não tem nada, mas mesmo nada, de belo ou de romântico. Até nisso, os Gretos prestam um mau serviço à sociedade.

        1. «Perigoso, porque qualquer pessoa que conteste o discurso apocalíptico, é rotulada de negacionista (isto parece implícito na sua resposta ao meu comentário, mas posso estar enganada)» – sim, está enganada.

          «chantagem emocional sobre os papis e companhia» – isso é uma opinião sua, eu não vejo chantagem emocional no activismo da jovem sueca. E lembre-se que os papis e companhia também usam e abusam da chantagem emocional sobre as crianças e jovens. Não justifica que estes também o façam, mas é sempre bom lembrar. Quem deve dar o exemplo, afinal?

          Os adultos têm a obrigação de proporcionar boas condições às crianças e aos jovens. Afinal, quem é que nasceu primeiro? É obrigação dos pais cuidar dos filhos e não o contrário. Os filhos devem aceitar tudo o que lhe apresentam, meemo que não estejam de acordo? Eu acho que não. Nunca gostei do tempo do “come e cala”.

  11. Boa. E muito bem a comparação com Malala Yousafzai – acima de tudo porque muito indicia sobre a competência dos “críticos”. Sobre críticos, mais vale nem responder ao “demencialismo” “protestativo” …

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