
Nas últimas semanas fui vendo em blogs e no Facebook vários pequenos textos de gente que leio com atenção e até de amigos bem próximos, que surgiram azedos sobre Greta Thunberg, a jovem sueca tornada ícone ambientalista. Alguns até partilhando um texto viperino, gozando com a propalada condição da jovem, dita com o síndrome de Asperger. Trata-se de um meio intelectual definível, ainda que algo heterogéneo ideologicamente: é gente que se revê num “centro”, “direita” ou até “extrema-direita”, que anuncia filiação a um conservadorismo ou a um liberalismo, ou mesclando-os, às vezes de forma um pouco atrapalhada. O argumento é sempre similar: o aquecimento global é um mito, ouvir uma jovem é um populismo e/ou uma infantilização da vida política. Alguns complementam sobre a impossibilidade desta adolescente ter a solução para o problema, ainda que este inexistente, segundo as suas perspectivas, um oxímoro argumentativo que parece escapar a estes locutores.
Foi comentando um desses textos, oriundo de um intelectual português que bem aprecio, que me surgiu a ideia – a qual, de tão óbvia me pareceu, porventura outrem já terá avançado mas se assim aconteceu desconheço-o – que esta adolescente é uma Jeanne D’Arc actual. Pois, lendo a história da donzela de Orleans, tornada símbolo da cristandade e do seu país, de facto do polissémico “morrer pela Pátria“, como não intuir que aquele comportamento obsessivo da adolescente camponesa poderá ter sido originado numa peculiar condição? E com toda a certeza, como aliás comprova o seu final, também ela incomodou os sábios “bloguistas” e “facebuquistas” de então. Apesar de ter sido útil ao reino.
Daí esta minha Greta D’Arc, obsessiva na sua dedicação à causa ambientalista. E que tanto incomoda tantos locutores. Esta dedicação extrema teve impacto. Ela apareceu induzindo um movimento ecologista geracional. Se em Outubro os iniciais pequenos grupos ecologistas deste movimento tinham ainda alguma dificuldade em chegar à fala com o secretário-geral da ONU (ainda que acolhidos pelo seu gabinete), agora Thunberg, a sua inspiradora, é recebida, sinal da crescente consciência de alguns líderes políticos da gravidade da situação. Uma esmagadora maioria dos cientistas está convencida que o problema é enorme e urgente. Uma minoria nega-o. Como se sabe, na história nem sempre a maioria dos cientistas (a “ciência normal”) tem a razão face às minorias. Mas este argumento tem uma fragilidade nesta questão: as minorias que estavam certas normalmente (ainda que nem sempre) fundamentavam-se em hipóteses e métodos inovadores, afrontando as perspectivas vigentes. Neste caso as minorias renitentes não apresentam essas características inovadoras. Mas mesmo assim é possível que os que negam a hipótese do aquecimento global poderão estar certos – e que bom que será se assim for. Mas ainda que assim seja, que não estejamos na alvorada de uma dramática mudança climática causada pela humanidade, algo é inegável: a degradação ecológica é gigantesca. E universal. E justifica toda a atenção.
Os que negam a hipótese de aquecimento – e a pertinência de atentar nesta jovem ícone e no actual movimento ecologista juvenil – são também um fenómeno intelectual interessante: os que se dizem conservadores alheiam-se de um tradicional item das agendas políticas conservadoras, a protecção ecológica; e os que se dizem liberais, estão totalmente alheados de uma visão capitalista, se se quiser da “destruição criativa” (eu sei que Schumpeter não é o arquétipo do liberal mas não pode ser dito como um radical anti-liberal), das imensas possibilidades lucrativas de novas políticas ecológicas (nas várias áreas da actividade). Ou seja, nestes locutores não é um conservadorismo e muito menos um verdadeiro liberalismo que vigoram. É um mero atavismo. Não de agora. O sufragar das posições americanas sobre o assunto mostram-no bem: há quase duas décadas, no seu primeiro discurso de tomada de posse presidencial, George W. Bush anunciou o seu distanciamento ao protocolo de Quioto por este ser adverso ao “american way of live”. Dizer (resmungar) na altura – e depois – que tal afirmação era vácua, pois o tal “modo de vida” assentou na vigorosa abertura a transformações, devida à capacidade inovadora, organizativa e tecnológica, de uma sociedade cheia de recursos e livre de imensas barreiras institucionais que vigoravam nas suas concorrentes industrializadas de então, surgiria como uma resposta “comunista” ou parecida. Mas é uma coisa tão óbvia …
Este atavismo impensante dos irritados com o impacto de Greta Thunberg, e do movimento que ela simboliza (e induziu), nota-se num aspecto e prova-se noutro. É comum (porventura como o foi nas gerações precedentes) ouvir os actuais adultos menorizarem as práticas da juventude actual: não são dados à leitura, atentam em youtuberes vácuos, não brincaram na rua, seguem sobre-protegidos e assim alheados da natureza, não socializam, encerrados em consolas de jogos e telemóveis, na futilidade da internet imediatista, são consumidores mimados, são totalmente apolitizados, etc. Subitamente, no espaço de um semestre, um movimento internacional de jovens cresceu: na sua heterogeneidade não surgem folclóricos, presos a velhas pantominas hippiescas; não são um culto de falsos heróis que encestam bolas em redes; nem cultuam LSD ou heroinas, que tanto maceraram as gerações precedentes; não destroem as propriedades públicas e privadas, como os seus “tios” vestidos de coletes amarelos; não saíram dos “seminários de insurreição” promovidos em acampamentos de maoístas e trotskistas; não têm como ídolos um qualquer Ernesto Guevara (“fuzilamos e continuaremos a fuzilar“) em frémitos de utopias devastadoras; não seguem perversos pregadores hindús, islâmicos ou evangelistas, advogados de uma “purificação” das almas. Querem, e para isso se manifestam ordeiramente, numa saudável heterogeneidade de estilos, uma mais ampla informação sobre o estado da situação ecológica, e que se desenvolvam políticas de protecção ambiental – questão que há décadas está na agenda internacional mas que não tem conhecido grandes progressos, devido às resistências das elites político-económicas. Querem isso e assim se mostram jovens cidadãos. Interessados e empenhados, bem ao contrário do que deles dizem os mais-velhos, que os proclamam alienados.
Uma questão recente mostra, provando-a, a radical superficialidade destes críticos. Ou a sua estreita visão do futuro: há duas semanas Mike Pompeo – antigo director da CIA e agora ministro dos negócios estrangeiros americano, como tal alguém bem mais importante e escrutinável do que Greta Thunberg – discursou no Conselho Ártico e disse: “Because far from the barren backcountry that many thought it to be in Seward’s time, the Arctic is at the forefront of opportunity and abundance. It houses 13 percent of the world’s undiscovered oil, 30 percent of its undiscovered gas, and an abundance of uranium, rare earth minerals, gold, diamonds, and millions of square miles of untapped resources. Fisheries galore.
And its centerpiece, the Arctic Ocean, is rapidly taking on new strategic significance. Offshore resources, which are helping the respective coastal states, are the subject of renewed competition. Steady reductions in sea ice are opening new passageways and new opportunities for trade. This could potentially slash the time it takes to travel between Asia and the West by as much as 20 days. Arctic sea lanes could come before – could come the 21s century Suez and Panama Canals.”
Passados dias percebe-se que nem um dos incomodados com a visibilidade de Thunberg, desta Greta D’Arc de hoje, e do juvenil movimento ecológico, comentou estas declarações do governante americante. Omnívoras, demonstrando uma visão do mundo até demencial. Nem um, que tenha eu reparado, destes locutores portugueses as comentou. Nem um. Nem um …
Isto em Pompeo, e no mundo “trumpiano”, é um fundamentalismo mercantil (não liberal, entenda-se bem) patético, tal e qual como os fundamentalismos desses radicais de outros cultos. E nestes luso-locutores (até nos meus amigos próximos que assim bacocam) é muito um mero blaseísmo, a patetice do fastio. Pois ficam muito enfastiados com a agitação alheia, destes “jovens”. Isto não é “direita”, nem “extrema-direita”, nem “centro”. É só parvoíce. Perversa. E carregadinha de presunção, a presunção da “distinção”. Que gente … Que se julga, saber-se-á lá porquê, que por intelecto não é, com toda a certeza, acima do vulgo. De nós, comuns. Vão nisso enganados, pois se, como disse Ulianov, “o esquerdismo é a doença infantil do comunismo”, este blaseísmo nada mais é que a doença senil do capitalismo. O tal atavismo …

Por acaso estava em Bruxelas no dia em que a Greta lá foi, tendo sido a primeira vez que ouvi falar dela. Assisti a uma manifestação gigantesca de jovens que encheram as ruas a protestar contra as alterações climáticas. Isso exasperou o motorista de táxi que me conduzia de volta ao aeroporto, que se viu obrigado a contornar sucessivas ruas, tendo por isso eu quase perdido o avião. A certa altura ele vira-se para mim e diz-me: “Se este movimento tiver sucesso, vou ser obrigado a largar o meu carro e passar a transportá-lo de carroça”. Fiquei a pensar que a carroça teria que ir até Lisboa, já que os aviões também deixam imensa pegada carbónica. Mas enfim, não era assim que viajámos no séc. XIX? Acho é que a União Europeia não conseguiria funcionar nesse registo.
Às vezes a UE é que parece que vai de carroça E sem saber bem para onde vai, o que ainda é pior
O crescimento deste movimento aqui na Bélgica – terá sido um dos primeiros sítios a desenvolver-se – foi súbito. Também, mas não só, pelo facto da rapariga ter contactos directos com os alunos da Escola Europeia. Mas rapidamente ultrapassou esse âmbito mais fechado. É espantoso.
(Bicicletas e trotinetas, ou lá como se escreve isto, vão disseminar-se. E talvez riquexós)
Bicicletas e trotinetas vão disseminar-se. E talvez riquexós
Não se trata de bicicletas, trotinetas nem riquexós. Trata-se de máquinas com o aspeto externo dessas, mas movidas por um motor elétrico. O que faz toda a diferença. Porque também utilizam energia fóssil (a maior parte da eletricidade é gerada por energia fóssil). E, claro, porque não requerem que o utilizador faça qualquer esforço físico.
Não se deve jamais confundir uma bicicleta ou uma trotineta com um aparelho de aspeto idêntico mas movido a eletricidade.
Caro Luís Lavoura, bicicleta e trotineta não são a mesma coisa. A trotineta eléctrica até pode não requerer qualquer esforço físico por parte do utilizador, mas o mesmo não se pode dizer da bicicleta, lhe garanto, que tenho uma. Claro que há utilizadores mais preguiçosos do que outros. Eu só utilizo a ajuda eléctrica em casos extremos, de ruas íngremes. Mas mesmo no caso dos que usam e abusam da ajuda, uma coisa é certa: a bicicleta não anda sozinha. Sem pedalar, não se sai do sítio.
Cristina Torrão, quase ninguém em Portugal (e na maior parte dos países) tem bicicleta elétrica, porque são muito caras. As bicicletas elétricas que se vêem (em grande número) em Lisboa são da Câmara Municipal, para utilização (quase) gratuita. E essas bicicletas funcionam 100% à custa do seu motor elétrico. Os utilizadores têm que pedalar para ligar o motor elétrico, mas não têm que fazer força nenhuma nos pedais.
Acredito que atualmente na Alemanha muita gente tenha uma bicicleta com motor auxiliar elétrico, mas em Portugal não é assim, as bicicletas elétricas são-no mesmo 100%. E aliás têm que o ser, porque na generalidade de Portugal há declives que não se comparam com os alemães.
Eu, por acaso, vivo numa zona plana, mas aqui também há regiões muito montanhosas, nas imediações dos Alpes e não só.

Sim, as bicicletas eléctricas são caras, sobretudo, quando têm um bom motor, com vários níveis, e uma boa bateria. No entanto, penso que gente jovem e saudável deve evitar, embora haja casos de subidas íngremes difíceis até para um jovem forte e saudável. Para pessoas com mais idade, elas dão muito jeito, são uma boa alternativa ao carro, para deslocações citadinas (desde que haja ciclovias).
Hei de falar aqui na minha bicicleta eléctrica.
Ficamos já à espera dessas crónicas ciclistas
penso que gente jovem e saudável deve evitar
As bicicletas elétricas da Câmara Municipal de Lisboa são, como é normal nesse tipo de máquinas, pesadíssimas (para que as pessoas não lhes possam roubar peças) e sem mudanças. Se não fosse o motor elétrico, seriam bastante difíceis de pedalar. De facto, a Câmara tem dois tipos de bicicletas, 1/3 delas não são elétricas e as outras 2/3 são-no. Na prática, quase toda a gente opta pelas elétricas (vê-se isso pela velocidade a que andam e pelo aspeto airado com que os utilizadores vão a pedalar). Nas bicicletas elétricas, toda a gente vai com o motor ligado (pois se a eletricidade é de borla, porque é paga pela Câmara, para que raio iriam a esforçar-se?).
Tudo isto para concluir que é como lhe digo, aquilo não são bicicletas, são veículos elétricos acionados a pedais. Aliás, a generalidade das pessoas que as utiliza fá-lo em substituição de utilizar transportes coletivos como o metropolitano: em vez de se usar eletricidade no metropolitano, usa-se eletricidade nas bicicletas.
Quanto aos jovens, desengane-se a Cristina, o que mais se vê cá em Lisboa são jovens a circular nas bicicletas e, ainda mais, nas trotinetas elétricas. Os jovens não são mais amigos de fazer esforços físicos do que os idosos. Bem pelo contrário, aquela sensação de irem a grande velocidade sem fazerem esforço nenhum é altamente para eles.
Por aqui abomino os ciclistas. Todos seguem a ideologia dos “direitos adquiridos” – são pequenos ditadores da rua, associam os direitos rodoviários aos de peão presumido, cruzam ruas em passadeiras, guinam para a rua sem prévio aviso, ultrapassam pela direita sem qualquer rebuço. São pequenos ditadores, que me fazem ansiar por um concílio de camionistas que os excomungue
Concordo consigo, eu quando vivi na Alemanha também fiquei muito desagradado com a forma imprudente (para com os peões) como os ciclistas alemães se comportavam.
Essa lógica, ” do porquê se fazer isto se nunca vamos acabar com aquilo?”poderia ser usada noutros contextos. Por exemplo, se todos morreremos um dia, e se o Sol se apagará, porque raio nos deveremos preocupar com seja o que for?
“porque raio nos deveremos preocupar com seja o que for?”
porque raio nos deveremos preocupar com o que quer que seja
A única coisa que justifica atenção/preocupação é, como é bem sabido, a hipótese de o céu nos cair em cima da cabeça
São opções, estimado Luís Menezes. Fazemos uma lista. De um lado pomos o que não podemos abdicar, por falta de alternativas. Do outro, o que podemos reduzir, ou arranjar alternativa. Nada de dramatismos com mulas.
Então na Bélgica os taxistas também dizem parvoíces?
Anónimo, os taxistas são um categoria universal
O problema de Greta? Não estar filiada em partidos nem em correntes intelectuais e outros grupos… Esse é o problema…
se estivesse criticariam por isso, não estando criticam por isso
Excelente postal, jpt. Um prazer de leitura e pensamento.
É interessante e paradoxal os mais velhos virem a terreiro protestar, desanimados, vituperando, alguns, contra o alheamento politico dos mais jovens. E quando aparece algum que se faça ouvir, que abrace uma causa, reclamam esses egrégios de batina que a causa ,em questão, é despicienda, quando não um manifesto de “ignorâncias”. No final, fica-se com a impressão que os catedráticos de naftalinas criticam os mais novos porque sim…o que aliás é, num certo sentido, um comportamento infantil.
Quanto à “mão humana” ,nas alterações climáticas, julgo que não há nenhum instituto cientifico credivel que não lhe atribua considerável responsabilidade. Contudo, mesmo para os descrentes, penso que é óbvio que a actividade humana, inserida no paradigma, crescimento económico exponencial vs mundo finito, tem tido um impacto ambiental devastador ex : desflorestação, extinção de milhares de espécies animais, contaminação de lençóis freáticos, em virtude do uso abusivo de pesticidas….
Obviamente que a politica ambiental não se pode ver reduzida à diminuição da emissão dos gases com efeito estufa. É todo um modus vivendi que tem de ser alterado.
PS: Luck, se vieres com as bactérias, mais o ébola, não te respondo.
Obrigado pela gentileza
a propalada condição da jovem, dita com o síndrome de Asperger
O síndrome de Asperger não tem necessariamente nada de mal. Suspeita-se que Albert Einstein o tivesse (de forma moderada), e diversos outros génios, em diversas áreas, também. É um síndrome do relacionamento social da pessoa mas não da sua capacidade intelectual.
Há quem avente a hipótese, tal como para Newton, há quem conteste – dizendo, de modo que me parece acertado, que temos dificuldade em explicar a excelência ímpar (o génio) que assim o tentamos reduzir a uma especificidade “patológica”. Mas sim, concordo, acima de tudo nem o síndrome é uma doença (ainda que sendo inibição) nem me parece curial gozar essa condição para contestar a pertinência da acção da rapariga.
os que se dizem conservadores alheiam-se de um tradicional item das agendas políticas conservadoras
Isso não é bem assim. A maior parte dos que se dizem conservadores não querem de facto conservar nem a economia nem a ecologia, querem somente conservar a moralidade pública e as relações de poder sociais. Ou seja, são conservadores numas coisas mas não noutras.
Luís as relações de Poder conservam-se pela imutabilidade económica, social e politica.
Tudo se transforma, até o poder
Lavoura aqui concordo e muito consigo
os que se dizem liberais, estão totalmente alheados de uma visão capitalista, se se quiser da “destruição criativa, das imensas possibilidades lucrativas de novas políticas ecológicas
Muitos liberais não querem que haja quaisquer políticas, ecológicas ou outras. Rejeitam totalmente a intervenção do Estado e a sua definição de políticas. Eles não querem ouvir falar de aquecimento global precisamente porque sabem que ele servirá de justificação para os Estados adotarem políticas.
não percebem que estão assim a adoptar políticas, um paradoxo que os ultrapassa
Caro jpt, nem tenho palavras. Muito, muito obrigada por este excelente post. Gostava de escrever assim!
Obrigado pela gentileza
Se me permite, para melhor orientar o prpósito de meu comentário, pegarei no sentido sociológico que imprime em sua posta dividindo-a, à posta, em duas perspectivas:
Os que fizeram os caminhos de Katmandu, e de lá vieram com uma mão cheia de nada; e os caminhantes para um horizonte com uma pequena mão que se enche de tudo para poder alcançar mais e diferente.
Greta D´Arc transforma-se, assim, no estado puro da inocência que uns e outros sabendo-a, à inocência, perdida alguns sinais dela ainda conservam. Pretendo com isto também dizer que ainda é possível cultivar uma infância sem infantilidade. A infância é por natureza curiosa, confiante em sua entrega, abnegada… e, se bem estruturada, poderá permitir um crescimento e um alcançar do estado adulto sem a perda dessa mesma identidade, mas sem infantilidade.
O que a mocinha nos propõe é tão somente ser o sonho um combustível que não pode ser defraudado, e isto também é fazer ecologia e lutar pela ecologia.
A forma como este sonho se realizará tem diversas etapas. Porém nenhuma delas se realizará por exclusão de partes à priori.
“Necessário vos é nascer de novo” é proposta e afirmação feita por Jesus, que nos indica ser necessário sair do estado contaminado de adulto e regressar aos primeiros passos da infância para se fazer uma nova caminhada a construção de um Novo Ser. Significa isto poder alcançar a condição do Homem Novo e do Novo Adão.
A Ecologia do Ser é a primeira etapa para se poder abordar a ecologia.
Saudações.
Era só mesmo o que faltava, a necessidade de nascer de novo.
Como se o descalabro, a imensurável devastação da vida e das coisas não tivesse sido mais do que suficiente num só nascimento.
Eu preconizo que ao invés de nascerem de novo, que sejam enterrados mais cedo que o mundo, embora nunca podendo voltar às origens, pelo menos não agrava as mazelas com que os velhos o brindaram.
Reforço a minha convicção de que as pessoas vivem de mais. A partir de uma certa idade, muito ao contrário do que se diz que idade é sabedoria, tenho para mim que idade é mais obtusidade ditatorial alicerçada em pretensa sabedoria.
Isto partindo do princípio que o caro Vento se refere ao Crucificado, porque se se referir ao outro nosso conhecido, então uma só vez não chega e para uma perfeita assimilabilidade da empreitada há que nascer dez vezes
O que mais me deixa fodido é ouvir um velho dizer a um puto: Não vais conseguir!
Bardamerda para todos esses anquilosados
E a mim irritam-me os putos que dizem aos velhos, não vais conseguir. São questões de pontos de (tomada de) vista
Os meus fãs apresentaram-se. Caro Corvo, faça o que diz. A liberdade pertence-lhe.
Mas este nascer de novo está mais ligado à célebre antítese carne-espírito, que no hebraico tem um sentido diferente do grego.
Desejo-lhe um bom nascimento.
Agora vou ao Vorph, porque ele também precisa de atenção. De vez em quando ele fica tímido e promete a si mesmo não me dar palavra. Mas os rompantes são maior que ele, e lá vem à conversa.
Gosto do amor que perpassa entre os comentadores do DO
“O que a mocinha…”… “Teresinha….”
Só uma questão, fá favor:
Poderemos considerar uma infantilidade a crença que afirma ter sido possivel a uma judia ter emprenhado sem fornicação, há mais de 2000 anos?
Já agora, um tipo que anda constantemente a recitar a Biblia é o quê? Infantil, ou perturbado?
Pode, Pedro Vorph. Pode sim.
Mas vamos esperar pelo esclarecimento do Vento., o que nos evitará perda de tempo em longas explicações.
Mas pode sim, aliás, pôde.
Corvo, matéria dessa natureza não pode ser abordada com leviandade e muito menos com levianos, como é o caso do Vorph nestas matérias.
O Vorph julga-se um cientista, e convence-se que é. No fundo é um solitário que não se suporta, mas necessita travestir-se para tornar mais leve a pena com que auto-inflige-se.
A concepção virginal de Maria deve ser objecto de uma profunda reflexão à luz do que é a Nova Criação e a Nova Criatura: a Nova Eva e o Novo Adão. A ideia do fim dos tempos, bem patente na tradição religiosa judaica, não é necessariamente a visão apocalíptica, isto é, catastrófica, que abundou no imaginário popular.
Apocalipse significa Revelação. Mas esta Revelação tornou-se plena com o Nascimento de Cristo, em quem tudo e todos se renovam. Neste sentido, não poderá olhar-se para o Fiat (Faça-se) de Maria senão com os olhos de uma Personalidade que intervém na História do Homem e na História de Deus como Co-Redentora. Das Chagas de Jesus jorrou o sangue de Maria; e se este sangue, isto é, esta oferta de Si mesmo, redime, então, Maria Co-redime.
Em conclusão, e sem estar tudo dito, se no mito da criação se espelha a degeneração das gerações vindouras fruto não do pecado ter entrado no paraíso mas pela cedência à tentação, simbolizada na malícia da serpente, na Nova Criação, que ocorre através de Maria, o inverso nos é mostrado. Porém esta adesão é e será sempre fruto de uma decisão pessoal, isto é, na liberdade que o Homem tem para optar entre os dois caminhos: a morte ou a vida.
Na simbologia bíblica, Luz significa Sabedoria, e Trevas a ignorância. A opção por uma destas determina a condição referida.
Portanto, não se pode fazer uma caminhada de fé ignorando estes aspectos. É aqui que os irmãos luteranos, evangélicos, pentecostais e etc. derrapam ao longo de toda a pista.
Um tipo que se perturba por afirmações de um “perturbado”, como afirma, o que é? Eu respondo: falta-lhe o argumento e nada mais mostra o quão perturbado anda com o que o perturba.
Vá lá, tem de se esforçar mais. Arranje uma qualquer afirmação do Levítico para contrariar o que o deixa tão perturbado.
Cuidado! O demónio também foge da Cruz!
Quanto à outra questão, existe um santo que tem uma fórmula simples para o contrariar, aqui vai: Ipse venena bibas.
Vá lá à universidade do Google saber o que isto significa.
Fick dich! Vá lá à universidade do Google saber o que isto significa.
Não preciso. Já vi que anda carente.
Há uma longa tradição, Vorph, de consulta, leitura e citação do Livro. Não a deve desvalorizar dessa maneira. É a forma como se lê que pode ser criticável.
Curioso que a geração que quer salvar o planeta é aquela que piores hábitos ambientais tem, em termos de produção de lixo.
Há questões políticas, mas acima de tudo é necessário mudar toda uma sociedade e ter tecnologia para o fazer.
Todas as “soluções” apresentadas levantam outros problemas. Fala-se em abdicar da carne em detrimento da agricultura, como se esta não fosse agressiva para com o ambiente. Fala-se em carros eléctricos, como se as barragens tivessem zero impacto e os Painéis solares não gerassem lixo. Telemóveis, PCs, tablets, produtos com ciclo de vida curto e altamente poluentes, são a base desta geração. Como vai ser?
A questão do transporte é gira, agora são bicicletas e trotinetas que vão salvar o mundo. Quem faz diariamente 100 ou 200km, vai ter de ficar em forma se quiser ir trabalhar
“Curioso que a geração que quer salvar o planeta é aquela que piores hábitos ambientais tem, em termos de produção de lixo.”
Aponte-me um estudo sobre isso que afirma. Tenho noção que esta geração se preocupa muito mais com o ambiente, do que as que lhe precederam (reciclagem, hábitos alimentares…)
A sério? Qual geração? A que trabalha, a que trabalha e vive na casa dos pais, ou a que ainda vive na casa dos pais?
Meu caro, esta geração está muito mais habituada a partilhar (via internet, uber, ebooks, software, etc) do que estiveram outras, mais preocupadas em ser proprietárias (talvez se perceba por motivos socio-económicos). Mas também os mais jovens estão crescentemente mais preocupados com aquilo que comem ( nunca houve tanto vegeterianismo, veganismo como agora),o que em termos ambientais (alimentos biológicos) é de louvar.
http://visao.sapo.pt/actualidade/socied ade/2016-09-23-Millennials-A-geracao-que-v em-revolucionar-o-capitalismo
https://www.group.pictet/wealth-managem ent/consumption-patterns-are-changing-yo unger-generations
Sim, agricultura, tao bom para o ambiente.
Há aí sites, basta procurar. Convém é não apenas ir pescar o que se quer.
O Pedro que pesquise tambem por “poluição digital” para perceber que essa cultura da partilha via internet é extremamente danosa para o meio ambiente.
Há também estudos com a periodicidade com que se compram novos dispositivos electrónicos, ou os millenials andam por aí com telemóveis com 5 e 6 anos?
Meu caro, sublinhei fontes com credibilidade. Mas cada um pode olhar o mundo da maneira que mais se adeque ao seu “mundo”. Para alguns o mundo é um vale de lágrimas, para outros ainda existe esperança, mas tenho a certeza que não podemos contar, com os primeiros, para nada.
Em vez de andar na internet a copiar links “de fontes confiáveis”, vá a uma escola e peça a quantidade de lixo que era enviado para reciclagem, nos anos 90, a partir dos 6-8 caixotes de reciclagem que cada escolha possuía e os 40-60 caixotes actuais. Vai notar que os valores subiram menos de 1%… mesmo que os caixotes tenham subido mais de 8 vezes. Por outro lado, o “lixo orgânico” disparou quase para 5 vezes mais. De facto, não existe verificação do que vai nos sacos de “lixo orgânico/indeferenciado”, mesmo assim, subir 5 vezes quando a reciclagem nem 1% aumentou? Algo está errado nas escolas…
Outro coisa simples: na sexta-feira, centenas de milhares de alunos fizeram “greve pelo clima” e foram para manifestações. Em Lisboa e Porto, a quantidade de lixo recolhida das ruas, onde aconteceram as manifestações, disparou para 300 vezes mais que o habitual. A quantidade de cartões pintados, latas de spray, garrafas de vidro, garrafas de plástico, latas e plásticos foram imensas. Mas, os jovens reclamavam uma mudança, ao mesmo tempo que despejavam o lixo para os passeios e para a rua…
É “simples”: tem de se fazer uma transição drástica na energia e na agricultura sob constrangimentos severos como é o de ter de diminuir drasticamente o consumo energético, o consumo de metais, diminuir as emissões de gás de efeito de estufa, etc … “abdicar” da carne quer dizer reduzir significativamente, digamos passar de 14 a 4 refeiçōes de carne por semana. Entre outras coisas, porque os animaizinhos comem muitos cereais. Vai acontecer com a carne o que aconteceu com o vinho. Bebia-se muito, mau e barato; hoje bebe-se menos, bom e mais caro. A produção agrícola mundial terá de duplicar ou triplicar, para alimentar uma população mundial que vai continuar a aumentar. Se insistirmos na carne, então, as estimativas apontam para a necessidade de a quintiplicar. Dizem os especialistas que isso é impossível.
Obrigado pelo seu comentário Miguel. As reacções críticas às preocupações ecológicas são tão patéticas, agitam tanto vácuo, que é saudável ver as coisas colocadas de modo simples e claro. Mas duvido que esses reactivos integrem algum do bom senso que aqui deixou. Estão blindados a isso.
É importante os jovens terem uma figura inspiradora, em primeiro lugar porque o futuro é deles, mas também porque são os alvos actuais do consumismo que trouxe o planeta até este estado deplorável. Se ela não é alinhada com nenhum partido ou ideologia política, tanto melhor, o apelo é mais transversal.
Já li muito fel sobre a pessoa, basicamente tudo serve para a tentarem desacreditar. É nova demais para perceber. Usa telemóvel. Veste roupa. Viaja de avião. Não sabia dessa do Asperger, mas é mais uma.
Não sei o que queriam que fosse a voz da razão – talvez uma reclusa vestida de trapos a falar para as paredes? Pelo menos não consta que use o jacto particular e toneladas de fuel para ir de Los Angeles a Nápoles comer ravioli e voltar.
Espero que resista à tentação que inevitavelmente lhe colocarão no caminho. Esta capa desta Time pode ser já um princípio.
As reacção negativas à rapariga são estuporadas. E assentam num desconhecimento visceral – basta ver os comentários acima, afirmam que ela – e os movimentos ecologistas que vêm surgindo, propõem uma série de coisas (o combustível limpo, o abandono da pecuária, coisas assim) que, pura e simplesmente, não são propostas, E depois de dizerem essas coisas, e de as escreverem – muito ciosos da sua pertinência e razoabilidade – vão patacoar sobre outras coisas quaisquer.
E continuam a denegrir a rapariga. Um dos patéticos argumentos é ela ser “representante” duma geração consumista, a “pior de sempre”, que não vive sem “os gadgets” e “as marcas” e “as playstations”. E eu perguntei, muito simplesmente, se a Greta tem 16 anos, e “representa” os adolescentes, quem lhes dá o dinheiro? Quem dá o dinheiro à “geração mais consumista de sempre”? Qual é, afinal, a geração mais consumista de sempre? Ou, alternativamente, quem a criou?
Uma pergunta que nem só não teve resposta, como nem passou no crivo da censura dos libertários cá do sítio.
A escumalha negacionista até adolescentes difama. Não merecem ser apelidados de humanos.
Eh eh eh tanto histerismo com o fim do mundo. Tanto desespero, indignação, preocupação, ansiedade, alarmismo e falta de esperança na humanidade. Sejam felizes.
Quantas pastilhas emborcas? Faltam-te quantos? 5 anitos?
Concordo absolutamente com as suas palavras. Duvido que concorde com o que quis dizer.
Claro que há aquecimento global.
Apesar de estar mais do que provado que instituições científicas internacionais e a própria NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration) americana terem falseado resultados, empolgando dados e resultados experimentais, a verdade é que há mesmo uma pequena anomalia nas médias de 30 anos e há uma tendência global de subida de temperatura.
Essa subida é pouco maior que a descida observada nos anos 60, voltando a subir pelos anos 70 e tais, e após os anos 85 é que começou a haver uma subida mais brusca.
Atenção, isto “visto ao microscópio”. Se pusermos uma escala vertical de 1°C, não houve qualquer subida. Temos que pôr uma escala de 0,1°C para que se veja a subida. Na horizontal pomos o tempo.
Por acaso tivemos um período muito frio –”Pequena Idade do Gelo”– que antecedeu a Revolução Industrial. O Tamisa gelava todos os invernos e até se fazia uma feira anual em Londres sobre o seu leito. Há gravuras da época.
Isso pode confundir muito as coisas. Se fizermos um gráfico partindo de 1700, vemos a temperatura a subir, coincidindo com o consumo de combustíveis fósseis.
Mas não explica porque baixou nos anos 60 nem nos anos 20 nem porque resolveu subir (parece que a pique) nos anos 90. Que pusete deu a Terra para que isso acontecesse assim de repente?
Por acaso o “Período Quente Medieval” foi mais quente do que o actual. Provam-no os aneis de crescimento dos corais e das árvores mais velhas, provam-no a análise de sedimentos em lagos continentais, provam-no a existência de aldeamentos com provas de agricultura, hoje em planaltos gelados e provam-nos o nome Gronelândia (ah… já sei o pensou, não vá na cantiga…, não se constroem celeiros e currais se apenas há gelo, confirme).
Estamos num período interglacial. Würm foi há 18 mil anos e acabou oficialmente há 10 mil anos, daí para cá estamos a… aquecer. Até quando?
Bem as eras glaciares correspondem bem com os Ciclos de Milancovich. Eles dizem que vamos começar a arrefecer. Mas há mais ciclos:
O sol se arrefece contrai, se contrai proporciona mais fusão de hidrogénio para produzir hélio, se há mais fusão aquece, se aquece dilata, se dilata arrefece…
E a Terra?
Se há muito CO2, a temperatura sobe devido ao efeito estufa. Então há mais humidade no ar, mais calor, mais chuva, os desertos diminuem e a Terra fica mais verde.
Mas com mais vegetação há mais consumo de CO2, diminuindo o CO2, a Terra arrefece, chove menos, os desertos aumentam, a vegetação diminui, o CO2 aumenta…
O CO2 que temos actualmente na atmosfera é maior que em períodos frios, por isso temos a Terra mais verde do que há 20 anos. Vê-se perfeitamente comparando imagens de satélite.
Mas é ainda o reagente deficitário na fotossíntese. Com luz solar, água e CO2 produz-se vegetação, fruta, celulose, etc. O que impede um maior crescimento da vegetação, mesmo actualmente, é o CO2.
Podemos saber se o CO2 que temos na atmosfera é sobretudo de origem antrópica (humana)?
Sim, podemos. Mas poucos querem saber os resultados e os que sabem não conseguem transmitir. Estranho, não é?
O CO2 vindo dos combustíveis fósseis não tem Carbono-14 (14C) e a produção de 14C na atmosfera é constante desde há milénios.
Ah, mas agora não se pode devido às explosões atómicas. Não? Quem diz que não?
Se for, e é, monitorizado diariamente, pode-se retirar esse ruído de fundo. O resultado é: O CO2 que está na atmosfera provém em pequeníssima percentagem de combustíveis fósseis. 5,5 GTon/ano para um ciclo anual de mais de 700 Gton/ano.
Não me espanta que os jovens estejam preocupados. Afinal é o que lêem nos jornais, vêem nas TV’s e aprendem nas escolas.
https://climate.nasa.gov/causes/
The Role of Human Activity
In its Fifth Assessment Report, the Intergovernmental Panel on Climate Change, a group of 1,300 independent scientific experts from countries all over the world under the auspices of the United Nations, concluded there’s a more than 95 percent probability that human activities over the past 50 years have warmed our planet.
The industrial activities that our modern civilization depends upon have raised atmospheric carbon dioxide levels from 280 parts per million to 400 parts per million in the last 150 years. The panel also concluded there’s a better than 95 percent probability that human-produced greenhouse gases such as carbon dioxide, methane and nitrous oxide have caused much of the observed increase in Earth’s temperatures over the past 50 years.
Indeed, studies show that solar variability has played a role in past climate changes. For example, a decrease in solar activity coupled with an increase in volcanic activity is thought to have helped trigger the Little Ice Age between approximately 1650 and 1850, when Greenland cooled from 1410 to the 1720s and glaciers advanced in the Alps.
But several lines of evidence show that current global warming cannot be explained by changes in energy from the Sun:
Since 1750, the average amount of energy coming from the Sun either remained constant or increased slightly.
If the warming were caused by a more active Sun, then scientists would expect to see warmer temperatures in all layers of the atmosphere. Instead, they have observed a cooling in the upper atmosphere, and a warming at the surface and in the lower parts of the atmosphere. That’s because greenhouse gases are trapping heat in the lower atmosphere.
Climate models that include solar irradiance changes can’t reproduce the observed temperature trend over the past century or more without including a rise in greenhouse gases.
Seria interessante referir as suas fontes.
http://www.pbmc.coppe.ufrj.br/pt/notici as/278-novo-estudo-sobre-clima-muda-opin iao-de-cientistas-ceticos
O professor Richard Muller, físico e cético sobre a mudança climática, fundador do Projeto Berkeley de Temperatura da Superfície Terrestre, disse que ficou surpreso com as descobertas. “Nós não esperávamos esse resultado, mas como cientistas é nosso dever deixar a evidência mudar nossas mentes”. Ele acrescentou que agora se considera um “cético convertido” e suas opiniões foram submetidas a uma “reviravolta total” em um curto espaço de tempo.
“Nossos resultados mostram que a temperatura média da superfície terrestre aumentou 1,5o Celsius ao longo dos últimos 250 anos, incluindo um aumento de 0,9o Celsius ao longo dos últimos 50 anos. Além disso, parece provável que, essencialmente, todo esse aumento resulta da emissão humana de gases do efeito estufa”, escreveu Muller em um artigo publicado no New York Times.
“Não me espanta que os jovens estejam preocupados. Afinal é o que lêem nos jornais, vêem nas TV’s e aprendem nas escolas.”
Só por mera curiosidade. O José lê o quê, onde e já agora em que altura do dia?
A haver alguma “conspiração”, com o clima, ela estaria, obviamente, nos negacionistas, pois com eles estão os triliões das petroliferas/energias fósseis.
Este Muller?
As Dr. Muller and I discuss, scientists lose their credibility when they become advocates. The value of science is its objectivity, so when scientists throw out that objectivity, they lose their credibility. One example of this identified in the discussion is the issue of global warming. Dr. Muller candidly shares that he believes science has been hurt by global warming since so many scientists have engaged in exaggeration. The result? Scientists lose their objectivity, they are no longer trusted, and they lose their reputation as being the one part of information people can trust.
(2018)
E….em que parte é que o Dr. Muller se contradiz?
Isto também passou na tv.
https://youtu.be/EOctIuyVfnA
“Now what scientists are researching currently, and they don’t all agree about, is what are the most important components of driving climate change. Is it carbon dioxide? Could it be something else like methane? When methane gets released that’s an even more powerful greenhouse gas. We don’t agree on how quickly things like the ocean level will rise. People have different estimates for how quickly that will happen. So there still is scientific controversy about what the most important aspects of climate change are and how quickly it will go in the future, but there is no scientific disagreement within NASA that humans are causing climate change.”
https://youtu.be/kHp0ph37QRk
Seria interessante que não se focasse, como esses “cientistas” nos 300 anos, para validarem as suas conclusões.
O planeta Terra tem mais de 4000 milhões de anos. Sem ir muito mais longe, no último milhão de anos, a Terra já teve temperatudas médias de 22 graus negativos, tal como já teve médias de 50 graus… durante centenas de anos.
É que os advogados do clima, estão tão concentrados nos últimos 300 anos, que se esquecem que a areia das praias é mais velha do que a existência dos humanos, já tendo passado por muito mais que aqui os “heróis e vilões”.
É aí que os protectores do ambiente falham… aproveitando para puxar da carta “o aquecimento global é real”. Sim é, falta é justificar que culpam os humanos por ele, quando já aconteceu, milhões de vezes, na história do planeta.
Nem é muito complicado: Durante os primeiros 16 dias de Setembro de 1859, a temperatura média do planeta subiu 9 graus centígrados, voltando ao normal entre dia 17 e 18 do mesmo mês. Nalguns casos a temperatura nocturna, cá em Portugal, esteve acima dos 30 graus, durante o dia chegou a estar mais baixa que de noite. Só que os “cientistas” atiram com isso para o lixo, porque só há relatos e meia dúzia de medições, muitas delas sem terem sido validadas por 5000 cientistas, de renome, que não são validadas.
Nessa altura também morreram mais de 150000 pessoas, naqueles 20 dias. Só que não estão ligadas ás alterações climatéricas… neste caso, pode procurar na internet qual foi a acção humana que provocou esses 16 dias, algo que também encontra milhares de cientistas que consideram “impossível ter acontecido” e milhões de milhões de estudos que confirmam que nunca aconteceu…
Que bom ler este postal. Mesmo.
Obrigado pela gentileza
Há que levar a boa palavra “aos Chineses”…
JSP
Que eu saiba os chineses não sairam do Protocolo do Quioto, ao contrário dos yankees.
http://www.worldwatch.org/node/144
Espantoso!
Tanto escrito inútil e reles!
Desde o post-mãe aos comentários.
Bom proveito.
https://youtu.be/oRH65RYdtnE
Com licença…
Nada espantoso. Um (mais um) comentador tóxico. Anónimo, como não podia deixar de ser.
Quioto e a China, a China e Quioto…
Ou é ingenuidade ou optimismo “profissional”…
é mais malvadez
Parabéns, jpt, por este texto fantástico.
Assertivo, fundamentado e de uma clarividência desarmante.
Greta’Darc ( momento de grande inspiração) com a sua determinação cândida, representa, não só uma geração que tem vindo a dar mostras de que não são “o bando de alienados” de que muitos falam, sendo, isso sim, cidadãos com um sentido cívico apurado, conscientes e criteriosos nas lutas por que se batem, sendo estas, ironicamente, lutas altruístas, pois a todos beneficiam. Para além disso, Greta, representa uma valente bofetada, um despertar de consciências como há muito não tínhamos (falo por mim e incluo grande parte da minha geração).
Greta, transmite, ainda, uma esperança gigantesca na geração que nos sucederá e que já tem dado provas de estar mais atenta ao que nos rodeia, do que nós alguma vez estivemos.
Agradeço a gentileza
Sobre o Sol e os Oceanos, os únicos reguladores da temperatura do planeta Terra, continuo sem ouvir uma palavra.
Começou como “aquecimento global”, nos anos 70, mas perdeu força porque a vigarice era tanta que não pegou.
De há varios anos para cá mudaram para “alterações climáticas”, frase muito mais consentânea, de acordo com opiniões de vários cientistas não ligados a governos e a organizações de estupidificação global, cientes das várias fases climáticas da terra há milhares de anos.
O clima do planeta Terra não é estático.
Concordo que existam casos localizados e por tempo limitado, por mão do “homem”.
Culpar a actividade do ser humano (o “homem”, esse vilão!) como o culpado das alterações climáticas, transforma pessoas normais em perfeitos atrasados mentais. Como, aliás, temos visto.
Se querem aumentar cada vez mais os impostos e pôr cada vez mais pessoas a viver pior a nível global, manter “a populaça” como carneiros muito obdientes, levar-nos ao início da Idade Média, é dar cobertura às “ideias” das Gretas Thunberg da vida.
Ao que isto chegou, sem ninguém se escandalizar. Por onde andam os indignados profissionais? Em Portugal, todos sabemos onde estão. E no resto do planeta também.
Eu não sei? Pode avançar do paradeiro deles?
A carinha e o sorrisinho da Mona Lisa, o vestidinho do Conan Osíris, mais aquela do governante americante…
Estou de rastos.
Compreendo-o bem anónimo, eu próprio já mal rastejo
O Manuel Cardoso escreveu: “As eleições europeias obtiveram valores altos de abstenção, como esperado. A culpa é tua, jovem.”
Depois, perde-se em considerações inúteis e termina aconselhando a juventude a “bater à punheta”, eles e elas, obviamente.
Continuo de rastos.
não sei quem é esse Manuel Cardoso mas presumo que seja alguém que lhe é significante. As melhoras
Segundo o próprio, presumo, “Manuel Cardoso é humorista. Posiciona-se contra quem tenta ser divertido em notas biográficas claramente redigidas pelos próprios. Escreve palavras no Word e por vezes interpreta-as. É stand-up comedian, faz vídeos, entre outras atividades criativas e egocêntricas, difíceis de explicar em almoços familiares.”
Como vê, é insignificante e, muito provavelmente, punheteiro.
Não fazia a mínima ideia, obrigado. Aqui no blog – e até nesta caixa de comentários – comenta-se bastante a Bíblia. Julgo que nela o onanismo é condenado. Talvez esse comediante que você preza seja infiel.
Já o vi na página do Sapo, nunca reparara. Obrigado pela chamada de atenção
Eu acho é que o problema do ambiente não se resolve com conversa fiada.
O cidadão comum não tem a culpa do ambiente. Foram os capitalistas que nunca se preocuparam com o ambiente e os políticos sempre ganharam com isso. Quem resolveu que a água devia ser vendia em garrafas de plástico que até lhe tira o sabor? Qual era o mal da água em garrafa de vidro? Agora até o azeite é vendido em garrafas de plástico! São os capitalistas das marcas de carros que têm culpa de nunca ter fabricado carros limpos para o ambiente. Chega a ser estranho ser o cidadão a pagar imposto de carbono pois a alternativa não existe. Os impostos do ambiente devem ser cobrados aos fabricantes de produtos e nunca ao cidadão.
De pé ó vítimas da fome …
Vamos lá a reduzir as preocupações ecológicas à luta de classes, é mesmo esse o caminho a seguir.
Francamente, pior do que os malucos dos negacionistas é este tipo de colonização comunista
Você é mais um com conversa fiada. Falei eu em luta de classes ou colonização comunista? Eu apenas referi quem tem a culpa do problema do ambiente que não é de forma alguma uma questão politica ou ideológica. A culpa é dos produtores de coisas más para o ambiente e dos políticos que as aceitam assim. E nunca do cidadão que nunca tem hipóteses usar sempre produtos amigos do ambiente. Você é um deturpador das minhas palavras.
Anónimo nada deturpei. Você para comentar textos, de modo concordante, discordante ou neutral, tem que os perceber. Fui eu que falei de luta de classes e em colonização comunista. Porque é isso que está no cerne do seu entendimento da questão. Ou seja, eu não deturpo as suas palavras, analiso as suas ideias – que não são apenas suas, é uma argumentação – letal, diga-se – que por aí anda. Você discorda da minha perspectiva, e da minha interpretação do que diz você? Ok. Mas não as pode dizer deturpação. Quanto ao ser “conversa fiada” paciência, lamento que tenha perdido o seu tempo com ela.
Mais lhe digo. A solução do ambiente passa forçosamente pela obrigação de fabricar apenas produtos 100% ecológicos e os estados ou governos terem de controlar isso totalmente. Quem não cumprir isso deve pagar pesados impostos na sua origem. E o capitalismo não é uma ideologia politica como você fez crer. É um sistema económico horrível. O capitalismo visa apenas o lucro passando por cima do ambiente e das pessoas.
Ok, é isso mesmo que eu dizia
A escumalha que nega o aquecimento global devia ser obrigada a beber petróleo.
isso contribuiria para o aquecimento global …
Estou disposto a receber uma pequena percentagem do aquecimento global em minha casa de forma gratuita.
É que mantê-la aquecida custa-me os olhos da cara,como soe dizer-se.
Sói, rapaz, sói. Os erros ortográficos não são graves mas quando se quer armar ao pingarelho estragam o piadismo
Este anónimo não deve viver no litoral pois se vivesse não teria casa para aquecer com a subida do nível do mar.
Não é preciso beberem muito petróleo, basta consumirem uma dose letal.
E você candidata-se a provedor dessa purificadora actividade?
Boa tarde, obrigado por ter escrito este post, esperemos no entanto que a vida da Greta seja mais longa que a da Joana.
Nesta questão, e para mim os homens e mulheres de hoje dividem-se em dois tipos de doentes:
Os dois andam cansados, com fome, com sede, têm feridas pelo corpo e ultimamente desmaiam aqui e ali. Vão ao médico e este diz-lhe que provavelmente será diabetes, que terão de ter cuidado com a alimentação e fazer dieta, no entanto só pode confirmar o diagnóstico após realizar uma bateria de exames que demora algum tempo. O doente A sai do consultório preocupado e começa a fazer dieta (se for diabetes já começou o tratamento, se não, mal não faz). O doente B sai do consultório a maldizer o médico, porque nunca tinha sido diabético até então e não havia razão para o ser daí em diante, porque não percebe como pode o médico diagnosticar com base em sintomas se não tem os exames na mão, e porque há estudos que dizem que é a falta de açúcar que provoca o desequilibro da insulina no corpo que causa os diabetes, então entra numa pastelaria e come um croissant recheado de chocolate.
Eu iria beber um uísque e maldizer o médico, profeta da desgraça. Mas não sou exemplo para ninguém.
Regresso, para dar os parabéns pelo destaque. É inteiramente merecido!
Alguns dirão que o destaque provará que a sapo.pt está vinculada ao “marxismo cultural”
Teorias da conspiração em espiral!
“Ele” há gente para tudo …
ja terei lido aqui mais que uma vez, porventura do jpt, elogios ao movimento estudantil sobre o clima. E comentado.
Resumindo nao so nao acredito nos jovens, embora entre os saber indiferentes e os ver mobilizados para a coisa do clima, antes isto.
Dos jovens, ate dos estudantes mais crescidos, nao nos chegam nestas decadas ideias que nos inquietem, alias simplesmente nem chegam ideias.
E o que temos visto sao os governos a oferecer coisas aos jovens, coisas nem reclamadas.
Portanto, é bonito essa acçao dos jovens, todos nao somos demais para a defesa do equilibrio do planeta, mas nao sei se a acçao dos jovens nao acaba por servir o negacionismo dos atavicos.
Diz bem : os atavicos sao o imobilismo, a injustiça, a luta pela “purificaçao ” do clima é o presente , para a sustentabilidade de já amanha.
Todavia, clima é muita coisa, e se é mais ou menos facil a unidade na denuncia, em termos de soluçoes, e comportamentos concretos, divergimos.
Um poderosissimo aliado dos atavicos, sao os novos negocios relativos ao clima, recursos que quase absolutamente saem dos nossos impostos.
Por outro lado, noticia de hoje, uma camara municipal vai investir 1 milhao, para aumentar a cobertura do saneamento de 30 para 60 %. . Ou seja continuamos com os mesmos problemas de á cem anos.
pelo clima, marchar, marchar… mas com calma, acertadamente, sem desbaratar corruptamente aquele recurso que passa pelo banco de portugal.
uma das coisas que eu quis referir, no registo radicalmente superficial deste postal – registo imposto, acima de tudo, pela ligeireza do meu conhecimento sobre estas matérias – foi exactamente que políticas produtivas ecologicamente (mais) virtuosas são um manancial para a competição económica, potencialmente lucrativa. E que a recusa dessa via mostra um senil “espíirto do capitalismo”. Claro que essas políticas poderão albergar, como diz, práticas plutocráticas ou nepotistas – cumpre às instituições impedir esse rumo.
Se estiver perto de um abismo, ecológico ou financeiro, o atavismo pode ser a medida mais sensata para não cair nele.
Desatar a correr atrás de uns jovens, manipulados pelo que aprenderam em escolas que nem querem frequentar, pode levá-lo a cair na curva do abismo.
Desde logo, o aquecimento global. Existe. A questão é: é antropogénico ? É o homem ou a acção humana que provoca a maior parte desse aquecimento ?
O CO2 que provoca o efeito de estufa é a causa ou apenas uma mera consequência desse aquecimento que tem outra causa não-humana ?
Essa é a grande dúvida que divide cientistas. Acontece que a ONU financia um painel deles que continuará a ser financiado na medida em que a solução proposta for exequível. Nunca se não existir ou estiver fora do nosso controlo. Os cientistas são muito ciosos de manter a sua fonte de financiamento…
A minoria que contesta a conclusão deles, a ser aceite, retirava-lhes a razão desse financiamento. Não é uma decisão independente e imparcial.
Depois, a questão fiscal. A esquerda, sempre desejosa de aumentar e orientar a carga fiscal, vê nesta questão um óptimo argumento para continuar a fazer o que sempre fez. Só precisa de escolher quem são, desta vez, os “ricos”, os “opressores” ou os “inimigos do povo” futuro. O povo futuro, sobre a forma de jovens guardas, serão a vanguarda dessa revolução que trará mais carga fiscal e pode aumentar os seus orçamentos deficitários na sequência da crise das dívidas soberanas. A lógica de sempre da esquerda, necessitada de trocar o marxismo por outras causas.
Por fim, a questão da via marítima do Ártico. Putin e a sua Rússia andam a criar pequenos conflitos territoriais com a Noruega e com os EUA, no Alasca, precisamente para expandir a sua zona económica no mar do Ártico. Os interesses de prospecção futura e o controlo sobre essa via marítima são óbvios. A Rússia é, de longe, a maior beneficiária dessa situação. O segundo, o Canadá. O discurso do sec. Estado americano é uma reacção a essa questão. Uma tomada de posição. Que você consiga concluir que o aquecimento global pode ser um plano americano, e não um plano russo, só é revelador de outras coisas.
É uma minudência, se comparada com a questão do postal, mas é interessante porque denota o tipo de atitude conversacional, de debate, que vai reinando nos comentários de blog – e dado que blogo há muitos anos, e noutras plataformas, julgo que é muito típica do universo SAPO. Já a referi várias vezes e em particular muito recentemente noutro blog onde escrevia: é a tendência, não universal mas recorrente, dos comentadores anónimos deturparem os textos para os contestar. E é algo que quando as pessoas assinam é muito mais raro – e isso é mais do que notório para quem tem uma conta de facebook, plataforma na qual é muito mais raro aparecer alguém a deturpar o que está escrito. Há críticas negativas, discordâncias, às vezes até insultos. E há óbvias incompreensões. Mas o facto de se deixar o nome inibe a deturpação, há um óbvio pudor.
Que vossemecê, anónimo, retire do meu texto “Que você consiga concluir que o aquecimento global pode ser um plano americano, e não um plano russo, só é revelador de outras coisas.” é apenas revelador de uma coisa, da despudorada vontade de contestar deturpando o que se contesta. É um vazio.
Foi só isso que o incomodou no meu comentário ? Então reage muito a quente. Os pontos anteriores são bem mais graves do que esse.
As coisas que se revelam ao apontar baterias aos EUA, num processo em que a Rússia tem tomado dianteira e tem vantagem, são óbvias. As diversas fontes que consulta são as mesmas que difundem um anti-americanismo primário. Não que os EUA de Trump e de sempre sejam diferentes daquilo que você diz. São isso mesmo: predadores e com uma visão global. Como outros. O ignorar o papel da Rússia de Putin nessa disputa é que revela as fontes. E a visão e o alvo pretendido. Mas não é o único assim.
E quanto ao anonimato, só não estive para fazer login. O meu nome é José Paulo Castro. Pelos vistos, um dos seus “estupores” para alvo. Dá jeito acusar as opiniões adversas de cobardia. Sabe, é por isso que o voto tem de ser anónimo e secreto. Sempre.
José Paulo Castro (assim é muito melhor) se volta ao anti-americanismo do postal então proponho que – se tiver paciência – volte ao texto.
Diz que as diversas fontes que consulto são veículo de anti-americanismo. Quais? Ao longo do texto refiro que há opiniões contrastantes, e admito a hipótese da pertinência dessas opiniões – não refiro fontes, entendendo essas opiniões relativamente conhecidas pelas pessoas interessadas. Tenho a minha opinião, certo, que me parece visível: temo que a hipótese pior seja plausível, que haja um processo de aquecimento global influenciado pela actividade produtiva do último século, em particular pelas últimas décadas. Temo-a porque há muita gente especialista que o afirma, sim, mas acima de tudo por uma deriva etária, por pessimismo. E espero que os que o negam tenham razão, por uma resistente esperança. E tenho duas outras opiniões: à vista desarmada, e parece-me indiscutível, há uma universal devastação ecológica, que deve ser combatida; e que em havendo a possibilidade real de defrontarmos um processo de aquecimento induzido isso sublinha a necessidade (sublinha, não é apenas dependente disso) de se procurarem formas produtivas (e de consumo) mais …. desenvolvidas. Isto é anti-americanismo? Nem sequer anti-industrialismo é.
Fontes anti-americanas? Refiro três fontes no texto: um postal meu, que tem a ver com a emergência aqui em Bruxelas deste movimento ecológico juvenil, muito inicial – ainda para mais conheço os jovens que participam nele, citei um texto escrito pela minha filha (não o disse na altura, digo-o agora). São jovens completamente ao invés do que tanto se lê sobre esta gente – a caixa de comentários daquele postal tem as coisas mais parvas e abjectas sobre “esses miúdos”, tal como o que se vai lendo por aí. As pessoas falam sem conhecer, apenas com a arrogância do sofá. (Não estou a falar dos seus dois comentários). São movimentos, heterogéneos – e cujo crescimento leva a proliferação de expressões, de slogans, mas também decerto produzirá tentativas da sua apropriação por forças políticas, que querem maior esclarecimento sobre a situação, e que se desenvolvam políticas de protecção ambiental. É terrorismo? Leia esta (e outras) caixa de comentários: diz-se que querem abandonar o consumo de carne, que querem combustível limpo, o fim da indústria e da agro-pecuária. Nada disso é verdade, são dislates. De facto apelam à redução da emissão de CO2 tal como vem sendo apresentado pelos líderes mundiais desde há décadas – vamos gritar da insanidade dos jovens e não dizer do mesmo de tantos líderes? Muitos apelam a uma mudança de dieta, por uma redução da agro-pecuária. É isso um escândalo? Há muito de new age, de vegetarianismo nisso? Há, com toda a certeza, mas vamos nós mais velhos e menos new age (há muito idoso e proto-idoso filiado nesse mundo místico), refutar que há políticas de fomento alimentar? À produção e ao consumo? E em havendo-os são elas indiscutíveis? Posso defender a aquacultura sem me dizerem anti-americano? Posso discutir os subsídios à produção de determinados alimentos em detrimento de outros, os incentivos fiscais ou aduaneiros?
Refiro também, lateralmente, Ernst Kantorowicz – que não pode ser visto como anti-americano. E, finalmente, cito o Departamento de Estado americano. Quais fontes anti-americanas, sejam as implícitas sejam as explícitas? É um torcer do texto, o que V. faz.
De quem falo no postal? Explicitamente (e, aqui terá que crer na minha boa fé, implicitamente também) falo de um conjunto (inorgânico) de locutores portugueses, que integro num eixo de centro e direita que costumo ler com interesse, e também de extrema-direita, que acompanho mais como curiosidade sociológica. Não estou a falar dos americanos – e a propósito do que V. diz sobre o contexto das declarações de Pompeo, eu refiro que elas foram proferidas no Conselho Ártico, exactamente no âmbito das negociações sobre a utilização internacional. Isto não é um ensaio, é um mero postal de blog – está referido onde foram proferidas as declarações, está um citação (com ligação à fonte), há pessoas suficientemente informadas como V., que identifica a situação, há pessoas curiosas, que poderão seguir a pista, há quem ulule, para cima ou para baixo, mas isso ultrapassa-me, que blogar é gratuito, não se me pode exigir mais.
Estou a falar, repito, de um meio sociocultural português, que vitupera esta rapariga – dizem-se coisas inacreditáveis (ontem no mural FB do João Gonçalves, o ex-bloguista, em cuja lista para estas eleições eu disse que votaria se vivesse em Portugal) um septuagenário, ornamentado no perfil com a boina com a qual fez a guerra colonial, anunciava-a violável por um grupo de nigerianos – e o João Gonçalves deixa aquela merda afixada – e os miúdos que se vão associando. Ora este meio sociocultural e ideológico é muito pouco sensível (apoiante) a declarações de qualquer dirigente chinês ou a emanações de Putin. Mas globalmente, mais pró-democratas ou mais pró-republicanos, muito se revê no poder americano (esvaído que foi o anti-americanismo da direita europeia). E é nesse sentido que eu busco a confrontação com estas declarações de um governante americano. Que mostram a consciÊncia de que há um degelo (para quem visceralmente o nega), que mostram a vontade de o aproveitar para efeitos económicos e anuncia o que muitos em Portugal nem ligam, e que denotam uma enorma insensibilidade para a coisa, seja por parte do governo americano seja dos seus interlocutores (em particular dos mais poderosos)
E isto é significativo em Portugal. O texto é da semana anterior, antes destas eleições que chamaram a atenção sobre o PAN – de facto, como bem diz Rui Ramos, pouco significa, e apenas teve 2/3 dos votos em Marinho e Pinto nas últimas europeias, mas “faz barulho” nos dias de hoje. Mas o que me chamava a atenção é um centro, centro-direita, avesso a questões ecológicas, e onde os seus locutores mais esclarecidos veiculam uma abjecção por estas matérias. Agora com os votozitos no PAN vão aparecer a dizer umas coisas, mas será apenas encenação.
Na semana passada o bloguista João Távora escreveu um breve elogio a Ribeiro Telles, no seu 97º aniversário, lembrando também a sua dimensão ecologista. Como, ainda que republicano, o partido em que mais vezes votei foi o PPM isso é-me significativo. Lembrando que foi no centro-direita, com o PPM que as preocupações ecologistas surgiram junto ao poder. Tal como depois nos governos iniciais de Cavaco Silva, com Carlos Pimenta (e Macário Correia). Podemos ter boa ou má memória dessas pessoas, das suas iniciativas. Mas o que é certo é que houve uma corrente de pensamento ecologista – não fundamentalista, não folclórica, não anti-industrialista, não anti-capitalista (não anti-americana, para usar a sua preocupação) – no pensamento do centro e da direita portuguesa. E que desapareceu. Sendo que hoje em dia as pessoas dessas áreas ideológicas que falam publicamente sobre a matéria se limitam a rugir impropérios. Boçais.
Isto é ser anti-americano? Se assim for então eu, apesar de mim-mesmo, sou-o.
Eu sou anti-americano. Os EUA não fazem falta no mundo.